Qual é o risco?

Dinheiro

Estou certo que a imensa maioria dos portugueses não faz qualquer ideia do que significa o astronómico número de 710 mil milhões. Não sei se o adjetivo astronómico casa bem com a enormidade deste número que há muito deixou de ser colossal, para passar à categoria de galáctico.

Pois bem, 710 mil milhões de euros é o montante atual da dívida do Estado português.

Se quiséssemos pagar esta dívida, como fazem as pessoas de bem e honestas, era preciso entregar durante 4 anos consecutivos, todo o PIB nacional.

Como toda a gente sabe PIB é a abreviatura de produto interno bruto, o que quer dizer, toda a riqueza nacional produzida num ano económico, entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro.

Como facilmente se percebe, através desta fórmula muito simples de pôr a crueza dos números, o país teria de trabalhar e produzir, entregando toda a riqueza de quatro anos consecutivos, para pagar aos credores, sem puder dispor de 1 cêntimo para mais nada.

Cantar de galo

Ora, um país que se encontra nesta situação tão precária e dependente dos credores, não pode ter governantes e políticos lá por fora, a falar com voz grossa e a cantar de galo, mandando bocas para o ar, a exigir reestruturações de dívida ou ameaças de perder a vergonha para ir buscar o dinheiro a quem o tem, porque poupou e teve mais juízo.

Diante esta realidade, a meu ver preocupante, muitos cidadãos perguntar-se-ão, e então qual é o risco.

E não está bom de ver, que o risco é os credores perderem a paciência e começarem a pedir juros de tal maneira altos que se tornem incomportáveis, e nos precipitam para o abismo, quer dizer, outra vez para a banca rota?

E o risco não será também sermos empurrados para fora do Euro e arcar com consequências imprevisíveis, porventura dramáticas, que lancem a economia nacional num ciclo vicioso de impossível recuperação?

Pergunto aos caros leitores, se é assim tão difícil perceber o que acabo de escrever nesta minha prosa?

Creio que toda a gente percebe muito bem qual é o risco!…

E se não percebe, pense que nos próximos 4 anos, tudo quanto ganhar tem de entregar ao seu banco, ou outros credores, para pagar as suas dívidas. Vai viver do quê? Como paga a educação dos filhos? Como paga as consultas nos médicos? Como vai comprar comida, roupa ou pagar os serviços básicos de água, luz, gás, telefone e as outras despesas da família? Numa expressão mais direta, como vai viver?

É simples, não é!?…

Victor Dias