Siderurgia Nacional da Maia vai crescer nos próximos dois anos

Siderurgia Nacional da Maia vai reorganizar espaços

A Siderurgia Nacional – Empresa de Produtos Longos, SA, instalada na Maia, tem um Masterplan para implementar nos próximos anos, o mesmo é dizer, “o projeto de futuro da fábrica e que inclui os investimentos nos dimensionamentos e reorganização de espaços, todo o enquadramento da envolvente bem como a ligação da fábrica às grandes vias de tráfego, nomeadamente com a cedência de terrenos para a construção de uma via envolvente”, explicou ao Primeira Mão Álvaro Almodovar, um dos responsáveis da empresa.

Foi neste contexto de desenvolvimento da “maior empresa e maior exportador do concelho”, de acordo com o presidente da Câmara, que se celebrou o protocolo de colaboração entre a Siderurgia Nacional (SN) e a Câmara Municipal da Maia, na última semana. O acordo define que a SN cede terrenos para a Câmara da Maia construir uma nova via circundante à fábrica.

Com nova avenida inverte-se acesso à fábrica

O vice-presidente da autarquia especificou que este acordo define a construção de um “boulevard” a nascente dos terrenos, que estão afetos à SN, e que constituirá “uma zona tampão ou limite com área verde entre aquilo que é a Siderurgia do futuro e o restante espaço geográfico da Maia, concretamente de Folgosa e S. Pedro Fins”. Essa nova avenida que irá “bordejar” toda a empresa irá ser o acesso operacional da SN para todo o sistema viário principal, designadamente para a A41, e irá também intercetar a via diagonal. Uma das alterações que o Masterplan vai implicar no trânsito de e para a Siderurgia é que o acesso deixa de ser feito pelo Norte e passa a ser realizado pelo lado Sul.

A nova via estruturante inserida no Masterplan é uma das oito candidaturas que a Câmara da Maia submeteu ao Portugal 2020 e que está à espera da decisão do governo, no âmbito da lógica “last mile”.

A SN já tem investimentos em curso que irão ampliar a sua estrutura, integrados no Masterplan, como é o caso da “instalação de uma nova central de oxigénio, num investimento de 2 milhões de euros”, como referiu Álvaro Almodovar. A SN emprega 300 pessoas e cria um total de mil postos de trabalho indiretos. De acordo com o administrador, não está previsto aumento de funcionários.

Administração garante cumprimento dos normativos ambientais

Almodovar assegurou que os maiatos não devem temer qualquer impacto negativo das instalações da SN acrescentando que a “fábrica da Maia é das primeiras do país com licenciamento ambiental, que cumpre todos os normativos exigidos à sua exploração”. Para além de que, a empresa está “sempre num processo de melhoria contínua, temos certificações ambientais, de qualidade, de segurança, pelo que a sustentabilidade da fábrica vão muito mais além do que se são as obrigações legais para este tipo de instalações. Mas gostaria de acrescentar que a fábrica tem um conceito fundamentalmente de reciclagem. Estamos todos os anos a reciclar um milhão de toneladas com uma integração no que é o diagrama elétrico, que viabiliza a integração das energias renováveis”, concluiu Álvaro Almodovar.

PS a favor e CDU contra

Os vereadores do PS votaram favoravelmente a este protocolo quando o mesmo foi submetido em reunião de Câmara. Os socialistas tiveram em conta o “plano de melhoria da atividade que a SN Longos apresentou, o qual inclui o reforço da componente ambiental” e a importância que a empresa representa para a economia local, deixando a salvaguarda de que será necessário que “seja prestada à Câmara Municipal informação regular sobre a evolução dos processos de licenciamento e de implementação do Masterplan da SN Longos”.

A vereadora da CDU reconhece a importância económica da Siderurgia, mas referiu na declaração em que votou contra o protocolo que não se pode “ignorar a contaminação ambiental”. A CDU entende ainda que “na proposta de Protocolo são muitas as obrigações que cabem à Câmara e poucas, ou nenhumas de caracter concreto, que reflitam preocupações ambientais, por parte da empresa”. Na declaração a CDU aproveita para sugerir a “instalação de uma estação de monitorização da qualidade do ar, próxima da Siderurgia Nacional – Empresa de Produtos Longos, SA.”

Bloco de Esquerda repudiou protocolo

Na mais recente Assembleia Municipal, onde o BE tem assento, o partido fez uma intervenção em que repudiou o protocolo entre a Câmara e a Siderurgia, sublinhando que se agrava a “nossa inquietação perante a perturbadora parceria estabelecida entre a indústria e o executivo camarário. Tememos mesmo que o plano da primeira seja ocupar toda a reserva agrícola e florestal das freguesias de São Pedro Fins e Folgosa. Os deputados do BE chamaram ainda a atenção para o “elevado índice de doenças respiratórias prevalecentes nesta região quando comparado com outras regiões livres de tal influência tóxica”.