A minha árvore de Natal

Árvore de Natal

O Natal é “a festa” da Família e Amigos, por excelência. A celebração religiosa representativa da Solidariedade, da Dádiva e da Partilha tem-se vindo a converter numa festa pagã, símbolo máximo do consumismo e do materialismo.

Assistimos nesta época à extravagância dos que têm mais capacidade para distribuir prendas dentro do seu círculo de relações. Esse desnível de capacidades financeiras gera, cada vez mais, a divisão da sociedade em grupos que vivem o Natal de forma diferente. Trata-se de uma verdadeira segmentação social desta festa, mediaticamente massificada pelos apelos de venda, sobretudo das grandes marcas.

Por vezes esquece-se a dádiva permanente ao desconhecido e carenciado, e esta é substituída pelo convívio social com os “do mesmo grupo” (mesmo estatuto social, profissional, etc.). É por isso que, para além de reforçar o espírito solidário e humanista subjacente a esta quadra, exorto a sociedade em geral, e cada Pessoa em particular, a aproveitar o momento para prestar a minha homenagem e enaltecer o trabalho de quem o faz ao longo de todo o ano: Misericórdias, IPSS, Associações Humanitárias, Bombeiros, forças da segurança e equipas de voluntariado em geral.

A máquina consumista do Natal

O INE revela que os portugueses são dos europeus que menos voluntariado fazem, de acordo com dados publicados no passado Dia Internacional da Solidariedade Humana. Reforça-se assim a ideia que, intuitivamente todos reconhecemos. Num país com enorme fragilidade económica e de criação de emprego, e periférico em termos de dependência económica europeia, acho que todos, (repito: todos!) temos o dever de repensar se devemos (e até mesmo “se queremos”) continuar a alimentar a voracidade da máquina consumista do Natal, alheados da importância da Solidariedade e da Partilha desinteressada, que serviu de berço a esta efeméride.

Os carenciados, os pobres, os desprotegidos, as crianças, os idosos, e todos aqueles que, de alguma forma, são mais recordados nesta quadra festiva, precisam que a sociedade repense este foco solidário para o resto do ano.
Na minha árvore de Natal eu queria… Esperança no futuro e uma sociedade ainda mais bondosa e fraterna.

Emília Santos
Deputada à Assembleia da República