Maia: As esperanças de 2017

Maia centro

1.- A primeira esperança que tenho para a Maia: a liberdade das pessoas pensarem. O pensamento das cidadãs e dos cidadãos é condicionado pelos poderes instituídos, mesmo que esses poderes se digam legitimados pelo voto popular. Até por que o voto popular pelo desencanto que possuem o protagonismo dos ditos políticos, ensombra o universo eleitoral reduzindo-o a quase 50%. Há uma legitimidade democrática, mas não ética. A liberdade está também no voto, mas não só neste. A participação livre das populações nos assuntos que lhes dizem respeito será a única liberdade inclusiva. A democracia nunca pode ser de exclusão daqueles que marginalizamos pelos interesses mesquinhos dos que detêm o poder e o fazem trampolins para a submissão dos outros. Quando todos pensamos como um coletivo com as diferenças naturais, então um novo dia nasce, não mercê de tronos enfatuados ou hereditários, mas com a noção de que em liberdade todos somos iguais, e por isso mesmo não existem “estrangeiros” na nossa casa comum, mas companheiros e companheiras, organizados, mas livres e nunca dependentes de sucessões oligárquicas ou familiares.

2.- A segunda esperança que tenho para a Maia: a cultura para todos. A cultura não existe para ser um apagão que ofusca o querer e o sentir dum povo, mas para desabrochar as histórias que conduzem ao futuro. Determinar um programa cultural subordinado aos ditames de um populismo é empobrecedor. O riso é salutar, mas só por si não conduz a uma cultura enraizada nas esperanças de um povo. Um povo culto é livre, só é livre um povo culto. Isso não é conseguido com espetáculos mirabolantes não saboreados pelo prazer de viver. O ocultismo é prejudicial às esperanças e bem querenças da cividade e da democracia, da liberdade de fazer e pensar; o que se tem organizado é um desplante desnecessário para ofuscar as raízes populares, em sumo é o chamado “populismo”. Esse não cria os sabores licorosos das nossas mãos, do nosso agir, mas é aproveitado para criar pessoas sonolentas e preocupadas em servir os vários poderes.

3.- A terceira esperança que tenho para a Maia: que a Sustentabilidade não fique no gaveto de um departamento. Tornou-se público pelo sua orgânica, a administração da câmara da Maia criou o Desenvolvimento Sustentável e encaixou-o num departamento camarário, ofuscando-o e retirando o sumo da Sustentabilidade. É crítico que a CMM continue a subordinar – por interesses obscuros? -, a Sustentabilidade, os desenvolvimentos económicos, sociais, ambientais e culturais, a uma submissão particularizada. Sem dúvida um erro técnico, quiçá um passadouro de alienação que urge destruir. Intolerável se torna quando que com um erro técnico – se é! -, se amesquinhe o desenvolvimento.

Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental