Incerteza de novo a pairar no horizonte

Donald Trump

Os próximos seis meses serão, a meu ver, bastante difíceis, quer para Portugal, como para a Europa e para o Mundo.

Com a tomada de posse de Donald Trump, são poucos os analistas que arriscam previsões minimamente sustentadas, tal é o grau de imprevisibilidade das políticas da nova administração norte-americana, liderada por alguém a quem falta consistência de pensamento e de ação.

Sendo Portugal um país periférico, é natural que os impactos da política económica de Trump, que já foi deixando antever que vai reavaliar a sua relação com a velha aliada Europa, irão surtir efeitos mais gravosos na nossa pequena economia.

E se o BCE fechar a torneira

Além da incerteza que a administração Trump vai introduzir, é preciso não esquecer que lá para o verão, provavelmente em julho ou agosto, os juros da dívida soberana portuguesa podem atingir taxas insustentáveis para nós.

Creio que os nossos governantes e os líderes políticos mais responsáveis, embora publicamente evitem o assunto para não lançar o pânico na nossa economia, têm plena consciência que o Banco Central Europeu, não pode formalmente, porque não tem espaço nem mandato para tal, comprar mais do que um terço (33%) da nossa dívida soberana.

Ao que tenho lido na imprensa especializada internacional, Portugal está a atingir esse limite e depois de Agosto, a torneira pode mesmo fechar-se e fazer subir os juros da dívida para valores astronómicos, precipitando o país, novamente numa situação muito crítica de pré banca rota.

Não sei, mas tenho a impressão que há factos recentes na nossa vida política nacional que terão certamente a ver com isto.

Nos próximos seis meses, a ver vamos se é assim ou não…

Victor Dias