Gabinete Maia Go estuda MasterPlan no Aeródromo de Vilar de Luz

Aeródromo de Vilar de Luz

O início do ano marca a apresentação de um novo gabinete na autarquia da Maia, o Maia Go, sob a responsabilidade da Presidência do município. Coordenado por Filipe Gonçalves, o Maia Go é o instrumento direto da estratégia do município de especializar e aprimorar as técnicas e procedimentos para a promoção do desenvolvimento económico.

Nesta entrevista ao Primeira Mão, e numa altura em que está prestes a entrar online uma nova plataforma digital do Maia Go, o vice presidente, António Tiago, explica como vai atuar o novo gabinete e alguns dos projetos a que já está dedicado.

A Câmara da Maia pretende com o Gabinete Maia Go afirmar ainda mais a capacidade do município como acolhedor de investimentos?

Esse é, sem dúvida, um dos objetivos que a Câmara Municipal da Maia definiu estrategicamente com a criação do Maia Go. Mas não o único!

Mas se me permite, antes de continuar a responder à sua pergunta, gostava de sublinhar o facto de termos optado pela marca Maia Go, para identificar esta estrutura de acolhimento aos investidores e empreendedores. A marca Maia Go foi inicialmente criada pelo vereador do Pelouro da Juventude, Hernâni Ribeiro, para denominar uma conferência que tem sido coroada de imenso êxito e tem como público-alvo os jovens à procura de emprego. Cujo potencial empreendedor merece ser estimulado e apoiado. Maia Go é uma marca muito forte, que transmite uma ideia de dinamismo e força. Como já estava a fazer caminho na mente de públicos que nos interessavam, resolvemos utilizar uma marca que traduz na perfeição a essência da nossa estratégia.

Na verdade, o município da Maia, atendendo à sua geografia, orientou nas últimas décadas toda a sua estratégia de desenvolvimento económico, no sentido de criar condições privilegiadas para o acolhimento de projetos empresariais com elevado potencial de investimento, geração de riqueza e criação de emprego.

Graças a essa visão estratégica, hoje, é possível encontrar no território concelhio, um vasto e diversificado tecido empresarial, que coloca a Maia no pelotão da frente dos municípios portugueses que mais contribuem para o produto interno bruto.

Contudo, a realidade atual, imposta por mudanças conjunturais, mas também estruturais, impulsionadas na economia mundial, muito por força do fenómeno da globalização, requer um posicionamento e uma capacidade de resposta, cada vez mais especializados, sistemáticos e sobretudo muito mais céleres e pró-ativos.

A globalização, no que à economia diz respeito, introduziu um novo paradigma ao nível da competitividade, considerando que o capital, hoje, não tem nacionalidade, que o conceito de distância se alterou profundamente, e que a gestão se reequacionou, precisamente para lidar com as vertiginosas mudanças, que quase quotidianamente ocorrem nos mercados.

Valorizando todo o capital de experiência acumulado ao longo de décadas pelo município da Maia, do qual resultou um “know-how” que deve ser rentabilizado, afigurava-se útil e oportuno, criar no seio da organização municipal, uma estrutura ágil, dotada de competências e capacidade operacional, para assegurar o melhor acolhimento aos empreendedores que pretendem sediar, desenvolver ou fazer crescer, os seus projetos de investimento no concelho da Maia. E foi isso que fizemos com a criação do Maia Go.

Este gabinete, tem como missão consolidar e afirmar o território da Maia como destino de excelência para o investimento, para a instalação e expansão de empresas, assente na premissa de que a Maia é o melhor concelho para viver, trabalhar e investir. E neste sentido, a Maia é uma ‘smart choice’.

António Tiago

António Tiago: A Maia não está dependente de uma empresa ou área de negócio.

Quais são as principais competências do Maia Go?

O Maia Go tem como principais competências proporcionar um atendimento e acompanhamento permanente, personalizado, tecnicamente qualificado a empresas, investidores e empreendedores, disponibilizar através de uma plataforma digital, informação de apoio à atividade económica e ao investimento, difundir informação útil, sobre avisos e processos de candidatura a fundos comunitários, apoios financeiros e incentivos fiscais, promover projetos de dinamização da economia e apoiar a internacionalização da Maia e a sua promoção externa.

Naturalmente que parte destas competências serão desenvolvidas em parceria estreita com outras entidades. Desde o associativismo empresarial, ao meio académico, o objetivo, já iniciado, é estabelecer pontes com as entidades mais relevantes no território que possam contribuir para alcançar melhores resultados.

E os meios físicos/humanos à disposição do Maia Go para a promoção do município e da atividade do gabinete?

O Maia Go é composto por um conjunto de quadros altamente qualificados com formação em áreas distintas que vão desde o urbanismo à economia, passando pela geografia, arquitetura e engenharia. No essencial, estes quadros já faziam parte da estrutura da Câmara Municipal da Maia, alocados a diferentes serviços e/ou divisões, vindo agora o Maia Go proporcionar e definir novas metodologias e procedimentos de trabalho, por forma a prestar um melhor “serviço” aos potenciais investidores e empresários.

Em termos físicos, apesar de o Maia Go estar instalado na Câmara Municipal da Maia, o seu “meio físico” não se confina a um local. Ou seja, o que se pretende é que esta estrutura seja, também, pró-ativa e esteja presente onde estão as oportunidades de captação de investimento para o concelho e de expansão dos empresários já instalados.

Que investimento está envolvido na criação do Gabinete Maia Go?

Nesta primeira fase, o investimento é relativamente reduzido pois, como já expliquei atrás, os recursos afetos ao gabinete são recursos que já existiam na Câmara. O que estamos a fazer, na prática, é atuar com novas metodologias, procedimentos e posicionamento.

Numa segunda fase, a Câmara Municipal da Maia pretende efetuar um investimento mais alargado, na promoção do território, apoio às empresas já instaladas e captação de investimento. Parte dessas ações estão já a ser planeadas e serão, na medida do possível, suportadas por fundos comunitários.

Filipe Gonçalves

Filipe Gonçalves coordena o Maia Go

Que tipo de apoios/atendimento será prestado aos empresários que procurem o Gabinete?

Os empresários, investidores ou empreendedores que procurarem e solicitarem o apoio do Maia Go, poderão contar, logo no primeiro momento, com apoio na procura e/ou validação de espaços que possam acolher a atividade que pretendem desenvolver. Este processo, passa pela natural validação de enquadramento em PDM (Plano Diretor Municipal), da existência das infraestruturas necessárias e, também, pelo enquadramento da atividade relativamente a outras empresas já instaladas. Ou seja, procuraremos sempre que uma determinada empresa se possa situar o mais próximo possível de outras empresas (potenciais fornecedores e/ou clientes ou parceiros) que complementem a sua cadeia de valor. Desta forma, estaremos a contribuir para a redução de deslocações e movimentação de mercadoria, diminuindo assim o impacto ambiental e a aumentar a competitividade destas empresas. Creio que há toda a vantagem em incrementar na Maia o conceito da ‘economia circular’.

O Maia Go prestará ainda apoio durante os processos de licenciamento e instalação da atividade, por forma a contribuir para melhores resultados, no menor espaço de tempo possível e admitido pela legislação em vigor. Na prática, o Maia Go atuará como um elemento facilitador ao longo de todo o processo, procurando fazer as pontes necessárias entre os promotores e as diferentes entidades envolvidas nestes processos.

No caso das empresas já instaladas, o Maia Go estará também disponível para apoiar processos de expansão e, também, no estabelecimento de parcerias com outras empresas, universidades e outras entidades.

Na prática, o Maia Go estará disponível para colaborar em todas as fases de investimento e expansão das empresas, sempre que os empresários entendam esse apoio como útil.

Na apresentação do Maia Go foi anunciado já um novo investimento de 20 milhões de euros. Que pode revelar deste projeto e outros de interesse programados?

O projeto de investimento que foi mencionado na apresentação efetuada na conferência “A Genética da Liderança”, refere-se a um investimento que se encontra já numa fase avançada. Este investimento, irá gerar cerca de 400 novos postos de trabalho diretos numa primeira fase. Será de destacar que, dada a natureza do investimento em causa, estes postos de trabalho serão, na sua maioria, altamente qualificados. Com a conclusão do processo de expansão deste grupo, deverão ser criados cerca de 1000 postos de trabalho diretos.

São cerca de 20 milhões de euros de investimento num projeto industrial de elevado valor acrescentado, orientado sobretudo para a exportação.

Além deste projeto, há já contactos avançados para a instalação de empresas do setor da aeronáutica no aeródromo municipal de Vilar de Luz onde a Câmara Municipal da Maia está a desenvolver um Loteamento de Iniciativa Municipal. Em paralelo, está a ser desenvolvido o ‘MasterPlan’ para o aeródromo, onde pretendemos instalar centros de negócios, espaços de incubação, laboratórios e outras infraestruturas de apoio ao setor aeronáutico e à engenharia de topo.

Semanalmente, são desenvolvidos diversos contactos para a análise de potenciais investimentos na Maia em diferentes setores. Esta dinâmica não é nova e um dos resultados dos investimentos efetuados ao longo dos anos, são as largas dezenas de empresas que todos os anos escolhem a Maia para se instalarem ou expandirem as suas operações.

Aeródromo Vilar de Luz

Gabinete terá a preocupação de captar/orientar o estabelecimento de empresas no município em áreas de negócio diferentes (por atividade ou dimensão) das já existentes?

Um dos aspetos diferenciadores da Maia relativamente a outros concelhos que têm, também, uma dinâmica empresarial com dimensão, é o facto de não estarmos “dependentes” de uma única empresa ou, sequer, de uma única área de negócio. Ou seja, apesar de termos algumas das maiores empresas do país e também multinacionais, estas atuam em diferentes setores de atividade não representando um perigo de concentração numa área de negócio.

Assim, enquanto que alguns territórios terão que ter essa preocupação acrescida por atrair investimento em diferentes áreas, por forma a reduzir o risco de exposição a um setor ou empresa em particular, no caso da Maia a opção de atração e/ou seleção de empresas, prende-se, no essencial, com o facto de ser, ou não, considerado como “investimento bom”. Ou seja, a nossa preocupação é de captar empresas com elevado respeito pelos seus colaboradores, pelo ambiente e que sejam capazes de gerar uma mais valia para o território. Pretendemos atrair investimentos que estejam estrategicamente alinhados com a nossa premissa de que a Maia é o melhor local para se viver, trabalhar e investir.

A câmara irá criar novos polos empresariais. Quais e onde? Surgem como resposta a procura por parte de empresas ou o município está a atuar de forma proativa face às tendências de mercado?

A Câmara Municipal da Maia encontra-se já a desenvolver o Loteamento de Iniciativa Municipal no aeródromo de Vilar de Luz. Esta Área de Acolhimento Empresarial será a primeira a ser desenvolvida ao abrigo do Sistema da Indústria Responsável criando-se assim uma Zona Empresarial Responsável.

Na prática, será a Câmara Municipal da Maia a definir um conjunto de premissas para o tipo de negócios a instalar neste local, desenvolvendo todos os procedimentos necessários para a legalização do espaço para receber investimentos nas áreas definidas. Assim que estiver concluído esse processo, qualquer empresa que se pretenda instalar neste local, pode fazê-lo quase de imediato, não tendo que passar por parte dos procedimentos de licenciamento habituais por estarem, já, assegurados pelo loteamento em si.

Por outro lado, esta Área de Acolhimento Empresarial destacar-se-á ainda pelo facto de ser a primeira com um modelo de gestão condominial. Com este modelo de gestão, pretendemos libertar as empresas das tarefas mais rotineiras e que não fazem parte do seu ‘core business’, por forma a que se possam concentrar em pleno no desenvolvimento das suas atividades. Acreditamos que, a prazo, este modelo de gestão deverá ser implementado em todas as áreas de acolhimento empresarial.

Angélica Santos