Colóquio de evocação a Vergílio Ferreira pela Comunidade de Leitores

A Biblioteca Municipal da Maia recebeu um colóquio em forma de evocação a Vergílio Ferreira, no último sábado, 11, promovido pela Comunidade de Leitores, na sequência de uma outra homenagem ao escritor levada a efeito em janeiro de 2016, no mês em que se assinalava o centésimo aniversário do seu nascimento.

Lançaram-se aí os alicerces para esta organização evocativa de uma figura marcante da intelectualidade portuguesa, professor prestigiado e escritor plurifacetado.

Havia a convicção de que a obra de Vergílio Ferreira, trabalhada em ambiente académico, tinha-se vindo a afastar gradualmente do convívio com os leitores, corporizando assim o que poderíamos considerar uma segunda morte do escritor. O contributo de uma Comunidade de Leitores é, a esse nível, singular e prático: reatualizar o contacto com a obra, lendo os seus livros.

Este evento constituiu, a este nível, uma oportunidade para os leitores e demais interessados (re)contactarem com o espírito e obra do autor, natural de Gouveia.

Pretendeu-se ainda que o colóquio se assumisse como um momento de contacto e partilha entre o universo académico e os leitores, como forma de “alargar os horizontes de interpretação a partir de contributos pluridisciplinares”, de acordo com a organização, liderada pelo coordenador Jorge Moreira da Silva.

O programa dividiu-se por quatro eixos fundamentais: comunicações apresentadas por oradores convidados; apresentação do nº 18 da Revista Nova Águia onde Vergílio Ferreira é destacado; Jantar Literário com declamação de poesia vergiliana; e visionamento do filme “Manhã Submersa”.

O sábado contou com uma jornada intensa em prol da literatura, tendo a adesão do público sido “fantástica superando as expectativas da organização: participaram 72 pessoas”.

Comunicações sobre diferentes aspetos da obra do escritor

As comunicações dos oradores convidados abordaram diferentes aspetos da obra e pessoa de Vergílio Ferreira. Isabel Cristina Rodrigues apresentou a comunicação “Himalaia, sílaba sentida: Vergílio Ferreira e a poética da distância”. Isabel Rio Novo, debruçou-se sobre “manhã Submersa, romance de Vergílio Ferreira e filme de Lauro António: um caso de adaptação”. Já a comunicação de Jorge Bastos da Silva referiu-se a “Alegrias Breves ou Do Primeiro e do Último Homem”.

A abrir a segunda mesa de comunicações, Celeste Natário discorreu sobre “O silêncio de Até ao fim”. Já Jorge Costa Lopes partilhou com os presentes “Na tua face de Vergílio Ferreira: uma memória terna de azul no tempo do feio”. A fechar, Renato Epifânio apresentou a revista “Nova Águia”.

Jantar Literário com poemas antecedeu o filme “Manhã Submersa”

O público foi parte bem ativa da iniciativa, tendo gerado troca de informações e colocado em debate questões sobre temas como a distância entre o estatuto do narrador e o estatuto da personagem na obra de Vergílio; o diálogo entre as linguagens fílmica e literária e a relação entre o escritor e o realizador na execução do filme “Manhã Submersa”; a reflexão existencialista sobre a condição humana; a importância da dor nas preocupações literárias do autor; a importância da filosofia na sua obra; a abordagem da reflexão estética.

Antes do momento cinematográfico aconteceu o Jantar Literário, onde a ementa incluiu a leitura de 17 poemas do autor, como aperitivo para o filme “Manhã Submersa”.

Ao longo do dia, os participantes puderam ainda apreciar a exposição na Biblioteca da Maia, em aprceria com a Biblioteca Municipal de Ponte de Lima, sobre Vergílio Ferreira. Esta mostra continuará patente ao público até ao dia 26.

Angélica Santos