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Genética Médica com Miguel Leão foi um sucesso junto dos estudantes

A palestra sobre “Genética Médica” marcou o final do segundo período, na Escola Secundária da Maia, no passado dia 29. Foi um evento interessante, pautado pela surpresa dos presentes, face à temática apresentada, normalmente direcionada para um público específico, da área da Biologia.

O espanto inicial, porém, depressa deu lugar a uma curiosidade atenta, à medida que o saber e a experiência do palestrante, Miguel Leão, neuropediatra e geneticista, foi revelando o fascínio do tema.

A comunicação iniciou-se com a alusão à figura de Gregor Mendel, monge agostiniano que viveu no final do século XIX e que, através de um estudo com ervilhas, desenvolveu as bases nas quais assenta, ainda hoje, a ciência genética, a ele se tendo ficado a dever, em 1865, a descoberta das leis de hereditariedade.

Contextualizado o tema, o orador seguiu a sua apresentação em três etapas: a genética em geral, a definição técnico-científica de genética e a genética médica.

Na primeira parte, distinguiu o diferente tipo de doenças, a saber: as genéticas, as humanas e as resultantes do meio.

Os alunos tiveram, então, a oportunidade de tomar contacto ou de consolidar os seus conhecimentos, sobre inúmeras questões, tais como: o que é o genótipo e o fenótipo; o que é um gene, quais são os genes de cada um e o que são traços genéticos; de que é feito o ADN, qual a sua estrutura e como se reproduz; qual a função dos nucleótidos e a das proteínas, entre outros.

A última questão, atinente ao papel desempenhado pelas proteínas na genética humana, foi motivo de particular interesse por parte dos alunos, surpresos por terem descoberto, por exemplo, que é determinante para que tenhamos cabelos lisos ou encaracolados, a influência de uma proteína; o mesmo acontecendo com as nossas demais caraterísticas físicas.

A segunda parte da comunicação, dedicada ao desenvolvimento das células, foi aproveitada para fornecer várias notas referentes à história da genética, tendo os alunos considerado mais interessante, nesta fase, o modo como os pais transmitem os genes aos filhos e como as células sexuais formam novos indivíduos. A curiosidade que gerou maior estupefação entre a assistência, foi a revelação de que o ADN contido nas células de um corpo humano, se fosse “desenrolado”, chegaria para cobrir uma distância 6000 vezes superior à distância da Terra à Lua.

Na terceira e última parte foi explicado o conceito de “mutações” e abordadas as suas consequências, tendo sido lançada a questão para reflexão: “Se as mutações são prejudiciais, por que é que elas existem?”
Foi explicado que apesar de Alzheimer ser uma doença genética terá, na sua origem, uma combinação de fatores ambientais e genéticos. E também o cancro é causado pela conjugação de certas mutações genéticas e determinados fatores ambientais.

Não é, pois, difícil de compreender que os participantes tivessem sentido vontade de prolongar a palestra que, a ponto de ter sido a contragosto do auditório que se deu por concluída.

Redação com Eunice Neves