CDS Maia debateu o pós-Troika

O antigo edifício da Junta de Freguesia da Maia, recebeu no passado dia 3 de Abril, aquele que foi o primeiro debate organizado pela atual Comissão Política do CDS Maia.

Seis anos após o pedido de resgate, estará Portugal realmente melhor? Esta foi a questão que serviu de ponto de partida para um debate que visou três perspetivas diferentes: a política, a económica e a social.

Meireles, deputada e vice-presidente do CDS, Luís Aguiar-Conraria, Professor de Economia da Universidade do Minho, e António Tavares, Provedor da Misericórdia do Porto, foram as personalidades desafiadas perante uma vasta audiência.

Cecília Meireles, encarregue da perspetiva mais política do debate, centrou a sua análise no real crescimento do país e na fórmula para esse fim, nunca esquecendo que a solução de Governo atual é frágil e cobra um preço bastante alto, nomeadamente ao Partido Socialista. Nas suas palavras, “o Estado continua a ser demasiado grande e continua a calcar, em muitos setores, dinâmicas e iniciativas que são essenciais para a criação de oportunidades. Oportunidades essas que nos fariam crescer em valor sustentado”.

Já na opinião de António Tavares, “Portugal não está melhor, está sim diferente”. Para o Provedor da Misericórdia do Porto, continuam a existir grandes diferenças entre o interior e o litoral num país em que cerca de 20% da população empregada é considerada, pelos seus rendimentos, pobre. Nas suas palavras, “é urgente um novo modelo de financiamento do Estado Social” usando para isso como exemplo o envelhecimento da população, que trará cada vez mais custos ao Serviço Nacional de Saúde. O Provedor deixou ainda um alerta que o Estado continua a ser um grande devedor às IPSS.

A análise económica ficou a cargo de Luís Aguiar-Conraria, que começou por explicar que “muitos dos problemas que levaram ao resgate de 2011, tinham já sido identificados uma dezena de anos antes em relatórios do FMI”. Na sua opinião, Portugal deixou de registar valores significativos de crescimento em 2000 depois de uma década, no Cavaquismo, em que “tínhamos números de crescimento asiáticos, o que levou a muita ilusão e devaneio no investimento público”.

Para o Professor de Economia, as empresas ainda registam diversas dificuldades no acesso ao crédito sendo que o ponto mais positivo da entrada da Troika em 2011 foi a introdução de uma maior flexibilização laboral. Digno de nota é ainda o elogio de Aguiar-Conraria à seriedade com que o CDS Maia quis debater estas questões sendo ele uma pessoa “mais à esquerda”.

No espaço de debate aberto a todos os participantes na iniciativa, foram deixadas breves reflexões sobre, por exemplo, a entrada dos jovens no mercado de trabalho, a carga fiscal sobre os rendimentos e os desafios políticos que sustentam o atual Governo.

“Este momento permitiu assim cumprir mais uma das promessas desta equipa aquando a sua tomada de posse, em Janeiro de 2016. Entende esta Comissão Política que uma das melhores formas dos partidos se abrirem à sociedade civil é proporcionar espaços abertos de debate e reflexão com personalidades dos mais diversos posicionamentos políticos”, referem os dirigentes do CDS Maia.