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“Estamos no tempo de outra economia, que requer outra gestão”

Otimismo moderado e outra mentalidade na gestão, que dê o passo essencial de tornar as empresas competitivas face ao mercado global, foram duas das mensagens essenciais que Daniel Bessa transmitiu à plateia da conferência, na Maia.

O economista Daniel Bessa participou na conferência “Reinventar a Gestão”, na última quinta-feira, dia 30 de março, no salão nobre, organizada pela AEM – Associação Empresarial da Maia e Câmara Municipal da Maia e promovida por EF Consulting e Mistura Singular capital SA. O evento contou ainda com uma mesa redonda em que participaram, além de Bessa, Carlos Palhares, CEO Mecwide, Carlos Santos, CEO Frato, e Filipe Azevedo, administrador Lucios.

Daniel Bessa afirmou que as atenções dos governos têm-se centrado muito no mercado interno e precisamos de ter outra perspetiva, uma visão mais global e fazer o diagnóstico de onde temos que ir buscar meios e recursos para “criar valor” nas nossas empresas. Só assim é que a economia portuguesa poderá crescer de facto.

O economista referiu que se se tem registado um aumento do número das exportações, mas desmontando esses valores, a verdade é que “há muitas empresas no vermelho”. Por um lado, explicou, “20% dos 70 mil milhões das exportações foram desviados do mercado interno, pois já não havia mercado e as empresas tiveram que exportar para sobreviver”. No entanto, esse esforço e a logística da internacionalização teve custos.

O Professor lembra que desde “a anterior geringonça de Passos Coelho com Paulo Portas” que as exportações aumentaram, mas o “investimento não surgiu e ainda não surgiu”. Assim, lembrou que é preciso “criar valor”, ter uma gestão eficiente e competitiva para conseguir que as empresas portuguesas cresçam.

Problemas de gestão

Para Daniel Bessa, o ponto fulcral nas PME e na dificuldade de crescimento tem a ver com “problemas de gestão”, salientando que em Portugal “a grande escola de gestão empresarial é a Sonae”. Foi da empresa de Belmiro de Azevedo que saíram grandes gestores, “gente que tinha grandes responsabilidades e autonomia na decisão, que geria o seu núcleo de negócio” e vingou na área, criando depois as seus próprias empresas. É notório, de acordo, com Daniel Bessa, que a “robustez” das empresas nasce, em grande parte, da “capacidade de gestão”.

“A relação da gestão com a adaptação, é um tema fundamental, que atinge o auge face aos dias que temos pela frente, de grande incerteza”, acrescentou Bessa, fazendo a analogia com a biologia, “na natureza quem sobrevive? Não é quem é o maior ou mais forte, é aquele que melhor se adapta ao meio”.
Terminou afirmando “estamos no tempo de outra economia, que requer outra gestão”.

Reinvenção passa pela gestão inteligente

Na apresentação da conferência e do convidado, o vice presidente da Câmara da Maia, António Tiago também defendeu esta noção de adaptabilidade e inovação necessárias às empresas: “As empresas de hoje, precisam de ser adaptáveis, inovadoras, inspiradoras, sustentáveis e socialmente responsáveis. Estou convicto que a reinvenção da gestão terá de passar, para além de outros fatores, pela gestão inteligente de talentos técnicos e competências múltiplas. Talentos que serão tanto mais úteis e produtivos, quanto mais oportunidades tiverem, no seio das suas empresas, para serem empreendedores, criativos, profissionalmente realizados e pessoalmente felizes”.

Potencial humano

O autarca acrescentou ainda que perante “o ambiente económico de hoje, ferozmente competitivo, criativo e, não raras vezes, mesmo disruptivo”, os gestores são remetidos para a “necessidade de despertar e alavancar o potencial humano, inspirando e desafiando os seus colaboradores, no sentido de contribuir também com a sua imaginação, iniciativa e paixão”.

Para que se consiga alcançar este objetivo torna-se importante, frisou, “o recurso às tecnologias digitais, móveis e sociais, imprescindíveis à máxima rentabilização dessa preciosa pool de talento num mundo globalizado onde os conceitos de tempo, de distância e de fronteiras obedecem agora a um novo paradigma”.


Angélica Santos