Joaquim de Matos Pinheiro lança romance “Cinzas de Abril”

Dois livros do escritor maiato Joaquim de Matos Pinheiro vão ser editados no Brasil no segundo semestre de 2017. Uma dessas obras, o romance “Depois de eu morrer todos os dias são meus”, foi lançada na Maia em 2015 e tem sido um grande sucesso, em Portugal. Por sua vez, o romance “Cinzas de Abril” foi apresentado na Maia, no último mês de fevereiro, no salão nobre da Junta de Freguesia Cidade da Maia.

Sérgio Silva Pinto, presidente da Associação de Pais EB1/JI D. Manuel II, fez a apresentação da obra e autor, sendo que parte da receita da venda do livro reverteu a favor da associação de pais.

Fomos ao encontro de Joaquim de Matos Pinheiro para descobrir que apesar de serem obras de ficção, os seus romances entroncam sempre em episódios verídicos.

Quem é e quando surgiu o Joaquim de Matos Pinheiro no mundo da escrita?

Respondo a esta pergunta em dois planos, começando por dizer que sou um economista que exerceu ao longo de muitos anos funções executivas em grandes empresas nacionais e estrangeiras, em Portugal, em Angola e no Brasil, e que, a par dessa exigente atividade profissional, sempre se dedicou à escrita.

Depois, dizendo que escrevo desde muito novo: tinha quinze anos quando comecei a colaborar no jornal “Notícias de Serpa” (minha terra natal). Com o passar dos anos passei a colaborar regularmente com importantes órgãos de comunicação social em Portugal e lá fora, com destaque para os jornais “O Comércio” e o “ABC”, ambos de Luanda; o “Diário de Notícias”, de Lisboa; ou o “Estado de Minas” e o “Estado de São Paulo”, no Brasil, entre outros. E é isso que ainda faço.

A minha atividade como escritor também começou cedo, com a publicação do livro “No Centenário de Romain Rolland – Crónicas de Autores Portugueses” (em coautoria), que foi publicado em 1967. Depois dessa obra inicial publiquei outros livros. Em poesia: África, Poemas” e “O Elo e a Corrente”. Em monografia: “Manuel de Oliveira – Um Português na Venezuela”. Em prosa: os romances “Os Areais do Vento”, “Dias de Inverno”, “O Segredo do Teatro Baquet”, “Depois de eu morrer todos os dias são meus” e “Cinzas de Abril”.

Como surgiu a oportunidade de edição de dois livros no Brasil?

Esta oportunidade resultou do convite que me foi feito para apresentar a minha obra literária num evento que está previsto para Outubro deste ano, na cidade de São Paulo.

O facto de os meus livros “Depois de eu morrer todos os dias são meus” e “Cinzas de Abril” consagrarem parte do seu enredo a episódios localizados no Brasil foi determinante para que a minha editora (que também está presente nesse país) apostasse no lançamento destes meus dois livros no Brasil.

Como funciona o seu processo criativo?

A conceção e desenvolvimento dos meus livros (em prosa) começa quase sempre com a escolha de um tema que, por alguma razão, cativa o meu interesse.

É inegável que temas relacionados com a história recente do nosso país, designadamente com a descolonização e com outras convulsões sociais que têm afetado a vida dos portugueses ao longo das últimas décadas, me são particularmente caros. Por isso, apesar de serem obras de ficção, os meus romances entroncam sempre em episódios verídicos e os meus personagens interagem regularmente com personalidades reais, de molde a reforçar o nexo entre a realidade e o imaginário que percorre as minhas histórias.

É claro que este é um trabalho que me exige sempre um extenso tempo e empenho de pesquisa, com recurso às mais diversas fontes históricas a que procuro aceder, em Portugal e no exterior.

Sente que escrever e que o livro não são causas perdidas como alguns têm vaticinado nos últimos anos?

De forma alguma! Nem o ato de escrever nem o livro são causas perdidas! Escrever – e refiro-me a escrever ficção – é um exercício nobre, que implica sempre uma reflexão séria sobre o ser humano e sobre as relações que homens e mulheres estabelecem entre si e com a natureza e a sociedade envolventes.

É à obra dos grandes escritores – desde a antiguidade até aos mais modernos – que ainda hoje continuamos a recorrer para colher inspiração, para compreender os fenómenos que caracterizam a vida de todos nós, ou para interpretar os sucessos e os insucessos com que nos confrontamos em cada dia.

Além disso, ler é sempre um prazer, que muito nos enriquece, e uma riqueza como essa não pode ser desperdiçada!
Assim, o livro não é e não será nunca uma causa perdida. A prazo, pode o livro em papel ceder algum espaço ao livro eletrónico. Mas, mesmo assim, é sempre o livro que permanecerá. Para bem da Humanidade.

Angélica Santos