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Maia quer mais proximidade com a Galiza

A Maia privilegia a relação com a Galiza, no quadro da associação Eixo Atlântico. Há dossiês conjuntos, designadamente entre o município da Maia e a Fundação Luso-Galaica. O vereador Paulo Ramalho tem sido um dos interlocutores com esta fundação.

O vereador das Relações Internacionais da Câmara da Maia, Paulo Ramalho, tem mantido contactos com a Fundação Luso-Galaica. Recentemente recebeu os elementos da instituição nos Paços do Concelho, onde analisou alguns dos principais temas em agenda para a ação desta região.

Paulo Ramalho esclareceu que “as relações institucionais e de cooperação entre a Maia e a Galiza concretizam-se hoje, preferencialmente, no quadro da associação transfronteiriça Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, de que fazem parte 38 municípios da Galiza e do Norte de Portugal, e a que a Maia aderiu no final de 2014.

Este é, nesta altura, o espaço privilegiado de discussão dos grandes assuntos da Euro-Região, onde a Maia participa de forma ativa, como ainda aconteceu na assembleia geral, que decorreu em Lugo, no passado dia 15 de fevereiro.

E de resto, assim tem acontecido no âmbito dos mais diversos dossiês de interesse para a Euro-Região, como é o caso da construção da ‘Agenda Urbana’, que é um instrumento estratégico que pretende contribuir para a melhoria da sustentabilidade e competitividade das cidades que integram o Eixo, e que vai ser apresentado em junho próximo, em Braga, por altura das comemorações do 25º aniversário desta associação transfronteiriça”.

Ações concretas a serem estudadas

No que respeita à relação do município da Maia com a Fundação Luso-Galaica, explica Paulo Ramalho, que se encontra ainda numa “fase embrionária, mas será sempre de natureza diferente, mais vocacionada para o estabelecimento de relações de cooperação que produzam ações concretas, designadamente nos domínios da cultura, desporto e economia, e em particular a nível do turismo, e preferencialmente, envolvendo instituições e empresas do nosso concelho”.

O autarca recorda que, recentemente, e a convite da Fundação Luso- Galaica, esteve presente, em representação da Maia, acompanhado do presidente da Junta de Freguesia do Castêlo da Maia, na “Expourense”, que é uma das maiores e mais antigas feiras de turismo e gastronomia da Galiza.

“Convite que envolveu também a participação da nossa Real Confraria Gastronómica das Cebolas. E recordo a participação de uma delegação da Fundação Luso-Galaica no Meeting de Eficiência Energética e Sustentabilidade Ambiental e Empresarial, que teve lugar em Gemunde, no passado mês de janeiro. E mais recentemente ainda, tivemos a presença da Confraria Gastronómica Luso-Galaica no Concurso Internacional de Cozinha, que decorreu no Castêlo da Maia, no passado dia 6 de abril”.

Por tudo isto, frisa o vereador, a Fundação Luso-Galaica será “seguramente mais um instrumento importante de aproximação e promoção da Maia à Galiza e vice-versa”.

Linha férrea entre Vigo e Porto é importante para as duas regiões

Uma via férrea entre Vigo e Porto é bem vista pelos autarcas da região, em particular, os da Maia. “Antes de mais, devo referir que uma ligação rápida por comboio entre Vigo e Porto, que assegurasse um fluxo célere de pessoas e bens seria naturalmente bom para a Galiza e para a região Norte de Portugal, e obviamente também para a Maia, nos mais diversos domínios.

Não podemos esquecer que a Galiza é um parceiro económico muito relevante da região Norte de Portugal, onde a Maia assume particular destaque, pela dimensão e diversidade do seu tecido empresarial, sendo o segundo município mais exportador da região”, considera Paulo Ramalho.

O vereador acrescenta que seria “absolutamente essencial para a consolidação do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, como a infraestutura aeroportuária internacional de referência da Euro-Região Norte de Portugal/Galiza”. É preciso não esquecer que, apesar da Galiza possuir três aeroportos no seu território, Vigo, Corunha e Santiago de Compostela, todos os dias muitos galegos procuram o aeroporto Francisco Sá Carneiro, que se situa precisamente na Maia, para as suas viagens, utilizando para o efeito o autocarro ou o automóvel, lembra Paulo Ramalho.

“O nosso aeroporto é claramente o melhor e maior do noroeste peninsular, pelo que estou certo, que o número de utilizadores galegos subiria claramente caso possuíssemos uma ligação ferroviária entre Vigo e Porto que não ultrapassasse os noventa minutos de viagem.

E todos reconhecemos hoje a importância do Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro no desenvolvimento da região, infraestrutura que tem crescido, de forma constante, tendo atingido já em 2016, os 9 milhões de passageiros”, afirmou.

Regiões têm sensibilizados os governos dos dois países

Questionado pelo Primeira Mão sobre que pressão as duas cidades podem fazer junto das administrações dos respetivos países, Ramalho assegura que este assunto tem sido muito discutido no âmbito do Eixo Atlântico, com diversas ações junto dos Governos espanhol e português.

“De tal forma que na Assembleia Geral do Eixo Atlântico realizada o ano passado, na Vila de Feira, o ministro Pedro Marques assumiu o compromisso por parte do Governo português, de concretizar a modernização da via férrea entre Porto e Vigo, até 2018.

Sendo que do lado espanhol, de concreto, apenas temos o compromisso anunciado pelo Secretário de Estado das Infraestruturas, Julio Gómez Pomar, na última Assembleia do Eixo, realizada em fevereiro, em Lugo, de que o Governo espanhol tudo estaria a fazer, em diálogo com o Governo português, para concretizar a pretendida ligação ferroviária, que também reconhece de grande importância…”

Angélica Santos