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Cooperativa agrícola promove qualidade dos produtores maiatos

Américo Soares está ligado à Cooperativa Agrícola da Maia há dez anos. Foi vice-presidente durante dois mandatos.

Nos últimos anos tem desempenhado a função de presidente da direção, encontrando-se já no segundo mandato, acompanhado de Fernando Martins e de António Lopes. Esta equipa conduziu a Cooperativa à modernização e proximidade a uma comunidade cada vez mais consciente da importância da agricultura e da qualidade dos produtos produzidos nas terras da Maia.

Américo Soares referiu ao Primeira Mão que uma das preocupações desta equipa foi melhorar a comunicação com o exterior e abrir ao máximo a Cooperativa à comunidade. Um grande salto nestes últimos anos e que contribuiu para o franco desenvolvimento da instituição e consequente dinamização de serviços junto dos associados foi a inauguração, em 2009, da nova sede, na rua Agra da Portela.

“Foram as maiores obras jamais feitas na Cooperativa, que modernizaram a instituição e contribuíram para uma maior abertura à comunidade. A Cooperativa encontra-se numa cidade moderna e também tem que acompanhar essa modernização para crescer e ter negócios mais vantajosos entre sócios e não sócios. Desde aí houve um grande salto na imagem e na faturação desta Cooperativa que já completou 40 anos”, recordou Américo Soares.

Feira Agrícola e Hortíssima são “montras” privilegiada da agricultura maiata

Um dos eventos que também ajudou a impulsionar a maior proximidade entre a Cooperativa e seus associados junto da comunidade maiata foi a Feira Agrícola (que vai para a 5ª edição) e a Hortíssima, que este ano vai concretizar a 2ª edição, de 1 a 5 de junho.

É importante ter este tipo de “montras”, em que os “produtores têm o seu espaço para exporem a tradição das casas agrícolas da Maia, colocando os seus legumes frescos aos olhos do consumidor”.

Diz Américo Soares que nota-se que “as pessoas que visitam o certame já têm saudades do cheiro dos legumes frescos, que, por vezes, não sentem nos supermercados, onde os legumes já são manuseados, por vezes, há dois ou três dias”.

O dirigente da Cooperativa alimenta a ideia de que em breve poderá ser possível apresentar um mercado de produtores no centro da cidade, pelo menos, uma vez por mês. O dia ideal seria ao domingo, em que as pessoas têm mais tempo para o lazer, defende.

Américo Soares avança que a Cooperativa vai apresentar uma novidade na Hortíssima deste ano, a presença de uma vaca. Na ocasião será possível desfrutar de produtos lácteos para “sublinhar a ideia de que o leite é um produto seguro e benéfico para a saúde”. Continua a ser um setor importante para a economia na Maia, com um núcleo de cerca de 40 produtores associados da Cooperativa.

Dezenas de agricultores expõem também os seus produtos e serviços na Mostra Agrícola, que intergra o programa das Festas do Concelho. No início, a forte componente era dos produtores de leite, sendo que, agora, já existem também muitos expositores de hortícolas e frutícolas, que são produções que já têm maior expressividade no concelho.

Licenciamento das explorações a bom ritmo na Maia

O presidente da Cooperativa recorda que, neste momento está a decorrer o processo de licenciamento de todas as explorações agrícolas. O prazo limite é 17 de julho deste ano.

“Ao contrário da maior parte dos concelhos que tiveram alguma dificuldade em se organizarem para tratar do licenciamento, o concelho da Maia vai ficar com todas as explorações, com condições para tal, devidamente licenciadas.

Este processo é importante no futuro para, essencialmente, a exploração estar identificada e ser possível fazer o rastreamento dos produtos que comercializa. Será algo importante para o produtor, mas também para o consumidor”, declarou Américo Soares.

E acrescentou que o “procedimento se encontra numa fase inicial de licenciamento em termos de Direção Geral de Veterinária, que estará concluída no próximo mês de junho, passando em seguida para a Câmara Municipal da Maia.

A Cooperativa tem tido contactos com a autarquia, especialmente com o vice presidente, Engº Tiago, que disponibilizou um gabinete específico de acompanhamento para acompanhar os agricultores com técnicos para proceder a este licenciamento. A Maia é um dos concelhos que está à frente neste aspeto”.

Cooperativa prepara a loja self-service

No que respeita aos serviços prestados pela Cooperativa aos associados, Américo Soares afirma com orgulho que é a “cooperativa da região de Entre Douro e Minho que pratica os preços mais baixos no fornecimento de produtos aos agricultores, fruto de uma política de gestão de preços muito rigorosa”.

Diz o presidente da Cooperativa da Maia que “todos os associados recebem no fim do ano 2% daquilo que pagam a pronto pagamento ao longo do ano; distribuímos sempre 40 mil euros por ano pelos sócios”.

A instituição vende produtos agrícolas a associados e público em geral e dá prioridade, nas compras, aos produtos dos sócios. A procura tem sido crescente e o público em geral, não associados, procura cada vez com mais frequência a cooperativa, assegura Américo Soares, que anuncia que este é um dos motivos para em breve abrir uma loja com sistema self-service, até porque nalgumas alturas registava-se algumas filas de espera para abastecer.

No próximo mês, a Cooperativa prevê realizar a inauguração de uma loja moderna adaptada ao meio urbano em que estamos inseridos.

Nesta nova loja haverá toda a série de bricolage de jardins e pequenas hortas, pequenos animais e aves, equipamentos para quem pretende trabalhar num pequeno pedaço de terra e uma parte também da área alimentar noutra área do espaço.

Também estará disponível apoio técnico e gratuito que poderá acompanhar as pessoas nos seus trabalhos, podendo mesmo ir a casa dos clientes.

Crise no leite deu lugar a nicho na produção frutícola

Este “novo nicho de produção agrícola surgiu na Maia nos últimos 10 anos”, com o declínio da produção leiteira que se verificou desde então.

“Temos grandes produções de leite com alguma dimensão e tecnologia avançada, mas algumas das produções mais pequenas não conseguiram continuar a produzir e as pessoas tiveram que se adaptar, enveredando pelos hortícolas.

Acontece ainda que alguns jovens, fruto da dificuldade de empregos, e que dispõem de algumas terras, que eram dos pais, resolveram avançar para produções de mirtilos ou morangos, já que 1 ou 2 hectares pode ser pouca área para produção de leite, mas já dá para receber produção frutícola”.

Este “nicho de mercado” tem condições está em crescimento e Américo Soares afirma que “estamos em condições para garantir que temos uma agricultura ativa, com alguma dimensão.

Na Maia existe um grupo de agricultores de excelente qualidade. Além de que temos terras excelentes, temos produtores de excelência e temos um leque variado de bons produtos desde o leite, aos hortícolas, e agora com a produção de kiwi, mirtilos, framboesas e cogumelos com um sabor muito mais apurado”.

Universo da Cooperativa da Maia

Funcionários: 15

Associados da Cooperativa: 700

Produtores de Leite: 40

Nível de produção de leite: 5 Milhões de euros

Serviços da Cooperativa

. candidaturas aos subsídios das explorações
. sanidade animnal
. inseminação artificial
. formação profissional
. palestras/visitas técnicas
. análises laboratoriais

Angélica Santos