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“Câmara não deve estar em jogo e apenas fazer as obras nos espaços físicos”

A candidatura de Francisco Vieira de Carvalho reuniu especialistas ligados à área do Desporto para ajudar a delinear estratégias de desenvolvimento para o concelho, nos próximos quatro anos. Todos concordaram que é um tema fundamental, quer para o bem-estar dos cidadãos, quer para o fomento de toda a atividade económica subjacente. Os métodos e as políticas implementadas é que podem divergir.

À mesma mesa, além de Francisco Vieira de Carvalho, estiveram Manuel Brito, presidente de ética do Comité Olímpico de Portugal e com experiência como autarca na Câmara de Lisboa; Ni Amorim, presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), e João Paulo Rebelo, o secretário de Estado da Juventude e Desporto. A conversa, que decorreu na Junta de Freguesia de Barca, na última sexta-feira, dia 30, foi moderada por Aníbal Styliano, formador, treinador e comentador desportivo.

Desporto deve fazer-se nas escolas e nos clubes

A linha de pensamento defendida por Manuel Brito e que viria a ser apoiada pelos restantes intervenientes, é de que “só há dois locais adequados para fazer Desporto, a escola e os clubes. A Câmara não faz Desporto, antes apoia, subsidia e estimula. Não se pode substituir a um clube”.

Este orador lembrou que o Desporto é “um fenómeno social total” e é também “um fenómeno económico crescente”. Acima de tudo, todos os gestores e políticos devem ter em linha de conta que o Desporto “é considerado um contributo para os objetivos estratégicos de solidariedade e prosperidade da União Europeia”, além de ser visto como um “fator de contributo para a paz e compreensão entre povos”.

Motor da economia

Por outro lado, Manuel Brito sublinhou que, nestes últimos anos de crise, em que “o setor imobiliário foi à vida, está provado que o setor do Desporto foi aquele que se aguentou melhor”. O Desporto é um importante “motor de inovação, basta ver aquilo que usamos no dia a dia, como peças de automóveis ou fibras no vestuário, que começou por ser estudado no Desporto e só depois adaptado ao quotidiano.

É que no Desporto procuramos sempre a excelência, pelo que toda a indústria procura adaptar-se a estes objetivos”. E o exemplo disso mesmo é que “no Reino Unido, o Desporto está entre as quinze principais indústrias, à frente até das telecomunicações”, frisou.

Assim, e socorrendo-se de um estudo do IPJ/INE, Brito afirmou que, “Portugal registou 1,4% de emprego e a UE tem 2,2%, então aparentemente ainda temos possibilidade de crescimento de cerca de 1%. E em Portugal o Desporto já tem uma dimensão semelhante ou até superior à indústria do papel/cartão, superando a informática, imobiliário e as telecomunicações”. Então o orador questiona: “porque não se liga mais a isto?”

Política desportiva “integrada e integradora”

Perante estes factos, Manuel Brito deixou algumas dicas para a gestão autárquica, apontando que a política desportiva tem que ser “integrada e integradora”, reforçando o papel da escola na formação desportiva, cabendo às autarquias a articulação com o desporto escolar e federado. Ainda a reter o conselho do professor de que uma política autárquica deve ter no seu centro o praticante.

Ni Amorim reforçou a importância que o desporto automóvel tem no Turismo, sendo que as provas em Portugal têm “mais impacto no estrangeiro”. O automobilismo “tem vindo a crescer em adeptos e provas federadas” e deve ser incentivado, defendeu.

Já João Paulo Rebelo mostrou preocupação com os dados que indicam que há um “aumento da inatividade física em especial nos jovens, sendo que o sedentarismo é o sétimo fator de risco para a saúde nos países desenvolvidos”. O secretário de Estado lembrou que o Desporto deve ser visto como um importante instrumento para atenuar problemas sociais e que tem também um grande impacto na economia e no emprego.

64% dos portugueses não tem hábitos de atividade física

É urgente mudar o atual estado de coisas, em que “64% dos portugueses não tem hábitos de atividade física, apenas 20% diz que a fazem com regularidade”, afirmou o governante, que também chamou a atenção dos gestores nesta área para a “articulação de recursos”. Aqui, disse, “as autarquias têm um papel fundamental”.

Por fim, o candidato da coligação PS/JPP mostrou-se favorável à ideia de que “a Câmara não deve estar em jogo e apenas fazer as obras nos espaços físicos. Depois deve entregar os equipamentos a quem sabe gerir”, dando como exemplo os clubes e associações, que “com tão pouco conseguem fazer mais e melhor” do que a Câmara, “são os gestores voluntários que tanto se entregam aos jovens”.

A Câmara, por seu lado, sublinhou Francisco Vieira de Carvalho, pode apostar em realizar “grandes eventos, mas é preciso ter espaços físicos para os acolher”.

Angélica Santos