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Europa mais solidária e mais eficaz

O município da Maia acolheu, no passado dia 28 de junho, o debate “Que soluções para (esta) Europa?”, na Sala D. Pedro IV dos Paços do Concelho.

O debate procurou estabelecer linhas de pensamento para a reflexão sobre a Europa e o rumo a dar “ao sonho Europeu nascido com o objetivo de estabelecer a paz no continente europeu”, como sublinhou um dos convidados, Silva Peneda, ex-Conselheiro do presidente da Comissão Europeia e ex-presidente do Conselho Económico e Social.

Este evento contou ainda com o convidado José da Cunha Costa, presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo e membro do Comité das Regiões e nele marcaram também presença Bragança Fernandes, presidente da Câmara Municipal da Maia e membro do Comité das Regiões, de Paulo Ramalho, vereador de Relações Internacionais da Câmara da Maia e do Prof. Campos Neves. A moderação esteve a cargo de Pedro Ivo, subdiretor Jornal de Notícias.

“A Europa reagiu mais do que comandou”

Para Silva Peneda são claros os aspetos que ameaçam o sonho da génese da União Europeia (UE): terrorismo, falta de crescimento económico, refugiados, brexit, crise bancária, desemprego. Um dos motivos por que não se saiu ainda desta crise de valores é, diz Silva Peneda, “porque ainda não se discutiram soluções com base comum” e porque “a Europa reagiu mais do que comandou”.

O orador referiu que a UE precisa de “adotar medidas a médio prazo, reforçar a sua capacidade de resiliência e aumentar os valores da solidariedade, uma tarefa hercúlea”.

Para Silva Peneda, para vencer as desigualdades entre países agravadas com a criação da moeda única, é preciso uma verdadeira “união fiscal”.

E, por outro lado, “o futuro da UE vai depender muito do que a Alemanha quiser para o seu futuro, a ver vamos se teremos uma Alemanha mais europeísta ou uma UE mais alemã”.

“As decisões na Europa são lentas”

José da Cunha Costa queixa-se que “as decisões na Europa são lentas e é preciso mais eficácia nas suas decisões”. É compreensível, diz o autarca de Viana do Castelo, “compatibilizar 27 líderes a uma mesma mesa sem que todos falem a mesma língua, há um problema de governança na UE”.

Que papel pode ter Portugal neste clima de indefinição? De acordo com este membro do Comité das Regiões, “os países que possam ter algum papel importante a lançar temas para debate podem ter um papel muito importante nesta janela de oportunidades”.

José da Cunha Costa preconiza um “aprofundamento” da Europa, que deve orientar-se pela “coesão”. E o orador sublinhou que é positivo que “num dos últimos plenários já tenha sido debatido o eixo da coesão” e que “o novo documento que o parlamento europeu elaborou para preparar o novo período de programação fale nisso mesmo”.

É ainda de salientar que houve alguma discordância quanto à forma de evolução da UE, com Paulo Ramalho a defender uma verdadeira União com os países a avançarem a uma mesma velocidade, enquanto Silva Peneda foi convicto: “a Europa nunca será igual”.

Assim, cada país deverá assumir as suas diferenças e a UE terá que avançar a velocidades diferentes, nunca deixando de haver um princípio de solidariedade e entreajuda entre os países, foi a ideia defendida por Silva Peneda.

Angélica Santos