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“Tudo farei para que na Maia, através de uma educação de excelência, façamos o caminho de consolidação de uma massa crítica capaz de alavancar o nosso desenvolvimento coletivo”

António Tiago

Após a apresentação oficial da candidatura “Maia Em Primeiro”, o Primeira Mão ouviu o candidato à Câmara (PSD/CDS), António Silva Tiago.

O que o motiva a querer abraçar o objetivo da presidência da Câmara da Maia?

Os tempos que vivemos são muito exigentes. E na verdade, sinto que os maiatos se habituaram a níveis de desenvolvimento e qualidade de vida, a que temos de dar sustentabilidade integral e incrementar.

Nesse sentido, penso que poderei ser útil à minha comunidade e aos meus conterrâneos. E por isso, como se costuma dizer, cá estou para servir em primeiro os maiatos e a Maia. Era um imperativo de consciência, um chamamento a que tinha que dizer presente…

A candidatura Maia Em Primeiro é uma continuidade do trabalho desta equipa que tem sido liderada por Bragança Fernandes, ou os maiatos podem contar com novidades de fundo?

Nunca fui um revolucionário, naquele sentido clássico da expressão. Mas sou, sem sombra de dúvida, um evolucionário. E sendo assim, é da minha natureza conservar o que está bem, o que serve bem as pessoas, o que funciona e é útil à comunidade.

É claro que na minha condição de evolucionário, tenho sempre em mente projetos e ideias para melhorar e desenvolver tudo quanto existia antes.

Mas quem me conhece sabe bem que foi sempre e será sempre esse o meu registo, impulsionar tudo aquilo em que posso dar o meu contributo pessoal, para fazer evoluir as coisas.

É da minha natureza só prometer o que tenho condições de cumprir.

Afirmou na apresentação da sua candidatura que uma educação de excelência é uma das suas prioridades. O que o leva a adotar esta prioridade?

A meu ver, a globalização, basicamente, veio valorizar a diferenciação, resultando daí uma clara vantagem para quem percebe o que distingue as coisas únicas, especiais ou dificilmente repetíveis, tudo fatores que dependem sobretudo do talento e da inovação.

Precisamos de criar condições para que as nossas crianças e jovens desenvolvam as suas habilidades criativas e potenciem a sua imaginação, quer dizer, melhorem os seus talentos inovadores, ou seja, se tornem verdadeiros empreendedores capacitados para transformar ideias interessantes e com potencial de realização, em projetos ou mesmo em coisas concretas, se possível, especiais e diferentes.

Vou dedicar-me e tudo fazer para que na Maia, as nossas crianças e jovens, possam ter acesso a um programa que lhes proporcione esta capacitação.

Penso que a par dos programas do ensino formal, tutelado pelo Ministério da Educação, será possível complementar esse ensino, no âmbito das atividades extra curriculares, vulgo AEC’s, com uma atividade regular que estimule as habilidades criativas e a apetência para a iniciativa própria da idade.

Iremos criar um grupo de trabalho que estude, conceba e promova um programa com esta finalidade de desenvolver a energia criativa com que os mais novos chegam à escola, mas que o sistema de ensino não consegue valorizar e potenciar como devia.

Uma educação de excelência é para mim muito mais do que um objetivo estratégico ou um desígnio de toda a comunidade, porque sendo tudo isso, é principalmente um caminho. Um caminho para desenvolver talentos e para chegarmos o mais longe possível neste mundo globalizado e ferozmente competitivo, no qual será mais fácil vencer e ter sucesso, pela diferenciação.

Tudo farei, para que na Maia, através de uma educação de excelência, façamos o caminho de consolidação de uma massa crítica capaz de alavancar o nosso desenvolvimento coletivo. Será esse caminho que nos tornará mais eficientes, mais ousados e inovadores e principalmente mais competitivos.

Devo dizer-lhe que acredito que este é o caminho, não só para a Maia, mas também para Portugal, enquanto país periférico e com uma economia frágil que não lhe permite afirmar-se e competir globalmente, sem trilhar este caminho de educação de excelência que potencie o talento criativo e inovador que nos diferencie. Diria até que este não é um caminho, é o caminho…

Também aludiu no seu discurso de apresentação, à coesão social. O que tem em mente?

No que respeita à coesão social, o nosso foco será a inclusão e a erradicação das desigualdades sociais, promovendo dentro das possibilidades e competências do município, uma justa redistribuição da riqueza.

Claro que para que possamos fazer isso com sustentabilidade integral, teremos de cuidar da promoção da Maia como um território de oportunidades, atraindo investimento produtivo que gere emprego duradouro e sustentável e produza riqueza. Riqueza que será essencial para a nossa aposta na coesão social.

Pode esclarecer-nos porque considera a sustentabilidade integral um vetor da sua visão estratégica?

Permita-me antes de mais que diga de forma muito simples o que é para mim ter visão estratégica. Na verdade é ter um rumo, sabendo de onde partimos e para onde queremos ir, tendo metas e objetivos muito bem definidos para conduzir os destinos da nossa comunidade.

Conduzir a comunidade com os pés bem assentes em chão firme, quer dizer, sabendo como, quando e com que meios podemos chegar onde todos nós, maiatos, desejamos chegar.

Sustentabilidade integral é a visão estratégica e integradora de todas as dimensões da nossa vida coletiva, que envolve as políticas ambientais, a regulação da interação humana com o nosso território e o consequente planeamento e ordenamento urbanístico, as opções pela eficiência energética e o primado da economia circular.

Alcançar o desiderato da sustentabilidade integral, a nível ambiental, humano, social e económico é uma missão exigente.

Exige antes de mais, conhecimento, estudo, planeamento e clareza de pensamento estratégico, a que se segue igualmente uma grande exigência de rigor na aplicação de políticas adequadas e focadas nesse objetivo crucial da sustentabilidade integral, o que requer essencialmente, uma boa capacitação para a liderança política.

Quando nos sentamos a presidir a uma reunião na qual temos de tomar decisões com impacto na vida das pessoas da nossa comunidade, é preciso saber com alguma profundidade que implicações essas decisões irão acarretar, é preciso estar preparado para coordenar e articular tudo muito bem, para que os resultados sejam aqueles que as pessoas esperam, no interesse geral e em prol do bem-comum.

É para isso que as pessoas confiam nos líderes das suas comunidades.

Na minha vida pública, no exercício dos cargos políticos que me têm sido confiados, sinto sempre a responsabilidade de servir a minha comunidade concelhia, defendendo tenazmente os seus interesses e pugnando pela qualidade de vida e bem-estar comum. Encaro essa missão como um desafio e uma responsabilidade que norteiam o meu dia-a-dia.

Um dos aspetos a que se dá muita atenção quando se escolhe uma terra para viver é a rede de transportes: o que oferecerá de novo a Maia com a inclusão na STCP?

É sempre positivo que os maiatos estejam representados em tudo quanto tenha impacto no quotidiano das suas vidas.
E o facto de estarmos representados na administração dos STCP tem a sua importância, porque desse modo os interesses da Maia e dos maiatos serão sempre acautelados.

Contudo temos de entender o papel dos STCP numa perspetiva mais ampla, enquanto empresa enquadrada numa área metropolitana, onde a questão dos transportes é tratada num organismo com vocação específica, refiro-me é claro, à Autoridade Metropolitana de Transportes, órgão intermunicipal em que a nossa comunidade concelhia está também representada.

A gestão dos transportes coletivos requer um conhecimento aprofundado dos problemas, por forma a que as soluções, técnicas e políticas, sejam as melhores possível.

Hoje, as decisões políticas sobre esta matéria são suportadas em estudos realizados por entidades competentes, por forma a permitir a tomada de decisões que melhor beneficiem as populações.

É bom que se tenha consciência que a Maia é servida por 3 linhas do Metro, empresa onde represento o Município da Maia no seu Conselho de Administração, facto que permite aos maiatos ver os seus interesses permanentemente defendidos.

Prova disso mesmo, é o facto de ter sido acautelado o compromisso da Metro do Porto, em realizar um estudo de referência que vai determinar a esteira, ou canal a utilizar pela futura linha amarela que ligará o campus universitário do Porto e o Centro Hospitalar do S. João à Cidade da Maia, permitindo as ligações conexas que os outros interfaces facilitarão.

Nesse estudo que é de certo modo um anteprojeto, ficarão logo definidas as estações e todo um conjunto de particularidades técnicas que informarão o projeto de execução, quando a obra for adjudicada.

Este compromisso foi assumido por toda a Administração, da qual o Estado faz parte, porque a nossa comunidade concelhia da Maia estava lá representada pela minha pessoa.

Claro está, que temos de compreender que fazemos parte de uma comunidade mais alargada, a área metropolitana do Porto, o que nos obriga a pensar como fazendo parte de um todo, onde há prioridades que dependem quer da premência das necessidades das diferentes populações dispersas pela nossa geografia metropolitana, como dependem, e muito, das possibilidades financeiras do país.

Em todo o caso, o compromisso está assumido e nós lá estaremos para que no momento certo seja cumprido, a bem de todos os maiatos.

Essa é uma garantia que já conquistamos e pela qual, em sede própria, quer dizer, no Conselho de Administração da Metro do Porto, onde temos uma voz ativa, sempre nos bateremos.

O que posso sem dúvida alguma garantir aos maiatos é que a nossa presença nos respetivos órgãos de gestão, quer nos STCP, como na Metro e na Autoridade Metropolitana de Transportes do Porto, é motivo para confiarem que os interesses da nossa comunidade concelhia serão escrupulosa e permanentemente respeitados e considerados.

Acessibilidades – espera que o governo cumpra a promessa de avançar com a variante à EN14?

O Governo não tem outra saída que não seja honrar a palavra dada, nem nós aceitaremos que o não faça e seremos intransigentes na defesa do cumprimento dessa promessa.
Seria um escândalo se o Governo faltasse à palavra.

Pórticos – a Maia está envolvida por portagens. A situação poderá alterar-se no próximo mandato? Crê que terá poder reivindicativo suficiente para lutar contra isso?

Sabe, o poder reivindicativo advém da razão que nos assiste. Se essa tremenda injustiça não for resolvida, assumo com os maiatos o compromisso de travar um combate político sem tréguas com o poder central até que os pórticos sejam retirados.

Não é admissível que as famílias, as empresas e toda a comunidade maiata em geral esteja a ser deliberadamente prejudicada. Bater-me-ei tenazmente e com toda a assertividade política até ao dia em que nos libertem dessa injustiça.

Como harmonizar o desenvolvimento em todo o concelho, já que a oposição costuma criticar a gestão da maioria na Maia referindo que o desenvolvimento nas freguesias ainda está muito aquém da sede do concelho?

A oposição é livre de dizer o que lhe parece. Mas a realidade diz outra coisa.

Quem der uma volta pelo território concelhio pode ver com os seus próprios olhos, um conjunto de obras e equipamentos municipais, sejam de utilidade pública e social, sejam para a fruição cultural ou desportiva, que comprovam inequivocamente que há uma política de harmonização e coesão territorial consistente.

Vai ser um presidente descentralizador? Pretende repartir competências e mais financiamento às freguesias?

Como afirmei na apresentação da nossa candidatura, nunca farei promessas que não tenha condições de cumprir.
Como sabe, há hoje um quadro legal muito claro no que respeita à delimitação de competências e afetação dos respetivos recursos financeiros para as cumprir.

Na Maia o que temos feito e temos feito bem, é cumprir a Lei e manter com as nossas juntas de freguesia, um relacionamento aberto e de franca cooperação, transferindo verbas que viabilizam a sua atividade e obras fundamentais. Complementarmente a esse quadro de cooperação institucional, a Câmara, assume técnica e financeiramente as obras e investimentos que as juntas de freguesia, por razões óbvias, não têm capacidade técnica e administrativa para poder executar.

Só quem desconhece a realidade autárquica atual é que pode dizer e prometer este mundo e o outro. Quem me conhece sabe que sou responsável e não é da minha natureza dizer o que me vem à cabeça…

Em equipa vencedora não se mexe. Pouco vai mexer na sua equipa de vereadores?

É verdade que temos no governo da Câmara Municipal uma equipa vencedora e nesse sentido, todos os atuais vereadores poderiam fazer parte do próximo executivo.

Mas a minha equipa será a minha equipa. A seu tempo, os maiatos vão conhecer a equipa que lhes proponho para me ajudar.
Para já, creio que o mais importante é o nosso projeto político.

Para as juntas de freguesia, renovou candidaturas em metade das freguesias, crê que poderá conquistar a maioria das juntas?

Claro que sim, foi com essa convicção que escolhemos os melhores candidatos.

Todos os candidatos às juntas de freguesia resultam de uma escolha que teve em conta a sua idoneidade cívica, o seu percurso público e social, a sua formação, a sua competência e principalmente as provas dadas publicamente de que o seu perfil pode garantir aos maiatos a confiança de que irão eleger pessoas que saberão honrar os seus compromissos e nunca os desiludirão.

Campanha eleitoral – afirma querer uma campanha discreta, acredita numa transição tranquila?

A nossa campanha será feita com a parcimónia que se impõe. Em primeiro lugar respeitaremos a inteligência dos maiatos fazendo uma campanha com bom gosto, com equilíbrio e o mais esclarecedora possível.

Estaremos, como sempre estivemos, com as pessoas, estabelecendo um diálogo em discurso direto, para que todos compreendam bem o que nos distingue.

Não é da nossa natureza deixar cair ideias vazias e sem nenhum nexo, fazer promessas irrealistas, lançar ilusões irresponsáveis sem qualquer aderência à realidade. Temos os pés bem assentes no chão.

Quem sou…

Pessoa que mais admira?

Atualmente, a pessoa do Papa Francisco é muito inspiradora para mim. Vejo nele, não apenas um líder espiritual e religioso, mas também claramente um líder político global.

Com uma contagiante serenidade é capaz de expressar pensamentos que têm impacto político e social em todo o Mundo. Partilho com ele a ideia que o verdadeiro poder é o serviço, o que é muito inspirador para mim…(sorriso)

O que o irrita?
Por vezes irrita-me a imbecilidade e a incompetência.

Mas procuro sempre tentar compreender porque é que os imbecis e os incompetentes são assim e às vezes, surpreendentemente, há razões humanamente aceitáveis às quais não se pode ficar indiferente ou insensível.

Quando chego a essa conclusão, procuro agir com serenidade e complacência, apelando à mudança e à melhoria. Toda a gente é pessoa e há dias e dias (sorriso)…

O que gosta de ler?

Confesso que gosto de ler uma boa obra de ficção, tendo uma certa preferência pelo romance histórico, porque gosto daquela fusão entre os factos históricos verídicos e a criatividade ficcional.

Mas o trabalho não me tem deixado nenhum tempo livre para essas leituras.

Prato favorito?

Gosto muito da cozinha tradicional portuguesa. Confesso que gosto de uma boa caldeirada à pescador, um bom arrozinho de polvo no forno. Aprecio especialmente os aromas a maresia.

Passatempos?

Viajar, visitar os grandes museus, ir a exposições de Arte contemporânea, estar com os amigos a jogar futebol ou simplesmente a conviver, ouvir música e passear em jardins, parques e espaços verdes. Tudo isso me relaxa e retempera imenso as minhas energias físicas e intelectuais.

Tenho que lhe confessar que quando viajo me perco a ver obras arquitetónicas contemporâneas emblemáticas.