A arte de bem servir nas Terras da Maia

«A gastronomia, enquanto ramo que abrange a culinária, as bebidas, os materiais usados na alimentação e todos os aspetos a ela associados, resulta de vários fatores como o ambiente natural, a cultura das próprias comunidades, os recursos disponíveis, as necessidades das pessoas e as práticas ancestrais de uma determinada região.

No entanto, a gastronomia, tal como outros aspetos do quotidiano das comunidades, tem vindo a sofrer profundas alterações devidos às grandes mudanças sociais dos tempos atuais.

Perante um novo tempo, bem como a falta dele, o Homem tem procurado, frequentemente alternativas com o intuito de gastar menos tempo possível, mudando, consequentemente, os seus hábitos relacionados com a refeição e tudo o que a ela respeita», pode ler-se na apresentação da exposição “Cozinha maiata:100 anos de histórias de faianças e sabores das terras da Maia”, que continua patente no Museu de História e Etnologia da Maia.

A refeição, aliada aos acessórios como as faianças e porcelanas tradicionais, era também um ato social por entre as famílias maiatas, tendo em conta que o concelho há um século era dominantemente rural e vivia da agricultura.

Toda a zona do Douro Litoral possui uma gastronomia requintada, fruto da ilustre arte de bem cozinhar, característica das gentes do Norte. O concelho da Maia, como parte integrante desta região, possui vários pratos de confecção refinada, que proporcionam momentos de satisfação memoráveis aos amantes da boa mesa.

Assim, fazem parte de um menu maiato o “Bacalhau à Lidador”, a “Sardinha de Escabeche à Moda da Maia”, os Rojões, o “Cabrito Assado à Maiata” e o famoso “Cozido à Portuguesa”.

Na doçaria, não faltam os Biscoitos da Maia e os Lidadores.

Biscoitos da Maia

Os Biscoitos da Maia, de mais que provável origem conventual, evocam, nas suas formas mais utilizadas – a espada e o escudo – a figura de Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador, patrono da Terra da Maia, guerreiro de lendários feitos, braço direito do rei D. Afonso Henriques na Reconquista.
Esta iguaria, de grande valor simbólico, constitui um doce encontro entre a história e a lenda.

Ingredientes:

– 1 Clara de Ovo
– 100g de Açúcar
– 100g de Margarina
– 200g de Farinha com Fermento
– Açúcar em Pó q.b.

Preparação:

Bate-se 1 clara de ovo com 100g de açúcar até ligar, juntam-se 100g de margarina derretida, 200g de farinha com fermento, amassa-se e logo que a massa descole das mãos, tendem-se os biscoitos. Vão a cozer ao forno, em tabuleiros untados com margarina e polvilhados com farinha. Depois de cozidos, passam-se por calda de açúcar em ponto de pasta.

Lidadores

De sabor forte e intenso e de textura robusta, estes pequenos lidadores ficam na história da Maia pelas sensações fortes e inesquecíveis que proporcionam a quem os provar.
Homenagem justa ao também forte e, diz-se, robusto Gonçalo Mendes, O Lidador, que marcou a história pela intensidade da entrega à sua terra: a Maia.

Ingredientes:

(10 Lidadores Grandes)
– 500g de Manteiga
– 2,5 kg de Açúcar
– 60 Gemas
– 950g de Amêndoa Moída
– 950g de Abóbora Cristalizada Picada

Preparação:

Num tacho junta-se 500g de manteiga e 2,5kg de açúcar e deixa-se arrefecer. Depois juntam-se 60 gemas, 950g de amêndoa moída, 950g de abóbora cristalizada e picada. Dilui-se 100g de farinha para não ficar com grumos e junta-se ao preparado, deixando repousar meia hora. Forram-se tigelas de barro com papel vegetal e vão ao forno durante 1 hora a temperatura baixa.