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Sílvia Rodrigues, finalista Miss Portuguesa, quer ser exemplo de coragem

Sílvia Rodrigues, de 26 anos, residente na Maia, foi uma das 18 finalistas do Concurso Miss Portuguesa deste ano.

Passou 20 dias de estágio em diversas provas e em diversas cidades, o que lhe deixa alento para continuar a vivenciar o mundo da moda e, acima de tudo, a reforçar o exemplo da força de vontade transmitindo um pouco do seu otimismo às pessoas, que como ela, têm que conviver com alguma deficiência física.

Sílvia Rodrigues estudou Ciências Farmacêuticas, mas pretende ingressar em Direito. Os seus passatempos favoritos são sair com os amigos, praia e ginásio. Ao Primeira Mão, Sílvia abordou esta experiência e adiantou algumas das suas ambições.

Como funciona este concurso e quais foram as fases de seleção/eliminatórias pelas quais passou?

O Concurso Miss Portuguesa é o maior e mais prestigiado concurso de beleza em Portugal, que elege as representantes para os maiores concursos mundiais, tais como o Miss World, Miss Supranational, Miss International, Miss Grand International, entre outros.

Inicialmente realizei uma inscrição online, mais tarde fui chamada para um casting na Miss Gondomar, participei e obtive o título de 1ª dama de honor, e após a organização realizar os castings em variadas cidades do país, fui selecionada como uma das 18 finalistas no concurso.

Porque resolveu concorrer?

Sempre adorei ver os concursos de misses, mas era bastante insegura quando era mais nova. Aos 19 anos, sofri um acidente de carro que me amputou parcialmente a minha mão direita, e só passados dois anos, é que comecei a usar uma prótese devido a cirurgias e fisioterapia, pelo que só com 22 anos a minha confiança começou a ser restaurada.

Entretanto, nessa altura o meu objetivo principal passava pela entrada na faculdade, e nem sequer imaginava que me aceitariam neste tipo de concurso tendo em conta a minha nova condição.

Mais recentemente, comecei a realizar alguns trabalhos como modelo e decidi inscrever-me no concurso, que tem o lema de “Beleza por uma causa”, pois eu própria gostaria de ser um exemplo para outras pessoas portadoras de deficiência, para nunca desistirem dos seus sonhos.

Como foi a sua experiência neste concurso e que mais-valias lhe trouxe a nível pessoal?

A minha experiência no Miss Portuguesa foi bastante enriquecedora, visto ter estado durante 20 dias num estágio com provas variadas, tais como Talento, Desporto, Elegância. Percorremos variadas cidades do país, realizamos visitas culturais, institucionais, desfiles de moda e ensaios.

Sinto que evoluí bastante como pessoa, testei os meus limites e no final percebi que ser miss é bem mais complexo do que imaginava, pois a beleza exterior é apenas um dos requisitos essenciais. A postura, elegância, simpatia e disponibilidade são importantes em qualquer situação.

Já tem participado noutros concursos deste tipo?

Sim já tinha participado com 18 anos no Concurso Belas & Perigosas do extinto Jornal 24 Horas, em que cheguei à Final. E no ano passado participei no Miss Universo Portugal, da mesma organização do concurso Miss Portuguesa, em que fui finalista.

Pretende ter um futuro como modelo?

Neste momento gostava de me dedicar mais a terminar uma licenciatura, mas não descarto realizar alguns trabalhos esporádicos.

Tem alguém nessa área da moda que sinta que é um modelo a seguir?

Sigo a modelo brasileira Paola Antonini. Uma modelo amputada de uma perna por ser um verdadeiro exemplo de vida e ter sempre o maior sorriso.

O que valoriza no mundo da moda em geral?

Valorizo o estético, a beleza, a arte. Mas ser modelo neste país é complicado, apenas alguns trabalhos são bem remunerados e, na maioria das vezes, há “cunhas”.

Portanto a minha visão não é a mais positiva. Mas, claro, é fantástico entrar numa passarelle e desfilar.