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“Temos que acordar a Maia” alerta António Braz candidato à Câmara apoiado pelo MPT

O arquiteto António Braz candidata-se à Câmara Municipal da Maia, integrado nas lista do Partido da Terra (MPT).

A candidatura apresenta ainda uma lista à Assembleia Municipal e às Assembleias de freguesia do Castelo da Maia e Milheirós, para as respetivas assembleias de Freguesia.

Considera-se maiato, pois é a terra onde vive desde os três anos de idade. Mas aponta várias falhas, a começar pela área do Urbanismo.

Considera que há condições para o MPT conseguir eleger representantes na Câmara Municipal e na Assembleia Municipal da Maia?

Creio que sim, pois se não tivéssemos esse propósito de base não teríamos conseguido juntar este grupo de pessoas válidas e com experiências em muitas áreas do saber.

Até porque, como maiato que sou, tenho sentido nas pessoas um descontentamento muito grande.

Independentemente das intrigas que existem entre partidos, o que não me interessa, o que entendo ser necessário é juntar as pessoas dispostas a fazer mais e melhor pela sua terra. E encontrei diversas pessoas que não se revêm na gestão atual.

De resto, não entendo o que se passa, pois de quatro em quatro anos, não há renovação e a gestão acaba por cair em desgaste, o que contribui para o afastamento das pessoas.

Como o descontentamento é muito grande, creio que podemos fazer a diferença. Queremos ter voz no executivo e na Assembleia Municipal. Queremos eleger um ou dois vereadores e seis deputados na Assembleia da Municipal.

Porque o MPT se candidata apenas às Juntas de Milheirós e Castelo da Maia?

Simplesmente, porque houve pessoas que ouviram falar do nosso projeto e quiseram-se juntar a nós. Identificaram-se com as nossas ideias.

O que considera ser necessário mudar na Maia?

Para começar temos que acordar a Maia, pois o concelho caiu num marasmo enorme. Já não se vê nada de novo em muitos sectores que contribua para o desenvolvimento do concelho e beneficia as pessoas.

Começaria por apostar no Urbanismo, já que considero que a cidade está muito centralizada na sua envolvente da Praça do Município e na sua ex-libris Torre de Vidro. Considero que isso fez esquecer outras centralidades, embora mais pequenas, que são nas freguesias. Aí, a nível urbanístico e arquitetónico não se tem visto melhorias.

É precioso trazer novas valências para o concelho da Maia, revitalizando os centros modestos existentes, gerar novos centros cívicos com comércio tradicional, serviços, equipamentos culturais e zonas de estar ao nível de todas as freguesias da Maia.

Seria importante criar uma interação de proximidade cívica com todas as freguesias do concelho. Essa acção de renovação e conceção de espaços urbanos iria gerar dinâmicas económicas de desenvolvimento local.

A praça Doutor José Vieira de Carvalho, não tem qualquer vivência humana, e isso não é positivo, pois as praças são feitas para as pessoas estarem e conviverem.

Esse objetivo será conseguido apenas com uma revolução urbanística planeada ao nível concelhio ou deverá ser complementado com uma política cultural?

Naturalmente, que também deverá haver uma política cultural a complementar essa intervenção urbana de fundo. Mas a revolução deverá começar pelo Urbanismo.

Ao nível cultural pretendemos criar mais dois museus, a exemplo do que existe no Castelo da Maia.

São áreas que se complementam, até porque existem pelo concelho edifícios obsoletos em pontos estratégicos.

É preciso intervencionar nesses espaços e dotá-los de condições funcionais para que possam albergar outras valências como por ex. Museus, Bibliotecas, Espaços de Exposições Temáticas, etc..

Nem sempre é necessário conceber edifícios de raiz, existindo edifícios com qualidade arquitetónica e patrimonial só é necessário reabilitar e remodelar. Veja-se o caso de hotéis, algo de que o concelho da Maia carece para se desenvolver cada vez mais no turismo.

Contudo a Maia não tem nada que atraia o turismo, não tem oferta cultural, artística, arquitetónica e urbanística de qualidade.
É necessário criar condições que potencie o turismo de qualidade, bem estruturada e que possa trazer um fluxo turístico constante.

A maia já possui uma monografia sobre o património arquitetónico e religiosa do concelho, mas cujo rigor científico e artístico carece de aperfeiçoamento, mas que, quando concluída, poderá constituir a base de um bom inventário a integrar num roteiro turístico a conceber.

Quais as principais medidas que defende para o concelho da Maia em áreas como desenvolvimento económico e Habitação?

Em termos de Habitação, o objetivo é criar um gabinete específico para resolver exclusivamente problemas relacionados com infraestruturas e habitações.

De uma vez por todas, gostaria de acabar com as construções ilegais, entendo que toda a família tem direito a uma casa condigna. Isso poderia ser um alento para resolver muito do mal-estar que, por vezes, encontramos no interior das famílias.

Aquelas que forem possível legalizar, legaliza-se, quando isso não for possível de todo, tentar reunir as condições necessárias para o seu efeito. Considero que é uma proposta realista e concretizável, haja vontade…
No que respeita à melhoria do desenvolvimento económico, ainda está a ser alvo de estudo no grupo, embora o ponto de partida resida numa baixa do IMI e baixar as taxas urbanísticas na câmara municipal da Maia, que são elevadas.

Embora não seja de valorizar a construção de raiz, mas antes a requalificação, não deixa de ser importante a redução das taxas urbanísticas.

O que se propõe fazer no âmbito de apoio social?

Pretendemos criar algo que deverá ser um sucesso, o Banco Cívico. No fundo, será uma agência intergeracional de proximidade e vizinhança a criar em todas as freguesias do concelho em que todos os problemas sociais das famílias possam ser resolvidos nessa constituição orgânica com sede na câmara.

Seria um espaço vocacionado para atendar e dar soluções a todos os problemas de ordem social. Depois de aferida a necessidade dessas famílias, seria estudada uma resolução.

Quando há quatro anos, me candidatei à Junta de Freguesia do Castelo da Maia, tive oportunidade de percorrer todas as artérias das cinco freguesias e vi muita gente a precisar de ajuda, vi muita miséria…

Hoje em dia, a Maia gaba-se de ter quase 100% das suas infraestruturas de saneamento ligadas e é preciso louvar esse aspeto.

Foi algo de bom que se fez, mas é preciso ainda dar dignidade a toda a população através de uma habitação condigna, este é um bem essencial que se pode dar a uma família.

…e no que respeita aos Transportes?

Temos intenção de criar uma rede intermodal entre as freguesias todas, ajustando forma de não haver localidade alguma que não seja abrangida por um meio de transporte público. É algo que está a ser estudado, procurando-se um método de implementar essa cobertura.

Neste momento não uso muito o metro, mas as pessoas têm-me dito que é algo que poderá ser melhorado, até porque a maioria das carruagens vão apenas até ao centro da Maia e há menos a circularem até ao Castelo da Maia.

Não podemos esquecer também a continuidade até Muro-Trofa. Acho incrível os políticos da nossa praça andarem todos preocupados com a nova linha amarela que querem fazer do Hospital de S. João até à Maia. Muito bem, mas esquecem-se que ainda não resolveram situações pendentes, como essa da linha até à Trofa?

Temos o caso da variante à EN14, que é um problema que se arrasta há décadas. Tudo isto é uma questão de bom senso, vontade de política…

Qual a sua visão da relação de uma Câmara com as Juntas de freguesias no âmbito da descentralização de competências?

Uma coisa é certa, enquanto estiver no poder alguém ligado aos partidos, haverá pouca hipótese de mudar a preferência que é dado pelos presidentes de Câmara aos presidentes das Juntas eleitas pelo mesmo partido. Se a descentralização for de forma direta às freguesias poderá ser positivo.

Para mim quando algum autarca apresenta um saldo positivo elevado ao final do ano, não considero isso positivo porque prova que não soube dispor dos recursos financeiros que tinha disponível em prol do desenvolvimento local e para o bem das pessoas.

Perfil:

António M. da S. Braz

.Arquiteto licenciado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto; Mestre em Património e Turismo pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho;
Mestre em Ensino de Artes Visuais para Professores do 3º Ciclo e Ensino Secundário pela
Faculdade de Belas Artes, Faculdade Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto; Especialista em Património Arquitetónico inscrito no colégio de Património Arquitetónico da Ordem dos Arquitetos

.54 Anos (nasceu em Alfena e vive na Maia desde os 3 anos)

.Casado

.1 Filha