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Tenho a visão de um concelho “mais limpo e mais sustentável”

Aos 61 anos, o maiato Fontes Maia quer quebrar o sistema de uma “maioria que está a atrasar o desenvolvimento”, acabar com “caciquismos” e elevar a Maia a “referência” nacional, onde os maiatos sejam “felizes”.

São objetivos do candidato à presidência da Câmara da Maia nas eleições de 1 de outubro pelo “mim – Maia sou eu”, apoiado pela coligação PPV/CDC-PPM.

Quem é António João Fontes Maia e o que o move a uma candidatura à Câmara da Maia?

Nasci na antiga Lourenço Marques, na ex-província ultramarina portuguesa de Moçambique, que já havia sido o colo de meus pais… o sabor de bananas com leite condensado, as cores garridas das capulanas, o cheiro a terra molhada e os ecos longínquos do batuque. A escala africana é avassaladora, verdadeiramente exótica…eu não tinha um cão e um gato, tinha uma gazela (Bambi) e um macaco (Xico)!

O meu pai fazia parte do Governo Português e era Governador do distrito de Jangamo na província de Inhambane. Nasceu em Barreiros, agora freguesia da Maia, e minha mãe em Santa Maria de Avioso, agora freguesia do Castelo da Maia! Tenho muito orgulho em ser filho e neto de maiatos.

Vim para o Castelo da Maia em 1963, onde acabei a instrução primária. Fiz a admissão quer à escola técnica quer ao liceu e, com 9 anos, fui frequentar o antigo 1º ano no Liceu Normal D. Manuel II, no Porto.

A 25 de Abril de 1974 comecei a trabalhar às 00:00 horas na Texas Instruments, uma Multinacional Americana de alta tecnologia que se tinha instalado na Maia. Entrei com o antigo regime e às 06:00 saí com um Golpe de Estado. Tinha 18 anos. Daí até hoje o meu percurso é já apreciável.

Passei por várias multinacionais, o que me proporcionou acompanhar alguns mercados, conviver com orçamentos avultados e objetivos muito ambiciosos. São 43 anos de trabalho acompanhado de pessoas empreendedoras e admiráveis.

Algumas experiências pontuais interessantes, como ser modelo de vestuário masculino, piloto de competição em moto e automóvel (o rali de Portugal de 1998…uff!), ou ainda artista plástico com 24 telas, cada uma dedicada a um elemento da selecção Nacional de futebol.

Importante no percurso, dois filhos e o orgulho de ser pai. Na vida, nunca me endividei. Solicitei ao Banco de Portugal, para que não hajam dúvidas, um documento que prova isso mesmo.

Candidato-me para elevar a Maia a patamares de excelência. Candidato-me para acabar o compadrio, os caciquismos, os interesses organizados ao longo de anos à custa de decisões duvidosas, que, a ser verdade, irão dar que falar.

Estou certo que os maiatos querem isto e, por isso, agarram o lema “mim – Maia sou eu”.

Sente como verdadeiro o slogan “Sorria, está na Maia”?

Disse “sorria, está na Maia”? Não, o slogan agora é “Sorry, (desculpe) está na Maia”. Eu quis apresentar-me como candidato à Presidência da Câmara.

Era uma questão de cortesia e dirigi-me à Câmara Municipal para comunicar formalmente esta intenção em Janeiro. Hoje, oito meses passados, nem contas nem recado… “Sorry, está na Maia”!

Numa palavra: preguiçosos! Em duas palavras: preguiçosos e descarados! E são estes senhores que enviam flores a quem não receberam enquanto vivos? Não lembra ao mais bem pintado.

O que é preciso mudar no concelho da Maia?

Temos de começar por substituir esta maioria que está a atrasar o desenvolvimento da Maia.

A continuarmos assim, o que nos sairá mais caro nem são os impostos exorbitantes que pagaremos, mas sim as empresas, os empregos e até a nossa felicidade que vão pagar bem mais.

Como gerir a relação com as freguesias e a questão da descentralização de competências?

Começo pela descentralização de competências que é uma questão de Administração Pública. Portanto será aprovada por Decreto-Lei, e mais não posso dizer a não ser que está prevista para depois destas eleições autárquicas segundo fonte governamental.

A relação com as freguesias vai ser intensa. Quero implementar uma presidência aberta em que os temas prioritários sejam tratados nas sedes das Juntas. Se necessário for terá a participação popular.

Quais as principais medidas que defende para o concelho em áreas como desenvolvimento económico?

Tenho uma visão para o concelho e um futuro para os maiatos e maiatas. O emprego é fundamental para a dignidade individual e crucial para aumentar a riqueza local. O emprego jovem está nas minhas prioridades. A Indústria 4.0 está aí.

A Maia não pode, e comigo não vai perder, a oportunidade de arrancar imediatamente para a 4ª revolução Industrial. Interoperacionalidade; Virtualização; Descentralização; Capacidade em tempo real; Orientação a serviço; Modularidade, são princípios de projeto nesta indústria.

A internet das coisas está aí e o tecido empreendedor do concelho terá o apoio necessário à implementação de projetos nesta revolução industrial.

Quero e vamos conseguir captar investimentos fortes, de interesse, onde o conhecimento e a inovação sejam fundamentais. Seremos um território mais limpo, mais sustentável. Um concelho sexy onde todos serão mais felizes.

No turismo, agora tão na moda, deixe-me perguntar: Sabe que temos um aeroporto com sede na Maia? Vejo o presidente Rui Moreira a defender sozinho os interesses dessa estrutura. Então e a Maia, não está cá ninguém? Para além deste temos o aeródromo de Vilar de Luz.

Para lá tenho um projecto, mas não o vou revelar já. É coisa espetacular, vão gostar. Ainda neste tema, vamos idealizar um guião irrecusável de 1 dia para os turistas que se hospedarem no concelho.

Terceira idade. Então e para os nossos queridos seniores (que seremos nós um dia) que futuro? Hoje anda tudo ‘ó tio, ó tio’! Isso não pode acontecer na Maia. Temos que tornar acessível um envelhecimento digno e tranquilo para todos, encontrando soluções abrangentes e inovadoras com benefícios para este cluster.

É um homem preocupado com os recursos naturais. Quais as suas intenções neste âmbito?

Vou começar pela água. Será gratuita. É isso mesmo, GRATUITA. Ninguém vai pagar a água que bebe ao preço com que se enchem piscinas e ninguém a irá desperdiçar por, ao ser carenciado, a não ter de pagar. Não irá haver subsídios e os escalões serão obviamente reajustados a esta nova realidade.

Energia: O futuro das cidades passa pelo forte investimento em redes inteligentes (Smart grids) e na sustentabilidade. Importante eixo para o futuro do desenvolvimento da Maia passa pela gestão municipalizada da rede de distribuição de electricidade em baixa tensão em regime de exploração direta.

No próximo mandato irá terminar o atual contrato de concessão da rede de distribuição, que nos permitirá recuperar a rede de Baixa Tensão (BT).

A gestão municipalizada irá permitir a criação de novas fontes de receitas, aumentar a descentralização e melhorar a qualidade de serviço aos cidadãos e às empresas locais. Poderemos fomentar, investir e desenvolver a mobilidade eléctrica.

Eu já dei o meu primeiro passo. Como sabem, desloco-me nesta campanha eleitoral numa viatura 100% eléctrica. Nem fumo, nem ruído.
Voltando à água, ainda havemos de fazer o mesmo.

Descentralizar a captação, usando os recursos do nosso território, poços e minas, pequenas linhas de água, criando novas fontes de receitas.

O que dizem de venderem a água que vos sobra investindo, fomentando e desenvolvendo pequenas redes que irão abastecer zonas mais carenciadas do concelho quando for necessário? Fica lançada a ideia!

…e noutras áreas, o que destaca do seu programa?

Muito haveria para dizer, mas há um assunto de que não posso deixar de falar, a Justiça. Como sabem ou talvez não, “A ignorância ou má interpretação da Lei, não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecidas” Artigo 6.º do código civil.

Isto não me faz qualquer sentido, e portanto nas escolas do nosso concelho, se isso depender da nossas responsabilidades no quadro da descentralização de competências na Educação, vou lutar para que os alunos a partir do 5º ano comecem a ter aulas de Direito.

Não será justo que o Estado que nos obriga a não desconhecer a lei seja obrigado a ensiná-la? Pensem nisso, porque quando for eleito, pode ser tema para a primeira Presidência Aberta.

Os pórticos. Resolver a questão dos pórticos são amendoins. Não são precisas manifestações. A pavimentação das nossas ruas e estradas é também necessário.

Uma mais que merecida referência à elevação do PPM e do PPV/CDC em todo o processo desta candidatura, que muito agradeço.

Perfil

Fontes Maia

. 61 anos
. Pai de dois filhos
. Gestor de negócios
. Passatempo – uma boa conversa com gente interessante
. Filme – Lagoa Azul de 1980 com Brooke Shields
. Viagem – raid “Até Dakar, no Senegal” 1996