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Bombeiros de Moreira da Maia expandem-se no transporte de doentes

A associação dos Bombeiros Voluntários de Moreira da Maia é uma das cinco corporações do país com mais trabalho para o INEM, de acordo com um estudo da Liga Portuguesa de Bombeiros.

A associação estabeleceu recentemente dois novos protocolos: um com IPO para transporte de doentes (nos distritos do Porto e Aveiro) e outro com a autarquia da Maia para o combate a incêndios no Aeródromo de Vilar de Luz.

Com um orçamento anual de cerca de 2 milhões e 600 mil euros, os Bombeiros de Moreira da Maia empregam 110 pessoas (49 no aeroporto do Porto).

Uma importante fonte de receita para os Bombeiros de Moreira da Maia foi o estabelecimento do contrato de prestação de serviços ao IPO do Porto. Um projeto da direção concretizado recentemente.

Trata-se de um contrato de três anos, segundo o qual a Associação dos Bombeiros irá efetuar o transporte de doentes nos distritos do Porto e Aveiro.

Adquirir viaturas e contratar mais pessoal (15 a 20 pessoas) foram algumas das consequências deste acordo, que constituirá uma nova e importante “fonte de receita” para a instituição, como esclareceu Rocha Nunes, o presidente da direção dos Bombeiros de Moreira da Maia, entrevistado pelo Primeira Mão.

O transporte de doentes também está a ser efetuado para o Hospital Pedro Hispano, por solicitação da própria unidade de Saúde, continuando ainda a ser prestado o serviço neste âmbito em acordo com a ARS – Administração Regional de Saúde. Esta área tem sofrido uma grande expansão nos Bombeiros da Maia.

A expansão em termos de instalações do Quartel é outro dos objetivos da direção, que está a ser programado.

“Existe um terreno que circunda o atual equipamento e que se encontra à venda. Os atuais dirigentes da Câmara da Maia já concordaram em comprar o terreno reservando a área no PDM para a construção do Quartel.

A autarquia está também em negociações com o proprietário e entregou a um gabinete técnico o estudo urbanístico para se prosseguir com o projeto. Estou convencido de que se vai avançar para a compra desse terreno, o que será uma grande mais valia para a associação.

De resto, eu penso retirar-me no fim do ano, no término do meu mandato e assim deixar já um projeto feito, garantindo que tudo está pronto para conseguir programas de financiamento e facilitando a construção do novo edifício, que defendo seja térreo facilitando a acessibilidade e a organização dos serviços”, defendeu Rocha Nunes.

Uma das novidades recentes na associação foi a assinatura de um protocolo há cerca de três semanas no âmbito da revisão da segurança do Aeródromo de Vilar de Luz, pela ANAC – Autoridade Nacional de Aviação Civil.

O comandante dos Bombeiros, Manuel Carvalho, explicou que a associação afetou uma viatura específica e três bombeiros para garantir a prevenção e combate de incêndios no Aeródromo.

“Trata-se de uma viatura específica de acordo com as exigências da ANAC para estes equipamentos e cuja adaptação teve que ser a direção dos Bombeiros a custear.

Também os três colaboradores designados para o aeródromo possuem formação específica neste tipo de equipamentos”, afirmou.

Os Bombeiros de Moreira da Maia são, aliás, os responsáveis pelo Aeroporto Francisco Sá Carneiro, onde têm designados 49 bombeiros especializados.

No que à época de incêndios diz respeito, Manuel Carvalho esclareceu que não foi um verão pior para a sua corporação, dado que apesar de um ligeiro aumento de ocorrências na área da Maia, a porção da área florestal ardida não foi superior ao do ano passado, cifrando-se em cerca de 33 hectares.

É uma situação decorrente de uma postura colocada em prática nos últimos três anos, recordou Manuel Carvalho nesta entrevista ao Primeira Mão, “um trabalho intenso entre várias entidades, incluindo a Proteção Civil da Maia”, que consistiu em colocar, nos dias de alerta amarelo homens no terreno.

“Em vez de termos os homens parados no quartel, fizemos o que se chama um pré-posicionamento no terreno.

Tivemos 3 viaturas sempre a circular no concelho, pelo que estávamos muito próximos das áreas podendo acorrer de forma muito rápida em caso de algum foco de incêndio.

Geralmente, as pessoas só chamam os bombeiros quando a coluna de fumo já está forte, assim com uma prontidão quase imediata consegue-se eliminar mais facilmente os focos.

Essa medida foi implementada nos últimos três anos e tem-se notado que a área ardida diminuiu”, explicou o comandante.

Logicamente isso acarretou mais despesa para os Bombeiros em termos de combustível e gasto de viaturas, mas é uma “missão que entendemos que compensa”, referiu ainda Manuel Carvalho.