,

“A Causa da Criança” há 10 anos a dar carinho

 

A Causa da Criança é uma associação de apoio à infância e juventude, que foi constituída por Escritura Pública em 2001 por uma Comissão, formada por cerca de 60 cidadãos maiatos ligados a várias áreas da sociedade, apoiados pela Comissão de Proteção de Menores da Maia e pelo Tribunal de Família e Menores do Porto.

 

A Comissão sentiu a necessidade de dar resposta aos casos já então detetados de crianças e jovens em risco, especialmente do concelho da Maia. A associação abriu em 2007 a Casa de Acolhimento da Prosela (Vila Nova da Telha), cuja capacidade é de 22 crianças dos 0 aos 12 anos.

 

Numa altura em que A Casa de Acolhimento não esgota a sua capacidade, celebram-se 10 anos de acolhimento, carinho “oferecido de bom grado” e o desempenho do papel de uma “família especial”, enquanto não é orientado um plano de vida para estas crianças.

 

O Centro de Acolhimento Temporário, hoje Casa de Acolhimento (CA), de Vila Nova da Telha abriu em novembro de 2007, tendo começado logo a receber crianças em risco social, embora a inauguração oficial só se tenha realizado em janeiro de 2008.

 

<h1>“Família grande”<h1/>

 

As atividades no seio da instituição decorrem como se de uma casa familiar se tratasse: “as crianças são tratadas com carinho e a dignidade que merecem”, vão para os infantários e escolas, fazem as suas atividades rotineiras e as suas férias e passeios, como qualquer outra.

“Há pessoas que até nos dizem que damos mais do que seria exigível, mas não penso assim, afinal em qualquer família queremos dar o melhor aos nossos filhos, porque é que estas crianças hão-de ter menos que o melhor?” – refere Costa Lima, presidente da direção de A Causa da Criança desde 2012.

 

<h1>Dificuldades financeiras são preocupação do dia a dia<h1/>

 

“As verbas que a Segurança Social disponibiliza para a nossa CA e outras não são suficientes para cobrir as despesas na totalidade. Posso referir que recebemos cerca de 250 mil euros por ano da Segurança Social, quando temos um orçamento de 400 mil euros e já tentamos cortar ao máximo nos custos”, apontou o presidente da direção.

 

A instituição tem que conseguir angariar cerca de 100 mil euros anuais por entre as quotas dos sócios, os apoios da câmara e juntas de freguesia, de empresas e outras iniciativas de associações, como por exemplo caminhadas solidárias ou espetáculos.

 

<h1>Sensibilizar para apadrinhamento da causa<h1/>

 

Uma ideia que tem sido adiantada por Costa Lima para uma maior aproximação da CA da Prosela à comunidade, no âmbito da angariação de fundos, é a promoção do apadrinhamento das empresas aos utentes.

 

“Se uma empresa resolver apadrinhar e proporcionar à instituição pelo menos 50% do valor da “estadia” de uma criança durante um ano, ou seja entre 5 a 8 mil euros, seria muito útil para conseguirmos uma folga na tesouraria, passando essa empresa a ter o estatuto de Sócio Benemérito, com a devida divulgação e benefícios de responsabilidade social inerentes à medida. É que, por vezes, as pessoas pensam em contribuir para a sociedade construindo estruturas, mas esquecem-se destas crianças e de instituições como a nossa, que precisam de sobreviver, todos os dias, o ano inteiro…”

 

Ainda não houve muitas empresas a aderir a esta ideia, consideram um valor elevado para o seu orçamento, mas, de acordo com Costa Lima, a associação vai continuar a promover o apadrinhamento tentando sensibilizar a comunidade. Afinal, a economia até está a crescer e poderá haver alguns empresários que comecem a olhar para esta ideia sob outra perspetiva.

 

Costa Lima adianta que a própria população da Maia devia interessar-se mais por este tipo de instituições, verificando a sua utilidade e o caráter de emergência que assumem na sociedade, podendo ajudar de forma muito simples: tornando-se associado de A Causa da Criança por apenas 24 euros por ano.

 

<h1>Casos de sucesso de orientação na vida<h1/>

 

A Causa da Criança colabora na elaboração do projeto de vida para cada um dos menores em articulação com a Segurança Social, as CPCJ (Comissão de Proteção de Crianças e Jovens) e os tribunais. São estes os agentes que trabalham e definem o destino das crianças institucionalizadas, que saem da CA para a família biológica restrita (pais), família biológica mais alargada (familiares diretos), famílias adotivas ou lares.

 

De acordo com Costa Lima, “a maior parte das crianças saem da CA para a família de origem, designadamente, os pais de sangue, logo a seguir há um grande número de menores que são adotados, havendo ainda alguns casos que vão para lares”. Uma coisa é certa, “todas as crianças que saíram da CA até hoje, quase 100, estão com a situação de vida resolvida”, o que traduz o papel diferencial e de referência da intervenção da CA de Vila Nova da Telha nas suas vidas.

 

 

<h1>“Família” da Casa de Acolhimento<h1/>

A equipa técnica da instituição de A Causa da Criança é constituída por um Assistente Social, um Educador Social e um Psicólogo e mais 17 funcionários, desde auxiliares de educação, auxiliares de serviços gerais e de cozinha.