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Renato Pita entra em 2018 com novo contrato no automobilismo

O ano de 2017 termina para o piloto Renato Pita com a consagração no campeonato europeu TER 2WD Trophy. A entrada de 2018 acontece já com os frutos desse esforço do piloto maiato, designadamente o contrato com um novo patrocinador. Nos próximos anos possibilita continuar a carreira a nível internacional. Algumas das novidades para conferir nesta entrevista concedida ao Primeira Mão.

O título europeu no campeonato TER 2WD Trophy é o ponto alto até agora na sua carreira. O que acrescenta em termos profissionais e pessoais?

Trabalhei muito para conseguir este título. Foi um ano inteiro dedicado a este projeto. Desde a parte física e mental, até à preparação das provas e do próprio carro, existe todo um processo que não pode ser descurado e que, só assim, nos coloca no caminho para a máxima performance.

Em termos profissionais, enquanto piloto de competição, o trabalho que desenvolvemos ao longo do ano frutificou. Ano após ano, tenho vindo a evoluir, a melhorar, e este ano consegui um prémio muito importante na minha carreira, que é o título europeu.

Em termos pessoais é um orgulho imenso ver o meu nome e da minha equipa levarem a bandeira de Portugal e da Maia ao lugar mais alto do pódio num europeu.

Agradeceu aos amigos e apoiantes num recente encontro na Maia. É uma caminhada difícil para si a captação de apoios para a competição?

Felizmente conto com o apoio de grandes marcas nacionais e internacionais. Neste capítulo, a Câmara Municipal da Maia tem sido um grande pilar, a quem deixo o meu agradecimento. Não é fácil encontrar apoios para este desporto. Só com muito trabalho e com muita dedicação é que conseguimos atingir resultados para garantir a confiança dos nossos patrocinadores.

O título vem trazer um novo impulso nesse trabalho de recolha de apoios? Há novidades neste âmbito?

Sim. Recentemente fechei contrato com um novo patrocinador e neste momento, estou a contactar com novas marcas, para se juntarem ao projeto, que irá continuar nos próximos anos a nível internacional. Ainda estou a preparar 2018, juntamente com a minha equipa e com os atuais patrocinadores para decidirmos qual o próximo passo.

Por ser da Maia, o Renato Pita consegue apoios do município relevantes?

Neste momento, como referi, apenas tenho o apoio da Câmara Municipal da Maia. Quem sabe, novos apoios não se juntarão ao projeto. 

Como piloto tem vindo a juntar-se a causas sociais pedagógicas. Além do marketing que traz para a sua imagem, esta participação vai mais além desse propósito?

Tenho muito cuidado com a imagem e com a comunicação do meu projeto. A sua dimensão assim o obriga. Todo e qualquer projeto deste género, para além dos resultados desportivos, tem que estar apoiado em grandes campanhas de marketing, que garantam o melhor retorno para todos os intervenientes. Neste, não misturo o projeto social que tenho. 

O Etapa Segura visa apenas a sensibilização das crianças para a segurança e prevenção rodoviária. É um trabalho muito importante que estamos a desenvolver há alguns anos e que tem sido reforçado, ano após ano, pelas várias escolas do país.

O lançamento do livro infantil “De mãos dadas com a segurança”, permite-nos chegar a mais crianças e reforçar a mensagem junto dos seus familiares. O Plano Nacional de Leitura recomenda-o e isso também dá uma outra dimensão a todo o trabalho feito em prol desta causa.


Como profissional é metódico na preparação das suas corridas?

Bastante. Sou muito rigoroso em tudo aquilo que faço. Assim me ensinaram e, realmente, é algo que não posso abdicar se quiser atingir o sucesso. Passo esta mensagem a todos aqueles que trabalham comigo, para que possamos todos remar no mesmo sentido.

O Renato Pita na condução diária não aprecia a velocidade?

Utilizo o meu carro como meio de transporte. A velocidade acompanha-me nos dias de prova ou em locais próprios. Já existem locais em Portugal onde podemos tirar partido da potência dos nossos carros e sentir a adrenalina da velocidade, mas em segurança.

No dia a dia devemos respeitar todos os utilizadores das vias públicas. Só assim será possível reduzir os números da sinistralidade que continuam a ser muito preocupantes.

A experiência como piloto traz-lhe uma capacidade crítica mais aperfeiçoada para analisar as condições de segurança nas estradas nacionais. O que mudaria na nossa região, por exemplo?

Ainda existe muita coisa para mudar em termos básicos. A forma como apreendemos o código da estrada e a condução não é o mais aconselhável.
Acho que, neste capítulo, deveria haver uma reforma. A sinalização viária também é um problema que, embora passe despercebida, causa inúmeros acidentes.

Por fim, apostava na formação e educação rodoviária, desde os condutores aos próprios agentes de trânsito, que deveriam ter uma postura mais pedagógica e menos penalizadora.


Angélica Santos