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APPACDM pretende novo lar na zona leste da Maia

Jaime Teixeira assumiu no início deste ano o terceiro mandato à frente da direção da APPACDM – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental. O dirigente começou a colaborar com a direção em 2010, acabando por se candidatar à direção em outubro de 2011 e ficou até hoje a trabalhar nesta missão de “fazer os utentes mais felizes”.

Este mandato é de quatro anos e deverá ser o último que cumprirá como presidente da direção, tendo em conta as novas normas, que impõem limitação de mandatos às IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social).

A APPACDM é uma instituição particular de solidariedade social que presta serviços a cidadãos com deficiência mental, promovendo a sua integração na sociedade e apoiando as suas famílias.

A sua génese remonta à APADIM, criada em março de 1981, sendo mais tarde integrada na APPACDM do Porto. Em 2004 adquire a sua autonomia enquanto APPACDM da Maia.

Em 2015, a instituição viu um dos seus grandes sonhos realizados, com a inauguração e entrada em funcionamento de um moderno edifício em Vila Nova da Telha, onde já funciona um Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) e o tão aguardado Lar Residencial. Este equipamento veio juntar-se aos dois Centros de Atividades Ocupacionais já existentes, em Vermoim e S. Pedro de Avioso.

O edifício novo de Vila Nova da Telha custou cerca de 2 milhões e 80 mil euros, começou a ser construído em 2012 e está a funcionar desde 2015. Teve apoio do Estado a 100% no 1 milhão e 550 mil euros pelo qual o projeto foi orçamentado. “A Câmara ajudou-nos com o restante, pois realizamos uma obra um pouco mais ambiciosa e com equipamentos que inicialmente não estavam orçamentados, mas que nos trazem outra qualidade no atendimento e no tratamento aos nossos utentes”, referiu o presidente da direção.

Procura alargar o atendimento a 73 utentes

A instituição tem apoiado 70 utentes e espera que a Segurança Social possa protocolar o apoio a mais três, dois em lar residencial e um em CAO, dado que “temos mais de meia centena de pessoas à espera de vaga na nossa residência, há muita procura dos nossos serviços”.

Assim, Jaime Teixeira considera importante este apoio à deficiência, aproveitando para destacar “a visão que a autarquia da Maia teve há uns anos, verificando que as famílias têm que ser apoiadas, e ter resolvido apoiar a instalação do equipamento da nossa associação”.

Dentro de uma faixa etária entre os 18 e os 71 anos, os utentes da APPACDM são sempre chamados de “meninos”, o que denota o carinho com que todos são tratados na instituição.

APPACDM trabalha para ter novo lar na zona leste do concelho

Nos próximos quatro anos, queremos criar mais um lar, na zona leste, pois só as freguesias de Pedrouços, Águas Santas e Milheirós têm na nossa instituição 16 utentes, sendo a maioria dos pedidos em lista de espera daquela zona”, explicou Jaime Teixeira, que salvaguardou que o projeto só terá pernas para andar em colaboração com a Câmara Municipal.

Um outro projeto para médio prazo é a mudança do CAO Vermoim para a escola da Granja, que irá ser alvo de obras “muito em breve”. Desta forma, seria mais económico em termos de transportes. O centro de Vermoim não tem as devidas condições de acessibilidade e torna-se urgente um novo espaço com uma estrutura mais moderna e funcional, explicou o presidente da associação.

Em termos sociais, a associação disponibiliza várias atividades de terapia, culturais ou de socialização, como por exemplo as idas à piscina e ginástica, com apoio da Câmara, a música, tuna e rancho folclórico.

Mercado de trabalho é possível para alguns

A inserção dos deficientes na sociedade é uma realidade de alguns utentes da APPACDM. No grupo dos utentes mais autónomos ou menos profundos, tem sido possível inserir com sucesso no mercado do trabalho alguns destes cidadãos diferentes, como por exemplo, na Câmara Municipal, no Zoo, ou ainda em empresas, como o fabrico de sabonetes ou a recolha de material reciclável.

De acordo com Jaime Teixeira, as empresas “têm mostrado abertura para a empregabilidade destas pessoas, que têm competências especialmente para atividades rotineiras”.

A associação está preparada para levar os jovens às empresas, esperando que o tecido empresarial se mostre sensível a recebê-los, sabendo que a associação dá acompanhamento permanente na inserção nas empresas, através dos seus técnicos.

“Os utentes não ficam lá abandonados”, frisou Jaime Teixeira, “há um técnico que os transporta até à empresa e fica com eles cerca de duas horas”. Nas tarefas que lhe são destinadas e para as quais o utente tem competências, verifica-se “um grande empenho” para além de “uma satisfação pessoal muito grande, uma vez que o deficiente sente-se muito agradado de estar a contribuir para servir o próximo com o seu trabalho”.

Angélica Santos