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“Compreendemos muito cedo que o melhor para o concelho era unir forças”

Após ter sido reeleito, através de uma lista única, para a liderança da Comissão Política dos CDS Maia, Manuel Oliveira, tomou posse no dia 19, na presença da presidente do partido, Assunção Cristas e outros convidados.

O mandato será de consolidação do trabalho na concelhia e de continuidade dos debate nos roteiros específicos, que o CDS Maia costuma levar a efeito pelo concelho – adiantou Manuel Oliveira nesta entrevista ao Primeira Mão.

 

Como encara esta nova fase na comissão política do CDS Maia, tendo sido lista única o partido não corre risco de esmorecer?

 

Não me parece que o facto de ter sido lista única seja, por si só, um sinal de que o grau de exigência e compromisso da candidatura que encabecei possa diminuir.

Entendo, tal como em 2016, que os militantes do CDS Maia olham para esta equipa como aquela que reúne as melhores condições para representar o partido no nosso concelho. Além de que todos os militantes são livres, e até incentivados, a apresentarem propostas e lançarem os seus próprios projetos.

No CDS, pelo menos no da Maia, não há totalitarismos nem arranjos de circunstância até porque, se assim não fosse, eu, por princípio, já cá não estaria a dar o meu contributo e o meu empenho para manter um CDS Maia digno e útil enquanto projeto político.

 

O que pretende desenvolver em termos de discussão político-partidária para manter a concelhia com grande participação?

 

Vamos focar-nos em manter a estratégia que apresentámos aos militantes há dois anos. Vamos andar pelo concelho a falar com as pessoas que diariamente respiram a Maia nas suas mais variadas valências. No anterior mandato iniciámos alguns roteiros, como o da Economia, que queremos reforçar com mais visitas ao tecido empresarial. O terceiro sector também teve da nossa parte um cuidado maior e vamos novamente junto dele para perceber até que ponto este continua a ser essencial para uma resposta mais rápida e eficiente que o Estado. É ainda nosso objetivo aumentar o número de debates e conferências que promovam discussões sérias, sempre com contraditório, e de onde brotem mais e melhores soluções. Essencialmente serão dois anos de estabilização do trabalho já iniciado, mas ainda assim não menos exigente.

 

Tendo liderado a Juventude Popular, tem particular sensibilidade para uma liderança no CDS com os olhos postos na juventude?

 

Acredito convictamente que sim. A Juventude Popular é uma extraordinária organização de jovens talentos e cidadãos que escolheram a militância partidária para participar ativamente na sociedade. Tive o privilégio, como refere, de conhecer muito bem a fibra de que são feitos os militantes da JP e tenho um privilégio ainda maior de ter lá feito dos melhores amigos da minha vida.

As minhas equipas do CDS tiveram, têm e terão elementos que ao mesmo tempo pertencem aos quadros da JP. A Juventude Popular da Maia foi essencial no último processo autárquico muito para lá do clássico chavão do “carregar bandeiras”. Contei com a JP, e não me desiludiram, para apresentar pessoas de excelência nas listas da coligação “Maia em Primeiro” à Assembleia Municipal e a quase todas as Assembleias de Freguesia.

A heterogeneidade geracional na política é essencial até porque pessoalmente sempre olhei de lado para a retórica das “políticas de juventude” quando, em boa verdade, todas as decisões políticas afetam, direta ou indiretamente, as presentes e futuras gerações. Veja-se, só para dar um exemplo, a questão da sustentabilidade da Segurança Social.

 

Recordando ainda as últimas eleições Autárquicas, em que o CDS é um dos protagonistas da dinâmica de vitória no município em coligação com o PSD, como encarou a polémica levantada pela oposição na via judicial relativamente aos resultados no concelho?

 

Com alguma surpresa e tristeza, confesso. Fui por diversas vezes elemento nas mesas de voto e cheguei a passar por todos os cargos pelos quais estas são compostas.

Causa-me, por isso, muita estranheza que algumas alegações apresentadas sejam de colocar em causa o trabalho de pessoas que passam mais de dez horas em conjunto a representar a democracia, que frequentemente não se conhecem de lado algum e, ainda para mais, são indicadas por forças partidárias distintas. A probabilidade destas pessoas agirem de forma dolosa e intencional em conjunto parece-me altamente improvável.

Depois, claro, também há outras questões como aquela da Câmara Municipal ser alegadamente responsável por organizar eventos que prejudicaram a mobilidade junto às secções de voto quando, se estivermos atentos, até percebemos que esses eventos não foram minimamente organizados pela Câmara, ou da responsabilidade maior desta, e que a causarem transtorno afetariam todos os eleitores independentemente do seu sentido de voto.

Como sou um institucionalista e acredito na justiça, a justiça decidirá e depois caber-nos-á pronunciar formalmente sobre isso. Ainda assim, não posso deixar de ficar com alguma mágoa pelos danos que toda este assunto trouxe, em temos mediáticos, à marca “Maia” e a quem a representa: a nossa população e todos aqueles que, pelas mais variadas razões, têm contacto diário com o nosso concelho.

O CDS tem tido o mesmo tipo de relacionamento que tinha com Bragança Fernandes agora com António Silva Tiago?

 

São pessoas e estilos diferentes, mas ambos parceiros amigos e cordiais. O CDS Maia tem como princípios o bom senso e a responsabilidade e foi sempre com base nesses que articulei com o PSD Maia o nosso acordo de coligação.

Já por diversas vezes manifestei, em nome do CDS Maia, o reconhecimento que a Maia deve, em muitos aspetos, ao trabalho do autarca Bragança Fernandes e tenho a certeza que a Maia escolheu sabiamente e avaliará com satisfação a experiência e os conhecimentos técnicos que o autarca António Silva Tiago incutirá nas suas novas funções. De resto, continuaremos com uma postura positiva e construtiva, não só com estes dois autarcas, mas como todos os que representam e querem o bem da nossa terra.

 

E como carateriza esse entendimento e alinhamento de estratégias para o município?

 

Se me pergunta se hoje voltaria a assinar esta solução governativa, mesmo depois de sabermos os resultados, eu diria que sim. O CDS Maia sabia o que queria, como deveria atuar e qual era a melhor solução para um concelho que já não precisa de dar provas da sua excelência no país e nesta euro-região.

Fomos humildes e compreendemos, muito cedo, que o melhor para o concelho era unir forças numa coligação renovada que pudesse continuar o trabalho de uma Maia virada para o futuro em políticas, por exemplo, de educação, ambiente e atração de investimento. No entanto, e parece-me importante frisá-lo, cada partido tem a sua estratégia interna e a do CDS Maia é, neste momento, de reforçar a sua base, que conseguiu com o aumento no número de autarcas, nunca perdendo a responsabilidade de pensar mais alto. Acredito muito nesta sustentabilidade, nas pessoas que estão comigo no CDS e no nosso trabalho diário. Trabalhamos sempre para que a Maia e o CDS sejam indispensáveis um ao outro.

 

A implementação da vice-presidência rotativa foi uma ideia que agradou ao CDS?

 

Creio que não cometerei nenhuma inconfidência se contar que, ainda muito antes do dia 1 de outubro de 2017, sempre transmiti pessoalmente ao atual presidente da Câmara Municipal que a vereação é da exclusiva responsabilidade dele e que, até algo grave em contrário, esta equipa terá sempre a minha maior confiança porque acredito na capacidade de liderança do seu timoneiro. Vejo, por isso, a questão da vice-presidência como uma ideia diplomata e original, bem ao estilo da ponderada forma de estar de António Silva Tiago.

Além do mais, não tenho dúvidas que este formato irá aproveitar e destacar os melhores atributos de cada um dos vereadores da coligação Maia Em Primeiro.

 

Está em fase inicial a implementação dos contratos de delegação de competências às Juntas de Freguesia da Maia. Como analisa esses acordos?

 

As Juntas de Freguesia de grandes polos urbanos como o nosso têm sempre uma necessidade acrescida de mostrar a sua mais valia para o desenvolvimento e bem-estar do território.

Sou um descentralizador por convicção e penso que estas delegações de competências, sendo suportadas pelo respetivo envelope financeiro, são positivas e vão de encontro à máxima de que ninguém está mais inteirado do problema de cada rua que a sua Junta de Freguesia.

Apesar das pequenas mudanças na última ronda eleitoral, conheço bem as equipas e o dinamismo de cada uma das Juntas de Freguesia do nosso concelho e sei que cumprirão com excelência estas novas competências permitindo assim que a Câmara Municipal se foque, ainda mais, nas prioridades transversais ao desenvolvimento da Maia.

 

O que o move como político pela defesa dos interesses da Maia?

 

Bem, neste ponto nem me consigo defender com o cliché do “sou maiato de gema” porque isso seria mentira. Como milhares de habitantes do nosso concelho, nasci no Porto e fui registado na Maia, vivi praticamente a minha vida toda na Maia, estudei, até concluir o ensino secundário, nas escolas públicas do concelho e tive a sorte deste percurso escolar coincidir com as grandes transformações urbanísticas do coração da nossa terra.

 

Sendo um vermoense, vi a evolução a acontecer in loco e talvez tenha sido por aí que surgiu a vontade derradeira de participar no que me rodeava. Depois também por ter tido um bisavô que se destacou na política autárquica do concelho do Porto e, por fim, porque faz para mim todo o sentido que cada um de nós encontre uma forma de intervir nas decisões que a todos afetam.  Sobretudo, move-me a defesa da liberdade de participação, da crítica e da iniciativa. Foi o que sempre tive e é o que sempre defenderei na Maia.