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JSD Maia elegeu delegados a Congresso divididos em duas listas

No passado dia 17, realizaram-se por todo o país as eleições para o Congresso Nacional da JSD, a realizar na Póvoa de Varzim, no próximo mês de abril.

A Concelhia da Maia foi a única Concelhia do distrito do Porto com duas listas candidatas, uma delas, a Lista M, encabeçada por Rui Azevedo Silva da qual faziam parte, entre outros, Hélder Quintas de Oliveira, ex-presidente da JSD Maia, e uma segunda, a Lista X, encabeçada pelo atual presidente da JSD Maia, Luís Filipe Barros e, entre outros, Bruno Bessa, António Afonso e Angelina Lima.

As duas listas tiveram um resultado equilibrado, cada uma elegendo quatro delegados, embora a lista X tenha saído vencedora com oito votos de diferença para a M.

De salientar que Luís Filipe Barros renunciou permitindo que vá ao congresso o nº 5 da lista, Rúben Araújo. Na lista M, também Hélder Quintas Oliveira renunciou fazendo uso da inerência a que tem direito pelo facto de ser Conselheiro Nacional da JSD, o que permite a ida ao congresso de Sofia Peneda Barbeiro.

Vontade de mudança da lista M

Pode dizer-se que este resultado espelha uma situação fraturante na JSD Maia e que agora vem ao de cima. Senão vejamos: a lista M divulga os resultados da sua lista de delegados à comunicação social com críticas à atual liderança de Luís Filipe Barros.

Em nota de imprensa a lista M refere que espera que este ato eleitoral «seja o marco da mudança, o grito de revolta de todos aqueles que sentem que foram afastados por um grupo de amigos que com militantes, que em nada se relaciona com a JSD ou mesmo com o concelho da Maia, tomaram a JSD».

Acrescenta ainda que a «atual comissão política da JSD Maia tem que fazer política para os jovens e em prol dos jovens, não só para alguns, mas sim uma política de integração e defesa de todos os jovens maiatos, dando espaço e sendo palco para que estes se sintam integrados na estrutura e consigam assim dar os primeiros passos na vida política do concelho da Maia. Porém, no mandato da atual comissão política assistimos a uma dicotomia paradoxal, isto é, por um lado o número de militantes aumenta num curto espaço de tempo, mas por outro as atividades, a participação dos jovens e a abertura da JSD aos jovens peca por escassez».

Os elementos da lista M referem também que quem votou neste grupo demonstra assim que existe a «vontade clara de uma mudança na gestão que tem sido feita pelos elementos dos atuais órgãos da JSD Maia» e que o «resultado em muito fragiliza a atual comissão política».

Líder da JSD Maia apela a “conduta responsável”

Instada a reagir a estas acusações, a concelhia da JSD Maia emitiu um comunicado, que fez chegar à redação do Primeira Mão, em que afirma que os militantes devem pedir esclarecimentos no «seu plenário concelhio» e que este tipo de «difusão para a comunicação social (…) em nada contribui para o fortalecimento e prestígio da instituição».

Luís Filipe Barros repudia este tipo de atuação, lembrando que é «dever dos militantes da JSD adotarem uma conduta responsável e eticamente irrepreensível, conforme previsto no artigo 17º, alínea e) dos Estatutos Nacionais da JSD».

Por outro lado, recorda que o ato eleitoral realizado em novembro do ano passado em que se apresentou apenas a lista A «correu dentro da normalidade».
O comunicado do líder da JSD Maia esclarece ainda que «a atual comissão política da JSD Maia é composta exclusivamente por militantes que residem na Maia» e que o «facto de alguns membros da CP da JSD Maia trabalharem em prol de coletividades do concelho e desempenharem atualmente funções ao nível autárquico é reflexo da proximidade dos mesmos ao seu concelho».

Luís Filipe Barros esclarece ainda algumas das ligações que tem à Maia e, mais concretamente, à JSD: «Vice-presidente do centro social recreativo e cultural de S. Pedro de Avioso; Presidente de uma Associação de Estudantes durante 5 anos; Vogal, secretário-geral e vice-presidente do núcleo residencial do Castelo da Maia da JSD; Membro do atual Executivo da Junta de Freguesia do Castelo da Maia».

Quanto ao aumento do número de militantes, a resposta é que «é reflexo de uma vontade pessoal dos jovens em integrar uma estrutura política de referência» e que «não compete à JSD emitir pareceres ou opiniões sobre a participação partidária de cada um».

Na atividade aberta a militantes já realizada pela atual comissão política registou-se «uma participação muito satisfatória, atendendo ao número limitado de vagas. De referir que nenhum dos membros da mencionada lista participou na atividade».

Barros dá ainda conta de que nesta altura a JSD Maia está a reunir com todos os executivos das juntas de freguesia do concelho e vereadores da Câmara Municipal da Maia. «Com estas reuniões pretendemos conhecer as políticas de juventude e, posteriormente, debater com os militantes propostas a apresentar aos suprarreferidos órgãos».

A CP da JSD Maia termina afirmando que «pretende com este comunicado clarificar a sua atividade política e mostrar que está focada no que realmente importa: os jovens e a Maia».