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Fernando Pereira é delegado distrital da APDPk e cuidador há cerca de 30 anos

O Dia Mundial da Doença de Parkinson é assinalado a 11 de abril, sendo que a delegação distrital da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson (APDPk), com sede em Águas Santas, promove a comemoração da data este sábado, dia 14, em parceria com a Universidade Católica (UC) do Porto.

Uma tarde de conferências sobre a doença é o que está agendado para o Auditório Carvalho Guerra da UC, na Rua Diogo Botelho, junto à Foz do Douro, no Porto.

A partir das 15h00, acontece a sessão de abertura, que contempla: cumprimentos aos presentes, apresentação da doença de Parkinson – testemunho de Joana Mesquita, doente e dirigente da delegação Norte da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson (APDPk).

Pelas 16h00, Rosa Carla Silva, do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica do Porto apresenta a conferência acerca da “Deterioração Cognitiva nos Doentes com Parkinson – Benefícios da estimulação cognitiva”.

Para as 17h00 está agendada a conferência sobre “O cuidador informal da pessoa idosa com Parkinson”, por Tânia Costa, média do Instituto de Ciências da UC.
O encerramento destas comemorações está previsto para as 16h00.

Doença neurodegenerativa

A Doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum a nível mundial (depois da Doença de Alzheimer) e afeta perto de 20 mil portugueses. Esta doença do movimento tem uma sintomatologia alargada e que varia muito entre os doentes, mas estão identificados quatro sintomas motores muito comuns: lentidão dos movimentos, rigidez muscular, tremor e alterações da postura.

A maioria dos diagnósticos é mais frequente depois dos 55 anos, sendo 20% dos casos detetados antes dos 50 anos. Em Portugal estimam-se que existam 18/20 mil doentes. Não é muito fácil diagnosticar a doença, que pode afetar a pessoa em idade jovem, nalguns casos na casa dos 30 anos. Foi o caso da esposa do delegado distrital do Porto da APDPk, Fernando Pereira, que ao chegar aos 38 anos começou a sentir as debilidades próprias de Parkinson.

Fernando Pereira é delegado distrital da APDPk e cuidador há cerca de 30 anos

Fernando Pereira tem sido cuidador da sua mulher ao longo de perto de 30 anos e também devido a esta ligação à doença aceitou o convite para liderar a delegação distrital do Porto da APDPk.

A delegação tem tido a preocupação de realizar convívios entre doentes e familiares, tendo sempre presente que além das dificuldades motoras, um dos grandes problemas que afeta todos os doentes é o isolamento e a perda de autoestima. Um estado que se poderá estender aos cuidadores e familiares, algo que, sublinha Fernando Pereira, é preciso combater.

Assim, a delegação da APDPk já tem mais ações agendadas para os próximos meses: a 5 de maio, uma palestra na Junta de Freguesia do Bonfim, Porto; dia 12, outra palestra no Marco de Canaveses; dia 19, formações técnicas de suporte básico de vida nos Bombeiros de Ermesinde; a 14 de julho, realiza-se um passeio de sócios a Ílhavo (Costa Nova); dia 27 de outubro, haverá um passeio a Fátima, para assinalar a data de falecimento do Papa João Paulo II.

Ações da Delegação Distrital em Águas Santas

A sede da delegação distrital do Porto desta associação promove fisioterapia em grupo, empréstimo de equipamento como cadeiras de rodas, através de protocolos com entidades. Está instalada desde 2007 no concelho da Maia, pois foi graças à cedência de duas salas pela Câmara Municipal maiata, no edifício da PSP/SMEAS, que se tornou possível dar continuidade à atividade da delegação no distrito.

Uma das salas funciona como secretaria e espaço de acolhimento de sócios e convidados, enquanto a outra é um verdadeiro ginásio de fisioterapia por onde passam semanalmente cerca de duas dezenas de doentes.

Fernando Pereira já solicitou um novo apoio à autarquia, o alargamento do espaço da associação para uma terceira sala, onde será instalada a terapia da fala, outra “das grandes necessidades que os nossos doentes têm e que é muito importante para que não percam o contacto social e caiam no isolamento”.

Por outro lado, o delegado distrital aponta outra necessidade para apoiar os doentes de Parkinson, uma carrinha de transporte. Este projeto é uma das suas prioridades para os próximos tempos, para a qual irá procurar apoios, quer junto da Câmara Municipal, quer junto de entidades privadas, que possam ajudar à concretização deste anseio. E lembra que os donativos são uma forma muito importante de sobrevivência para esta associação, realçando o recente, que foi oferecido pelo Acro Clube da Maia, fruto da bilheteira de uma das suas galas. “Foi uma ajuda muito boa que agradecemos e esperamos que a comunidade continue a ter este tipo de gestos para nos apoiar”, afirmou Fernando Pereira.