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Junta de Nogueira Silva Escura aposta na requalificação de cemitérios e pavilhão polivalente

Ilídio Carneiro tem cerca de 38 anos como autarca na freguesia de Nogueira, sendo desde o último mandato, em união com Silva Escura. Durante os últimos quatro anos desempenhou as funções de tesoureiro, mas após as eleições de 2017 voltou ao cargo a que muito já se habituaram – presidente da Junta de Freguesia.

É muito tempo a gerir uma junta de freguesia, mas Ilídio Carneiro diz que continuará até a população assim o entender, dado que este tipo de funções cola-se à identidade de uma pessoa, é “como um bichinho que fica e se vai agarrando a nós à medida que o tempo passa”, referiu nesta entrevista ao Primeira Mão.

E depois, frisou, há sempre muitos “desafios e muito trabalho” a fazer em prol da população, “é isso que me move”.

Nas Juntas de Freguesia a receita é escassa

O presidente de Junta refere que não há muitos meios para conseguir receita e que as verbas não são suficientes para ter muita ambição, em termos de concretização de obras estruturantes. Há obras de grande envergadura que “temos que esperar que a Câmara Municipal da Maia possa concretizar, porque não temos capacidade para as realizar”, existindo outras que tem que ser forçosamente a Junta de Nogueira Silva Escura a levar por diante.

No caso das primeiras, as obras de “grande capital”, Ilídio Carneiro refere a requalificação urbana do largo de Barroso, que “está muito saturado”, devido ao aumento de circulação na sequência da instalação no edifício sede da Junta do posto de correios e do posto de saúde, “e que deu um incremento enorme àquela área”.

O autarca salienta que a maior utilização do espaço é positiva, “foi para isso que ele foi criado, para servir”. Porém, colocam-se outros problemas que é importante resolver, como o caso da procura de lugares de estacionamento. “A Câmara já nos disse que será necessário fazer algumas aquisições de terrenos e só depois partir para as obras, o que deverá demorar o seu tempo, algo que não podemos precisar, tem o seu ‘timing’”, afirmou Ilídio Carneiro.

Prioridade na área desportiva

A outra obra importante tem a ver com a área desportiva: “temos um campo no monte de Santo António, à moda antiga, sendo necessário dotar de melhores condições para que pudesse apoiar a atividade do Nogueirense, mas também do Grupo Cultural e Desportivo de Silva Escura, que não tem onde treinar os seus miúdos e também merece ser apoiado. Como o estádio tem boas condições, há muitos pais de fora da freguesia que levam os filhos para treinar neste clube e neste espaço, o que deixou as instalações saturadas”.

Ainda no âmbito das obras camarárias necessárias, o autarca enumera como “muito importante a ligação da A41 ao lugar de Vilar, na área de Nogueira, para desanuviar o trânsito junto ao Maia Jardim”. O presidente refere que na última Assembleia Municipal, no dia 9, esta obra viu ser aprovado o reforço de verba.

Cemitérios e polivalente na mira das ambições da Junta de Freguesia de Nogueira Silva Escura

No que respeita à Junta de Freguesia apenas é possível “angariar receita às licenças dos cemitérios e aos atestados passados pela Junta”. Embora a Câmara da Maia apoie os novos projetos em cerca de 50%, a Junta tem que ter sempre o valor residual, pelo que, “ou gastamos o dinheiro realizando muitas despesas correntes ou vamos reservando verbas para ter mais ambição”.

No atual mandato, Ilídio Carneiro aponta as necessidades de realizar obras nos cemitérios: “precisamos de ampliar o cemitério nogueirense, pois a parte nova já esgotou, e de beneficiar as áreas de casas de banho e ampliar o de Silva Escura”.

Além disso, “precisamos como de pão para a boca”, explica Ilídio Carneiro, de “requalificar o pavilhão polivalente, que está degradado e que tem tido uma grande utilização pela população, e ainda bem, quer da parte social, quer religiosa, quer desportiva”.

Delegação de competências não traz muitas alterações de fundo

Já neste mandato, a Câmara da Maia estabeleceu protocolos com as Juntas de Freguesia para a delegação de competências e respetivas verbas. Acordo que não mudará muito a gestão da Junta de Freguesia, afirma Ilídio Carneiro, lembrando que “já o Dr. Vieira de Carvalho nos seus mandatos atribuía as verbas por protocolos e por duodécimos às freguesias e as coisas funcionavam relativamente bem”.

Ilídio Carneiro reforça que, “de acordo com a lei, agora, o governo entendeu que para as Câmaras atribuírem as verbas teria que estar consagrado no decreto-lei onde constariam especificamente as atribuições e a respetiva verba”. Naturalmente, a partir deste protocolo com a Câmara, as “Juntas terão que realizar relatórios de execução, havendo mais rigor nas tarefas”. O certo é que, assegura, os “critérios rigorosos baseados em índices de população e de áreas já vinham de outros tempos no município da Maia, tendo sempre existido equilíbrio na distribuição de verbas”.

As mudanças com a nova legislação serão ténues, considera o autarca, referindo que houve um reforço de verbas na ordem dos 5 mil euros, num valor global anual que ultrapassa os 100 mil euros. Quanto às atribuições, a Junta passa a ter algumas novas, de onde salienta a responsabilidade por alguma sinalética e equipamento urbano, mas deixa de ter, por exemplo, “responsabilidade pelo edificado escolar”, mantendo-se sob a sua alçada apenas a parte exterior das escolas.

Ainda assim, sublinha o autarca, “bem sabemos que a Junta deverá continuar a estar atenta a algumas necessidades que venham ocorrendo nas escolas, coisas de pequena monta, mas urgentes. De facto, a Junta é o órgão mais próximo e seremos com certeza aqueles a quem as escolas vão continuar a recorrer se querem ver as coisas resolvidas, pois se a Câmara da Maia concessionar esse trabalho a uma empresa, não deverá haver a mesma capacidade de resposta”.

Sociedade e Cultura

No que diz respeito a atividades ou apoios ao nível sócio-cultural, o executivo de Ilídio Carneiro tem poucas verbas disponíveis para utilizar, mas o presidente vai tentando oferecer alguns “mimos” à comunidade como o passeio anual dos idosos, alguns apoios para passeios escolares, o Dia da Mulher, que foi comemorado pela primeira vez este ano.

Mas 2018 vai ser a marca para outras realizações, como adiantou ao Primeira Mão, “voltaremos a ter os Jogos Tradicionais, também pensamos organizar um torneio entre gerações e iremos voltar a ter o Festival de Folclore”.

Kit de maternidade é novidade mais recente

A mais curto prazo, o presidente da Junta de Nogueira Silva Escura aponta a entrega de um kit de maternidade, já a partir deste mês. “Vamos dar um apoio aos nossos residentes com nascimentos na sua família”, entregando um pacote de produtos de uma marca bem conhecida. Aqueles já foram adquiridos e o executivo está a trabalhar na sua divulgação, explicou Ilídio Carneiro.

Os residentes podem inscrever-se na Junta e, aquando da chegada do bebé, terão direito a este presente de “grande qualidade” para os recém-nascidos.

De acordo com o autarca, a estimativa de nascimentos é de 20 crianças, tendo em conta os dados de anos anteriores, no entanto, tem esperança de que o número possa aumentar no sentido de rejuvenescer a comunidade.