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Selo pela Saúde é um objetivo que une industriais de panificação até 2021

A Panificação tem uma associação que a representa no Norte. A sede é na Maia, mas ainda são poucos os associados tendo em conta o universo de comércio e indústria existentes no mercado.

O pão como produto tradicional é ainda um filão com muito para desenvolver tendo em conta a variedade e qualidade do pão português, como frisou António Fontes, presidente da AIPAN – Associação de Industriais da Panificação, Pastelaria e Similares do Norte, em entrevista ao Maia Primeira Mão.

800 associados

A AIPAN – Associação de Industriais da Panificação, Pastelaria e Similares do Norte foi fundada logo após o 25 de abril de 1974, no Porto, tendo pouco depois transferido a sede para a Maia, por questões logísticas, mas aproveitando a proximidade e acessibilidades desta cidade, que afinal tornou-se conhecida ao longo de décadas por ser o “celeiro do distrito do Porto”. A Maia teve sempre uma forte produtividade na área dos cereais, que abasteciam uma grande fatia dos panificadores do distrito.

Atualmente a AIPAN tem cerca de 800 associados em toda a região Norte e é presidida por António Fontes, que frisou precisamente a pouca representatividade da associação face ao mercado existente. O responsável pela direção refere que não será pelo valor da quota de associado, que equivale a menos do preço de um café por dia, antes por uma questão cultural ainda arreigada a muitos empresários e comerciantes, pouco habituados a trabalhar em equipa.

O certo é que, afirma António Fontes, “em equipa fazem-se sempre muito boas coisas sendo que a necessidade de estarmos vinculados a uma associação empresarial é de extrema importância, é lá que surgem as decisões e que surgem as discussões”. A AIPAN tem um papel e uma voz muito importante nas “questões laborais e jurídicas” que os empresários do setor não devem descurar e sim aproximarem-se.

Selo pela Saúde nº 1 foi atribuído em Santo Tirso

António Fontes salientou a questão ligada à nova marca no setor associada à saúde, designadamente a diminuição do sal no pão, com a criação do selo da saúde. O secretário de Estado Adjunto da Saúde aproveitou o Congresso da AIPAN, realizado em abril deste ano no Fórum da Maia, para lançar essa novidade e o dia do congresso ser o dia do lançamento do selo da saúde “valorizando as empresas por essa via”.

O presidente da Associação revela que, efetivamente, isso já aconteceu aqui a Norte: “em Santo Tirso já temos o selo número um da qualidade do pão pela saúde, através do fator do sal. O selo é atribuído pelo Serviço Nacional de Saúde, que visa identificar nesta fase inicial do projeto os estabelecimentos que cumprem a legislação do sal. Essa legislação foi alterada em 2009, onde nós também fomos intervenientes. Percebemos que, sendo o sal uma temática muito importante para a saúde pública, tendo em conta a função social do pão, percebemos que podíamos ter um alto contributo nesse objetivo. Nestes 9 anos percebemos ainda que podíamos ir mais longe e ser mais ambiciosos seguindo o desafio do SNS de corrigir ainda mais e gradualmente o teor de sal adicionado ao pão até 2021. É essa campanha que está a ser iniciada agora”.

De acordo com o responsável pela AIPAN a redução do teor de sal no pão desde 2009 até agora foi de 40%, sendo o objetivo até 2021 reduzir mais 30% do sal, o que significa que “ao longo desta década foi possível reduzir o teor de sal quase em metade sem danos para o produto ou para o setor”.

O selo pela saúde é atribuído à empresa pela aplicação da legislação do sal à maioria dos seus produtos, “de forma relevante”, embora seja admitido que o estabelecimento comercialize “alguns produtos diferenciados, devidamente assinalados”. António Fontes refere que não poderá haver uma mudança imediata, pelo que a aplicação da legislação a cumprir até 2021 deverá ser implementada de forma gradual, pois “o pão tem que ter sabor e deverá manter as suas caraterísticas de base, sendo que o consumidor não poderá sentir-se desagradado em relação ao produto”.

Projeto pelo Norte 2020 recupera a tradição no pão

Por outro lado, António Fontes salienta a importância da fazer sentir no consumidor a qualidade do pão mais tradicional e valorizando os produtos que se distinguem em cada região: “Recuperar todo o conhecimento do processo de fazer pão artesanal para não o perder, adaptando-o num indústria que o pode fazer, hoje, recuperando muito do processo a ele associado e transformando esse produto numa tipologia de produto artesanal. Fomos buscar a sabedoria da senhora Maria, do senhor Joaquim, que faziam pão em casa ou num forno comunitário para que não se perca e adaptamos à indústria de hoje”.

O dirigente da AIPAN refere que a entidade está envolvida num projeto do Norte 2020 que se chama “Futuro na Tradição”, com o propósito de recuperar as designações e siglas que formam uma identidade, principalmente aqui no Norte, onde existem muita coisa perdida, trazendo para o mercado e apresentando os produtos distintivos. Todos reconhecemos o pão de Mirandela, a broa de Avintes ou a broa de milho do Minho. São produtos que são ‘sui generis’ e que, se não fizermos nada por eles, poderão deixar de estar à nossa mesa num futuro próximo”.

“Faltam escolas”

A formação é atualmente uma dificuldade para os empresários do setor. O Centro de Formação Profissional do Setor Alimentar tem sede em Lisboa e a delegação do Porto ficou sem instalações, sendo que ainda se procura uma solução para esta delegação no Norte.

“Existe uma fase de vazio na formação, pelo que a AIPAN, uma das entidades protocoladas com o Centro de Formação, está a negociar com o IEFP uma forma de resolver este assunto, já que, entretanto, têm que ser as empresas a dar conta da formação a nível interno. De notar que a formação inicial na panificação é de 1500 horas”, refere António Fontes, que sublinha a falta de escolas nesta área.

Para a Associação de Industriais da Panificação, Pastelaria e Similares do Norte a realização do Congresso em abril, na Maia, foi um marco importante para o setor, como referiu António Fontes, que destacou a presença de uma delegação francesa, já conhecida da AIPAN, “porque também participamos em feiras e congressos internacionais, essa é uma das nossas funções. Houve a oportunidade de os trazer cá para perceber e particularizar algumas das culturas e processos que estão associados à temática do pão em particular. O Congresso serviu exatamente para marcar uma posição nesse sentido”.

Este congresso “foi um dos eventos mais importantes que se fez desde 2007. Isto porque nesse ano aconteceu no Palácio de Cristal o Festival Europeu do Pão, que juntou nove padarias de nove países diferentes, com uma temática ligada ao pão muito interessante. Agora este congresso, ao fim de quase uma década, decorreu de forma muito interessante e temos recebido elogios de muitas pessoas de várias áreas do setor da Panificação e da Saúde”, concluiu António Fontes.