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Miguel dos Santos concentra atenções no Centro Cívico de Águas Santas

Eleito há cerca de sete meses (numa lista do PS) como presidente da Junta de Águas Santas, Miguel dos Santos, estabeleceu consensos e considera que tem reunidas condições para cumprir com o seu projeto para a freguesia, que poderá ser estendido a 12 anos.

Após os primeiros sete meses de exercício na presidência da Junta de Águas Santas que balanço faz?

Decorridos estes meses o balanço que faço é positivo. O trabalho com a equipa do executivo decorre de uma forma normal e planeada, não fosse o facto de serem pessoas que foram convidadas previamente para este projeto, aquando da elaboração da lista candidata, para assumirem funções específicas.

No caso particular da coligação pós-eleitoral, estabelecida com o BE, o balanço é também muito positivo, uma vez que partilhamos preocupações e inquietações comuns, com o objetivo de melhorar a nossa Freguesia diariamente.

Não posso também deixar de dar uma nota a todos os colaboradores da autarquia que, apesar das naturais mudanças pela existência de novos protagonistas, têm mostrado um forte empenho e colaboração para o sucesso dos projetos e iniciativas da Junta de Freguesia.

Das necessidades da freguesia, o que já tem em fase de implementação para colmatar as falhas existentes?

As questões de resposta social são para nós prioritárias e, nesse sentido, estamos a trabalhar para corporizar ainda este ano dois projetos que visam chegar aos mais desfavorecidos e socialmente mais frágeis. Um dos projetos prende-se com a temática do envelhecimento ativo e com o qual pretendemos dar um novo alento aos nossos idosos, podendo-lhes proporcionar um projeto de forte dinâmica, interação e aprendizagem com a criação de uma Universidade Sénior.

Outro dos projetos passa por uma resposta social a famílias mais desfavorecidas e com necessidades especiais ao nível da saúde. Acredito ser ainda possível este ano a concretização e o arranque destes dois projetos sociais.

Outro compromisso eleitoral, no qual começamos desde logo a trabalhar foi o da dinamização do Centro Cívico, potenciando as excelentes capacidades do espaço e do Auditório Manuel Correia. No entanto, após um diagnóstico aos meios técnicos percebemos que o Auditório não estava dotado de meios essenciais à realização de alguns eventos, pelo que avançamos com o investimento em meios técnicos que nos permitam desenvolver eventos culturais dirigidos a todos.

Saliento ainda o levantamento dos Artistas da Freguesia, que está em curso, e que pretende fazer a identificação de aquissantenses que se destacam em variadas áreas culturais, para nos permitir a criação de uma Mostra Permanente destes artistas naturais.

Outro tema central passa pelas responsabilidades e competências da Junta no âmbito da preservação e manutenção dos espaços púbicos, um compromisso inabalável. Após um diagnóstico realizado aos nossos meios e equipamentos, decidimos dotar a freguesia de um novo veículo com mais capacidade de resposta às necessidades e segurança para os nossos colaboradores.

Quais os principais projetos que tem para o mandato?

Sempre defendemos que o edifício do Centro Cívico, onde está inserida a Junta, deve ser dinamizado e tem condições para ser um polo agregador de várias valências. É nesse sentido que temos, desde o primeiro dia, promovido os nossos espaços por forma a que aqui se realize um grande conjunto de atividades, algo que do ponto de vista cultural e de relação com as nossas associações e instituições já tem ocorrido, sendo prova disso a larga dezena de eventos que já aqui aconteceram nos últimos meses, desde a realização de galas, a eventos de formação em saúde e desporto, à realização de festas abertas a toda a população e à realização de eventos da comunidade escolar e das nossas coletividades.

Do ponto de vista de serviços também consideramos ter condições reunidas para centralizar várias valências e é nesse sentido que cedemos já um espaço para recebermos, a partir de julho, a repartição dos SMEAS, assim como o GAIL – Gabinete de Apoio Integrado Local e o GIP – Gabinete de Inserção Profissional, dando assim cumprimento à preocupação de criar uma nova centralidade. É uma resposta efetiva à população e dá uso ao elevado investimento feito no Centro Cívico.

No entanto, temos a preocupação da acessibilidade ao Centro e temos, desde a primeira hora, debatido esta questão com a Câmara, a qual se encontra sensibilizada e a trabalhar em conjunto com a Junta para resolver, ainda neste mandato, esta lacuna. No que respeita à ocupação do Centro Cívico temos já em avaliação, e julgo que com uma grande probabilidade de êxito, a instalação de uma “incubadora” de empresas para jovens que pretendam iniciar a atividade em Águas Santas.

A dinamização deste espaço, com o investimento que já estamos a fazer, ficará concluído com a criação de uma agenda cultural permanente, centrando em Águas Santas eventos culturais de relevo, aos quais juntaremos ainda, noutros espaços, eventos como festivais e ações de sensibilização para a prática desportiva e para o envelhecimento ativo.

E destaco um dos principais projetos, que tudo faremos para iniciá-lo ainda este ano – a criação da Universidade Sénior. Um espaço onde os nossos idosos poderão conviver, aprender e dar um novo sentido a estes anos da vida que, felizmente, se vivem mais e com mais qualidade, fazendo todo o sentido existir um projeto deste género que vise a ocupação do tempo também com qualidade.

E para terminar, destaco o projeto dos Orçamentos Participativos. Queremos avançar com dois tipos de orçamentos participativos, um mais genérico e outro desenvolvido com as forças vivas de Águas Santas. Acreditamos poder iniciar estes projetos já em 2019, podendo assim trazer todos a participar na gestão da nossa Freguesia. Estamos ainda a avaliar, com recurso às novas tecnologias, um projeto de participação cívica, direcionado para os mais jovens, os quais queremos trazer para a participação social.

Do contrato de delegação de competências assinado com a Câmara Municipal, o que destaca como pontos positivos para a futura gestão da Junta?

O contrato de delegação de competências é uma ferramenta essencial para a atuação e para a clarificação das competências da Junta de Freguesia nalgumas áreas de intervenção, que acredito haveria espaço para serem ainda mais alargadas, aumentando o grau de parceria com o Município.

Por isso, não me chocaria a existência de contratos diferenciados. Entendo, contudo, a posição de maior harmonia geral adotada pela CMM, mas acredito que no caso particular de Águas Santas teria sido possível ir mais além. No caso específico do contrato assinado este ano, prevê-se um aumento de verbas de cerca de 25% para este ano e de 50% para os restantes anos.

Esta conjuntura permitirá darmos maior resposta na nossa área de competências, permitindo assumir outras obras de maior envergadura, como é exemplo a construção de um murete, reivindicado há cerca de sete anos, na escola EB1 da Pícua.

Apesar de ser proveniente de uma família partidária diferente da que prevalece no executivo camarário, sentiu-se bem acolhido como autarca maiato pelos líderes camarários?

Apesar das diferenças políticas assumo que, nestes primeiros meses, as relações institucionais com a CMM têm sido eficientes. Tive já a oportunidade de reunir com o presidente e com diversos vereadores e não senti qualquer tipo de problemas relacionados com o facto de pertencermos a famílias políticas distintas. Na verdade, não esperaria outra atitude uma vez que o nosso interesse é comum – o de servir melhor a população que nos elegeu.

Estando o presidente da Câmara a dedicar um dia a cada freguesia com visitas às obras, o que pensa desta iniciativa?

Sou adepto da política de proximidade. Em Águas Santas, diariamente, promovo o contacto com as pessoas, desloco-me aos locais e avalio com os aquissantenses as suas necessidades. É no terreno que sinto as verdadeiras dificuldades e que melhor me preparo para defender projetos e necessidades.

Sendo Águas Santas uma freguesia periférica do concelho, mais afastada do centro, considero positiva a iniciativa que o presidente da Câmara está a desenvolver. Contudo, ela não terá eficiência se se tratar apenas de uma visita isolada e de um projeto sem continuidade. Será fundamental reforçar esta presença e sentir as necessidades de perto. Como medida de avaliação e de diagnóstico considero a medida positiva.

Nestes primeiros meses, tive já a oportunidade de estar com o Presidente da Câmara, no terreno, algumas vezes, pelo que acredito que dará seguimento às questões que vierem a ser levantadas nessa visita. Do nosso lado, como habitualmente, prepararemos esta visita da melhor forma, para que o Presidente da Câmara possa tomar contacto com algumas necessidades e potencialidades da freguesia de Águas Santas.

O seu projeto é de 8 anos?

Eu e a minha equipa apresentamos um programa ambicioso à freguesia. Temos como objetivo estratégico fazer de Águas Santas uma freguesia de referência no quadro das grandes freguesias. Nesse sentido, temos a consciência que muito do trabalho só será visível e totalmente adquirido a médio prazo.

Com todo o risco de parecer petulante na minha resposta, a verdade é que o nosso projeto é para 12 anos, pois acredito ter o entusiasmo e uma equipa para tornar efetivamente Águas Santas numa freguesia inovadora, com qualidade de vida, dinâmica, amiga dos que mais necessitam, em suma, uma freguesia referência.

Aquilo que já foi possível realizar nestes primeiros meses reforçam o nosso alento e acredito, até pelo contacto diário que tenho com as pessoas, de que também elas se sentem agradadas com as mudanças já conseguidas e, por isso, conto estar cá para continuar este trabalho e ver o seu pleno resultado.