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Camiões (da Maiambiente) com Arte

Já circula, pelas ruas do concelho, a 2ª edição do projeto “C-Mobile: Cultura em Movimento”. São 16 ilustrações, criadas pelos alunos da ESAD – Escola Superior de Artes e Design (Matosinhos), que andam agora sobre rodas nas viaturas de recolha de resíduos da Maiambiente.

Com este projeto, a Maiambiente pretende continuar a sensibilizar a comunidade educativa para a temática do desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo que se leva a cultura aos cidadãos do concelho da Maia.

A apresentação das viaturas realizou-se no dia 9, na Praça Doutor José Vieira de Carvalho (em frente à Câmara Municipal da Maia). A cerimónia foi presidida por António da Silva Tiago, presidente da Câmara da Maia, Paulo Ramalho, presidente do Conselho de Administração da Maiambiente e Marta Peneda, vereadora do Ambiente e da Educação do município.

Este desafio integra o projeto desenvolvido pela ESAD e pelo Museu Nacional da Imprensa com o artista brasileiro Cau Gomez, no âmbito do cartoon e caricatura. A iniciativa conta ainda com o apoio da ad quadratum arquitetos.

Em janeiro de 2017, a Maiambiente, EM e a ESAD – Escola Superior de Artes e Design assinaram um protocolo de cooperação com vista ao desenvolvimento conjunto do projeto “C-MOBILE: Cultura em Movimento”.

Trata-se de um projeto pioneiro em Portugal, que pretende promover e disponibilizar o acesso universal à arte, nas suas diferentes formas de expressão, bem como a divulgação de novos artistas.

Com o “C-MOBILE” a Maiambiente dá uma utilização adicional aos seus camiões do lixo: transforma-os em veículos de cultura, ao mesmo tempo que recolhem os resíduos urbanos do concelho.

Ilustrações “O Homem, o Meio e o Ambiente”

Com supervisão do Cartoonista Internacional Cau Gomez, os alunos/artistas da ESAD fizeram parte de um atelier de trabalho sobre a temática “O Homem, o Meio e o Ambiente” que culmina agora com a apresentação pública das 16 ilustrações criadas e implementadas em oito viaturas de recolha de resíduos urbanos.

“A Revolta”, por Joana Godinho. É a revolta da natureza contra o Homem, devido às suas ações perante o meio ambiente. Satiriza/critica o facto de que todos sonhamos com férias paradisíacas, mas que não estimamos o que nos rodeia. As consequências destas ações estão perante os nossos olhos, mas mesmo assim o Homem prefere não ver ou ter consciência do que tem causado.

“The Creation os Adam”, de Juma Bastos. A inspiração no fresco de Miguel Ângelo reforça o tema abordado. Esta imagem tão icónica e com uma expressão POP, transporta-se para o mundo contemporâneo, como se ele dependesse deste gesto (a reciclagem) para sobreviver.

“S_Título”, por Miguel Howard.O Homem não consegue viver sem o seu meio ambiente, quer seja cidade ou natureza. Sem este, o futuro do Homem está em risco.

Se a cidade (o azul) e a natureza (o verde) desaparecer, o Homem (a mão), a contraforma na imagem, deixa de existir.
 

“Presságio”, de Teresa Morão. O primeiro mundo ainda está relativamente a salvo de consequências ambientais, no dia-a-dia da maioria dos seus habitantes.

Nós estamos habituados a ignorar um problema até este nos afetar diretamente, seja por ingenuidade, inexperiência ou irresponsabilidade. Reflitam sobre as vossas atitudes perante o ambiente e pensem.

“Pós-Natureza”, de Francisca Freitas. É a previsão de uma natureza extinta, reavivada pela necessidade. A necessidade de salvar o que nos sustenta e o que nos abala, num equilíbrio de forças.

A Natureza e o meio ambiente são os nossos parentes mais próximos, que nos levarão sempre à verdade mais crua. Para salvar o planeta ainda não é tarde demais.

“Pescador heróico”, por Filipa Gonçalves. Num mar de tanta poluição, cabe a todos nós assumir o papel de pescadores heroicos.

“Myrtillocactus Geometrizans”, por Carolina Feijó. Representa uma época em que todas as plantas estão extintas. A natureza representada na tela ilumina duas personagens de duas gerações, estando a mais velha a apresentar algo à mais nova, que esta não será capaz de ver de outra forma.

Enfatiza a necessidade que temos de cuidar do meio que nos rodeia, para que este momento nunca chegue a ser uma realidade.

“Mundo verde”, de Jéssica Ferreira. O ser humano é representado por várias pessoas, e cada uma delas cuida de uma planta, para proteger o planeta. O gato simboliza os animais e como eles também precisam de um “Mundo Verde”, saudável e limpo.

“Mãe Natureza”, de Sofia Castro. Representa a ligação da Natureza com o ser humano, com a envolvente e todas as criaturas que a habitam, e relembra a importância que o nosso impacto tem, assim como o nosso dever de cuidar do mundo.

“Espírito-matéria”, por Mariana Ferreira. Existe uma oposição entre o Homem e a natureza, o espírito e a matéria, o mundo dependente e independente. A visão antropocêntrica coloca o Homem no centro do universo em oposição à natureza e, apesar desta ser a condição da sua existencialidade, é ele quem estabelece a ponte entre os dois mundos adequando a natureza ao seu propósito para criar o ambiente em vivemos. A natureza torna-se num meio para chegar a um fim

“Edição limitada”, de Pedro Lobo. Aproveitem! Stock contado, quase todo reservado. Já só restam uns quantos tamanhos e mesmo esses não estão ao nosso dispor. Nos saldos foram cortando e dividindo, e cada vez mais subtraindo. Já quase não nos resta nada. Vamos aproveitar a edição limitada.

“De olhos em ti”, por João Queirós. Os olhos que sobressaem no meio da natureza, captam a atenção das pessoas que a veem e fazem-nas pensar. Este olhar discreto, mas atento, tem o intuito de fazer as pessoas pararem e refletirem nos seus bons ou maus hábitos ambientais.

“Cidade Maia”, de Ana Macedo. Adotando a estrutura de um antigo templo maia, a vida cultural, política e económica desta cidade portuguesa homónima é retratada através de símbolos. O equilíbrio louvável entre o Homem, o Meio e o Ambiente, num presente que mantém as tradições do passado, tornam-na num local atrativo para aí se viver. Uma cidade que, tal como a outrora cultura maia, vive já no futuro.
 
“Bonsai”, por Sandro Delgado. Clint Eastwood rega um bonsai. Na desconstrução das três temáticas centrais do conceito, “O Homem, O Meio e O Ambiente”, traçou-se um paralelo com o filme “O Bom, o Mau e o Vilão”.
A temática é marcante não só pela semelhança dos títulos, mas também pelo lado humorístico intrínseco deste personagem, que apesar de sisudo apresenta preocupações ambientais.
 
“Trash Monster”, de Catarina Silva. O conceito foca-se em duas interpretações (esta positiva, a outra negativa), de um monstro que vive obcecado por lixo e poluição.

1ª — Aqui o monstro ocupa-se no tratamento e recolha de lixo. O monstro é uma visão do ser humano, que tanto ajuda a poluir o planeta, como tenta ajudá-lo a livrar-se de tal.
2ª — Aqui o monstro ocupa-se a poluir e a criar mais lixo. O monstro é uma visão do ser humano, que tanto ajuda a poluir o planeta, como tenta ajudá-lo a livrar-se de tal.