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Festas da Maia rumo à modernidade

O programa das festas do concelho deste ano é muito diversificado, envolvendo toda a comunidade neste conjunto de animações. A equipa da comissão de festas é, em 2018, liderada por Nuno Raposo.

Primeira Mão: Procura-se nesta edição manter a diversidade embora na parte dos concertos haja mais modernidade…

Nuno Raposo: Temos de tudo. A nossa primeira atividade é a Caminhada Maia, nos caminhos de Santiago. Já vai na sua 6ª edição, porque a Maia tem uma tradição nos caminhos que aqui passam. Este ano chegamos a Valência com um grupo de 120 pessoas, por isso é uma atividade que não é propriamente restrita a um pequeno grupo, mas que já está bem consolidada.

Porém, o programa estende-se a iniciativas como o desfile equestre, o encontro de coros, ou pelo festival de folclore, mantendo estas tradições da romaria.

Não nos fixamos apenas no que é tradicional, também procuraramos os grupos mais inovadores, os grupos mais à frente. Temos um grande leque, este ano, desde Piruca, Expensive Soul e Calema, a par de Carminho, já mais no âmbito do Fado. As antigas festas da Maia andavam mais pela procissão, as bandas de música, o folclore. Aos poucos fomos enriquecendo o programa e este ano também assim acontece. Neste momento, penso que qualquer maiato que se preze já exige umas festas do concelho com uma certa qualidade elevando o nível.

E depois o programa não é só musica, abrange uma série de atividades culturais e diversificadas também, para várias idades e vários gostos.

Há um grande incentivo à leitura, através da feira do livro, que merece um grande empenho da parte da Câmara. A Junta de Freguesia da Maia faz uma exposição na antiga sede da Junta, tal como fez em Gueifães, sobre a Maia dos Tempos Antigos. Algo com o qual as pessoas mais idosas se podem rever.

Há ainda uma grande parte desportiva no programa, com muitos encontros, muitas galas jovens, aproveita-se agora no período em que os jovens já estão de férias para fazer o fecho de um ciclo em termos de atividades. Porque é nesta altura que sabe bem, é Verão, e temos muito mais público para assistir a todas estas festividades.

A comissão de festas procura trabalhar para maiatos e não só?

O nosso objetivo é, em primeiro lugar, honrar a Nossa Senhora do Bom Despacho. É por ela que trabalhamos e é por ela que fazemos a festa. Não fazia sentido ser de outra forma. Para nós o que está primeiro é a igreja e a procissão em si, trazer o máximo de gente ou o maior número possível de pessoas à procissão, às igrejas, ver como estas gentes são dedicadas à Nossa Senhora do Bom Despacho. Claro que não ficamos por aqui. Se calhar não seria tão atrativo, ficarmos apenas pela parte religiosa, pelo que necessariamente damos atenção a um programa profano, com concertos, exposições, um conjunto de atividade cultural, desportiva, musical.
Não só maiatos, qualquer pessoa que nos visite sente que vir cá vale a pena.

A mostra agrícola é um dos grandes atrativos das festas?

Sim, temos isso a favor da agricultura…muito bem organizada pela Cooperativa Agrícola da Maia. Temos algumas coisas muito giras que os miúdos mais pequenos não conhecem, como o pingo de leite direto, que é o leite retirado da vaca no momento, depois é ligeiramente fervido e bebe-se. Não como o leite de pacote, que não se sabe de onde veio. Não, é daquela vaca e posso saber de onde veio.

Isto torna-se importante mostrar, porque a Maia também é uma terra de agricultores, embora tenhamos um grande polo industrial, do qual algumas empresas nos apoiam, ainda existem muitas freguesias com forte implantação rural e onde se situam algumas vacarias, do melhor que existe dentro do Norte de Portugal, em termos de produtores de leite.

As festas também têm um cariz solidário…

Podemos dizer que sim, pois temos a caminhada solidária a favor dos Vicentinos, no dia 7. Uma forma de mostrar que sabemos receber as pessoas aqui, mas que também sabemos dar. É uma caminhada que reúne todas as paróquias do concelho, da Vigararia. Vem gente de toda a parte caminhar em direção ao santuário e todas as receitas revertem a favor das Conferências Vicentinas, que apoiam os grupos mais desfavorecidos do concelho. Por isso mantemos uma ótica social dentro das festas.

Câmara da Maia e empresas apoiam, mas torna-se um investimento pesado para a comissão de festas?

Muito. Começamos o trabalho da comissão de festas no início do ano, sempre tentando angariar donativos, fazendo vários peditórios junto da população, que, embora não sendo a principal fonte de rendimentos, não deixa de ser uma fonte tradicional. Algumas pessoas até estranham se não formos bater às suas portas. A Câmara é realmente o maior parceiro em termos de investimento, mas contamos com a participação de muitas empresas, que também contribuem para o engrandecimento das festas. São empresas locais que desejam publicitar localmente, mas também dentro do ponto de vista social apoiar as festas que são da sua terra ou onde estão implantadas.

Claro que, como qualquer comissão de festas, não estamos aqui para dar lucro, muito menos prejuízo. As nossas contas são fechadas em agosto e tem sido tradição de boas práticas ficar tudo devidamente liquidado com quem de direito.

Em relação ao ano passado, em que o orçamento rondava os 150 mil euros, não mudou muito?

Sim, esse é normalmente o financiamento por parte da Câmara, nós depois fazemos mais um bocadinho. Nunca podemos gastar mais do que aquilo que será expectável receber. Então, no início do ano se não tivermos a certeza de que haverá uma fonte de financiamento externa muito grande, não podemos avançar para fazer algo de muito diferente nem muito caro.

No entanto, há muitas atividades que são feitas, em que não se gasta dinheiro. Por exemplo, à quinta-feira, fazemos um passeio noturno em jeito de história da romaria. Às vezes, faz-se aquilo com um grupo, a quem pagamos umas sandes, as pessoas aparecem, muitos desse elementos são pessoas da própria comissão de festas, porque trabalhamos em voluntariado. E as coisas fazem-se…

Concertos Palco Pirâmides:

Quinta feira: 5 de julho (21h30) – The Cover Van
Sexta-feira: 6 de julho (22h00) – Jimmy P
Sexta-feira: 6 de julho (23h00) – Piruka
Sábado: 07 de julho (22h00) – Carminho
Domingo: 8 de julho (22h00) – Expensive Soul
Segunda-feira: 09 de julho (22h00) – Calema