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Esperança é a palavra de ordem da Banda de Moreira

Domingos José Moreira fundou a Banda de Moreira em 1847 e até hoje o grupo continua a ensaiar num espaço cedido pela família, ligada a uma empresa bem conhecida, a Casa Moreira, havendo também até aos dias de hoje elementos da família ligados à Banda, quer na direção quer como instrumentistas.

Em 1982, a Banda de Moreira constituiu-se como associação, como forma de legalizar o grupo na procura de incentivos financeiros, agregar associados e criar uma maior proximidade à comunidade envolvente da freguesia, retirando-lhe “o cunho de banda particular formada e sustentada por uma família, que era um pouco a tendência na maneira de a população encarar esta instituição”, referiu Maria do Céu Costa, presidente da direção da Banda de Moreira.

“Ativos temos 300 sócios, isto é, pessoas que pagam e têm as cotas em dia, sendo que já atingimos o número de 800 associados”, referiu Manuel Moutinho, vice presidente da Direção. Não se trata de uma tarefa fácil a de gerir uma banda musical no concelho da Maia, um município que nos últimos anos se voltou muito para o Desporto.

Maria do Céu Costa refere que a banda que nasceu com cerca de 30 elementos foi crescendo até aos cerca de 65 atuais, o que tem uma correspondência direta também nas despesas: “com o crescimento cresce tudo o resto que a envolve, despesas de manutenção, de transporte, de fardamento, é sempre a aumentar”…

Banda com gente mais nova e novos reportórios

Hoje em dia as bandas têm caraterísticas muito diferentes do passado, refere a presidente, “no fundo, acaba por ser uma escola de formação, sendo que as pessoas que as procuram são muito jovens, o grupo torna-se uma família onde se aprende música com qualidade. São todos muito bem vindos, mas torna-se difícil equilibrar as contas”.

Manuel Moutinho complementa esta caraterização, referindo que, “antigamente, as bandas eram constituídas maioritariamente por pessoas mais idosas, enquanto que, atualmente, a tendência inverteu-se completamente, com uma média de idades a rondar os 26 anos”.

Para esta situação em muito contribuiu o facto de a Banda de Moreira possuir uma Escola de Música, que funciona, de acordo com Maria do Céu Costa, “como uma maneira de manter a própria banda, pois os alunos que são formados na escola ingressam depois na banda. Alguns saem de lá como profissionais e seguem o seu caminho. O facto é que muitos seguem o percurso na nossa banda e contribuem para manter os músicos ao longo do tempo”.
A Escola de Moreira tem 35 alunos, funciona ao sábado todo o dia e durante a semana, ao final da tarde.

Às Bandas faltam oportunidades para aparecer

José Aureliano Soares da Costa é o maestro da Banda de Moreira desde 1989 e tem vindo a adaptar-se às exigências do público, com uma modernização do reportório e criando novos grupos, mais pequenos, para a promoção de outro tipo de espetáculos. Manuel Moutinho refere que o prato forte da Banda de Moreira continua a ser a atuação em romarias, pois é uma forma de angariar receitas.

O certo é que “a qualidade das bandas filarmónicas aumentou muito”. Ao contrário do que aconteceu durante cerca de 50 anos, em que o público andou a ouvir “sempre a mesma coisa, não havia muitos músicos e não havia compositores que escrevessem para as bandas”, lembrou Manuel Moutinho, que esclareceu que nos últimos 15 anos houve uma “autêntica revolução”.

O vice presidente afirma que “as bandas estão a rejuvenescer em termos de pessoas, estão a crescer, e a melhorar a oferta e a qualidade, sendo dos grupos de música séria, em termos de orquestras de sopros, onde há mais novidades e há reportórios novos todos os dias”.

Se o público não está a dar conta disso, não será apenas pela falta de apoios financeiros, mas acima de tudo pela “falta de oportunidades para as bandas aparecerem noutros sítios que não as romarias”. Manuel Moutinho entende que a nível autárquico organizam-se muitos eventos e iniciativas culturais, que não têm integrado as bandas de música do concelho, “temos sido excluídos dos cartazes culturais nos últimos 15 anos na Maia”, porventura por ter optado pela estratégia de se tornar a Cidade do Desporto.

Ainda assim, os líderes da Banda de Moreira reconhecem que com a entrada deste executivo, no ano passado, tem vindo a notar-se uma diferença na forma de olhar para as bandas e para as coletividades culturais em geral. A Banda de Moreira regista com satisfação a promessa deixada recentemente pelo presidente da Câmara de renovação do fardamento, tal como já propôs a outros grupos musicais concelhios, bem como o empenho em, finalmente, avançar com a construção da nova sede.

Tempos de esperança para a Cultura na Maia

Maria do Céu Costa salienta esta vontade de mudar o paradigma, “estamos muito esperançosos quanto à Câmara e quanto à Junta de Freguesia, pois nota-se uma atitude diferente”.

O grande sonho e o projeto que vai ocupar a Direção da Banda nos próximos tempos é a nova sede, pois “a promessa existe há mais de 20 anos, chegou a arrancar em 2002, mas que depois parou”. No entanto, o processo está já numa fase encorajadora, uma vez que “a empreitada já foi adjudicada e espera o visto do Tribunal de Contas”.

Ao que tudo indica, em setembro, a obra deve começar no âmbito de um projeto que ascende a cerca de meio milhão de euros. A obra é da Câmara da Maia e a Banda de Moreira irá ocupar a sede assinando um contrato de comodato. Maria do Céu Costa referiu que inicialmente não era este o acordo, mas a Direção aceitou esta última proposta, por entender que o projeto já tinha tido muito entraves e a associação não podia esperar mais tempo pela sede.