Este verão cuide de si protegendo-se do sol

É sabido que a radiação solar é essencial para o bem-estar psíquico e físico, uma vez que contribui para a síntese de vitamina D (indispensável ao desenvolvimento ósseo e ao funcionamento do sistema imunitário). No entanto, está também associada a processos nocivos como envelhecimento cutâneo e aparecimento de cancro da pele.

Em Portugal, a incidência de cancro cutâneo tem aumentado drasticamente nas últimas décadas, devido a uma exposição excessiva ao sol e a um maior uso de solários. Estima-se que a incidência de melanoma seja de 10 novos casos por cada 100 mil habitantes, ou seja, cerca de 1000 novos casos por ano.

Encontra-se em risco elevado de cancro da pele quem: tem pele clara; sofreu queimaduras solares na infância; foi sujeito a um transplante de órgão; tem mais de 50 “sinais” no corpo; tem uma história familiar de cancro da pele; tem mais de 50 anos de idade.

Relativamente aos “sinais”, estes devem ser vigiados de acordo com a regra ABCDE: A – assimetria; B – bordos irregulares; C – cor não uniforme; D – diâmetro superior a 6 milímetros; E – Evolução.

Nos dias de calor é essencial adotar comportamentos preventivos como manter a hidratação (privilegiando a água e evitando o consumo de bebidas açucaradas, ingerir fruta fresca e legumes) e utilizar protetor solar com SPF igual ou superior a 30 (este deve ser aplicado 30 minutos antes da exposição solar e renovado a cada 2h ou após o banho).

Os bebés com menos de seis meses não devem ser sujeitos a exposição solar e deve evitar-se a exposição direta de crianças com idade inferior a 1 ano. A partir desta idade, as horas mais seguras são o início da manhã até às 11h e o final da tarde depois das 17h, não dispensando o uso de chapéu de aba larga e óculos de sol, bem como roupas de algodão largas e escuras, que protegem o corpo dos raios UV. Importa relembrar ainda que os raios UV atravessam facilmente as nuvens e por isso, mesmo nos dias nublados, a fotoproteção é essencial!

Em caso de queimadura solar há várias medidas que devem ser adotadas, como: tomar banhos de água fria ou aplicar compressas de água fria na(s) zona(s) afetada(s) para reduzir a temperatura da pele; aplicar produtos pós-solares que ajudam a regenerar e hidratar a pele; utilizar água termal; aplicar cremes cicatrizantes que não contenham gorduras nem petróleo (como vaselinas).

As bolhas ou vesículas não devem ser rebentadas porque aumenta o risco de infeção e atrasa o processo de cicatrização da pele. Em todo o caso, se esta sintomatologia for superior a 14 dias, apresente bolhas, mostre uma grande extensão ou se localize em zonas como olhos, ouvidos, mãos ou mama, deve consultar o seu médico ou farmacêutico.

O facto de Portugal ter um elevado índice de exposição solar deve sensibilizar-nos para a adoção de comportamentos preventivos. Importa por isso, desde cedo e de modo pedagógico, transmitir estes conhecimentos a toda a população.

(Artigo por: Daniela Gomes, Mestre em Ciências Farmacêuticas)