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Mobilidade sustentável volta a ter atenções de 16 a 22 de setembro

Pedalar pela Maia

Marta Moreira e Augusto Monteiro, técnicos da autarquia da Maia nas áreas do Planeamento e Trânsito, foram os entrevistados no programa “1519” da Rádio NoAr, realizado por Victor Dias.

Para o bem da sustentabilidade ambiental torna-se necessário ir travando o acesso de automóvel a algumas centralidades nas cidades. Mas a retirada de automóveis dos centros da cidade é, geralmente, motivos de protestos por parte das populações.

Uma das transformações que irá acontecer neste contexto, será no Castelo da Maia. Augusto Monteiro referiu na entrevista que “efetivamente, na Maia, estamos a desincentivar o uso do automóvel no centro da cidade. No Castelo da Maia, e no âmbito de uma ação inserida no PEDU – Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano, junto ao monte de Santo Ovídio, iremos a curto prazo avançar com as obras para se criar um centro de vivência urbana mais vincada e amenizar os malefícios do automóvel”.

A autarquia está consciente de que este tipo de obras “causa sempre reação, nem tanto neste caso de circulação automóvel, mas de estacionamento. O hábito dos portugueses é levar o carro quase até dentro de casa ou do café…”

A Câmara da Maia está a preparar um conjunto de ações, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade Sustentável. Marta Moreira desvendou nesta entrevista que será dada atenção aos trabalhos realizados nas escolas durante o ano letivo.

“Temos a consciência de que estas transformações ocorrem em décadas. Quando falamos em alterações comportamentais, isto não acontece num piscar de olhos, pelo que temos noção de que só conseguiremos efetuar estas transformações se atuarmos junto da comunidade escolar, na expetativa de que, passada uma ou duas gerações, possamos ter uma alteração do panorama atual de meios de transporte”.

É conhecido que a Maia vai realizando a intervenção no território, adaptando-o para a circulação suave e ciclável. A par disso, adianta Marta Moreira, “iremos desenvolver campanhas de sensibilização pública com ações muito direcionadas para a comunidade escolar. Ao longo do ano letivo já levamos diversos concursos às escolas relacionados com a bicicleta e com os espaços públicos. Obtivemos resultados espetaculares, que queremos partilhar com a população.

Desde 2015 temos participado na semana europeia da mobilidade, que este ano, ocorre entre 16 e 22 de setembro onde serão desenvolvidas diversas ações”.

Algumas destas ações a serem desenvolvidas vão estampar os trabalhos desenvolvidos nesses concursos das escolas: “queremos mostrar o trabalho que os meninos fizeram expondo-os publicamente no dia europeu sem carros, 22. Assim, serão mostradas as bicicletas que os meninos do pré-escolar executaram no âmbito de um concurso sobre bicicletas inéditas. Houve nestes trabalhos muito envolvimento dos pais com os meninos, o que é muito importante.

No Concurso “A Minha Rua” os meninos foram convidados a expressar aquilo que viam no percurso de casa para a escola, de onde percebemos que as crianças vão de carro para a escola, pois os desenhos retratam muitos sinais e semáforos, estrada e carro, apenas poucos mostram o metro”.

O Homem é um ser que se vicia em comportamentos criando hábitos difíceis de alterar. Por isso, teremos que ser insistentes para que, daqui a 10 anos, por exemplo, possamos ter “uma cota de uso do transporte público superior à de hoje. Até temos uma percentagem interessante de pessoas que andam a pé, mas a cota de utilização de transporte público e de bicicleta é muito baixa. Queremos reduzir substancialmente o uso do transporte individual”, afiança Marta Moreira.

Este ano o dia europeu sem carros (22) calha a um sábado, o que constitui uma oportunidade para desafiar as pessoas a passarem um fim de semana sem tocar no carro. De facto essa é a ideia do desafio que será lançado aos maiatos, que “procurem nesse fim de semana andar de transportes públicos, andarem a pé ou de bicicleta e a dirigirem-se até à Praça Dr. José Vieira de Carvalho, em frente a Câmara. Aí e em toda a extensão da Rua D. Manuel II, irá ser feita uma grande festa em que queremos que todos participem celebrando o Dia Mundial Sem Carros e a verem as exposições dos alunos das escolas sobre mobilidade suave, sobretudo de bicicletas e de pequenos veículos que não utilizam combustível fóssil. Iremos fazer caminhadas, passeios de cicloturismo, gincanas, oficinas de reparação de bicicletas e um concurso de fotografia”.

O concurso de fotografia tem como tema “Espaço Público”, em que, até 15 de agosto, as pessoas foram convidadas a olharem os espaços na cidade, retratando nas suas imagens os problemas das acessibilidade, em especial para pessoas com dificuldades de deslocação. “É uma forma de todos refletirmos sobre esta problemática. Esperamos já poder apresentar resultados no dia 22”.

As pessoas não devem esquecer-se que o espaço público deve poder ser utilizado e vivido por todos, frisou Augusto Monteiro, sublinhando que para isso foram definidas regras. Assim sendo, “existem áreas definidas para circular de automóvel, a pé, de bicicleta, desenhadas por regras para viver numa cidade. Apenas se pede que as pessoas compreendam e cumpram essas regras. O espaço de circulação e de estacionamento automóvel existe, pelo que os passeios, as praças, as vias pedonais dirigem-se a essa função de usufruto pelas pessoas e todos devem cumprir com as regras”, concluiu Augusto Monteiro.