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Universidade Sénior do ICM presta um serviço importante à comunidade

O ICM – Instituto Cultural da Maia surgiu de uma iniciativa do Rotary Club da Maia por volta de 2003, tornando-se numa associação com gestão autónoma, por forma a dinamizar a Universidade Sénior na cidade.

Joaquim Guedes integrou uma direção do ICM em 2009, como secretário. Passado cerca de ano e meio teve que assumir a presidência da direção, cargo em que se tem mantido até ao momento. “Acima de tudo o ICM é um espaço cultural que contempla uma multiplicidade de disciplinas, onde os interessados se podem inscrever para valorização pessoal”, explicou o responsável pelo Instituto Cultural da Maia.

A Universidade Sénior tem nesta altura 21 disciplinas ou unidades curriculares, onde os seniores podem integrar-se valorizando as suas competências e tendo em paralelo um espaço de socialização. Contam-se neste lote de disciplinas: Inglês, Literatura, História da Europa, Património Cultural, Cultura Popular, Filosofia, Inteligência Emocional, Mitos e Ritos da Humanidade, Informática, Pinturas a Óleo e Aguarela, Teatro, Tuna, Coral, Cavaquinho, Danças de Salão, Ioga, Ginástica de Manutenção, Artes Decorativas e Arraiolos, bem como um Espaço de Memórias, onde todos poderão partilhar as suas memórias.

Ano letivo contempla disciplinas e atividades diversas

O ano letivo 2019/19 já abriu a 17 de setembro. Nos dias 19, 21, 25, 26 e 27 do mês passado, realizaram-se Atividades/Workshops. As aulas começaram no dia 1 de outubro. E no dia 12, teve lugar a primeira sessão do seminário sobre “Hélder Pacheco e a História do Grande Porto”. É uma das caraterísticas da Universidade Sénior a promoção de seminários, às sextas-feiras, sendo que este tema será recorrente ao longo dos seminários neste ano letivo.

A média da Universidade Sénior é de 200 alunos, número que se mantém este ano, de acordo com Joaquim Guedes, que refere que “a entrada costuma dar-se à entrada na reforma, havendo alguns alunos que procuram alguma disciplina específica e não se envolvem muito no resto da vida da Universidade”. Por outro lado, existem alunos que procuram, além dos conhecimentos, algo mais na valorização social e cultural, “envolvendo-se nas atividades da Universidade Sénior, quer na ginástica de manutenção ou aulas de música, em que há mais convívio e socialização, ou ainda nas visitas e outras atividades culturais”, explicou o presidente da direção do ICM.

As visitas culturais são regulares nesta instituição, explicou este responsável, “a visita é um momento de convívio, mas também de aprendizagem, pois estão sempre relacionadas com aprendizagens culturais, literárias ou relacionadas com o património”. A primeira será já no dia 30 de novembro e estará relacionada com o escritor Miguel Torga e património cultural, conjugando as duas disciplinas. Joaquim Guedes refere que será visitado o “Espaço Miguel Torga em S. Martinho de Anta, perto de Vila Real, inserindo-se ainda provavelmente o Solar de Mateus”.

Para além das já referidas estão calendarizadas para este ano letivo uma multiplicidade de atividades, que permitem criar momentos de franco convívio. O primeiro, a receção aos novos alunos, mais de 20, ocorrerá já no próximo dia 26 de outubro. Seguir-se-ão o São Martinho, o almoço de Natal, Dia da Mulher no ICM, tertúlias literárias, etc.

O grupo de teatro do ICM, que tem levado à cena peças muito interessantes, representará este ano a peça “Não se brinca com o amor” de Alfred Musset.

Contribuição para envelhecimento ativo

Joaquim Guedes afirma que a Universidade Sénior pretende contribuir para um envelhecimento ativo, retirando os seniores de uma eventual solidão e consequente inaptidão social, em cuja tendência algumas pessoas acabam por cair. Curiosamente, sublinha Joaquim Guedes, “com a última crise económica, assistiu-se a um decréscimo de alguma s frequência s na Universidade Sénior, porque os avós tiveram que apoiar mais os filhos, ficando a cuidar dos netos durante mais tempo, o que lhes roubou algum tempo para frequentar as aulas ou as atividades. Se bem que seja por um bom motivo, notámos essa diminuição nos últimos anos”.

Outro aspeto da frequência das aulas é de alguns dos seniores serem antigos professores de várias disciplinas e que acabam por ingressar na Universidade Sénior, primeiro como alunos, e depois passarem a professores na área que dominam. Uma outra atividade regular, que integra representantes de alunos e professores, é o Conselho Pedagógico, que ajuda na definição das linhas pedagógicas da Universidade Sénior.

A instituição também realiza congressos de 2 em 2 anos, tendo o primeiro debatido precisamente o papel das Universidades Seniores no envelhecimento ativo, um segundo abordou a evolução do cérebro com a idade. Houve ainda a abordagem do Amor e Sexualidade na terceira idade no terceiro e “estamos a preparar o quarto congresso que está agendado para março do próximo ano e cujo tema será “A sociedade atual e as suas (des)harmonias”.

Valorização dos seniores compreendida pela autarquia

A valorização da vida dos seniores ao integrarem as universidades seniores é indiscutível, contribuindo ainda para o bem-estar físico e psicossocial.

Joaquim Guedes refere que a Câmara Municipal da Maia compreende este papel importante junto desta faixa da sociedade e tem contribuído dentro do possível com o ICM, a começar pela cedência do espaço onde está instalada a Universidade Sénior e já concedeu apoios na remodelação do espaço e aquisição de alguns equipamentos. “O executivo também sente que esta é uma instituição que dignifica a Maia, quer no aspeto cultural, quer no aspeto social”.

A angariação de parceiros privados que apoiem a instituição tem sido difícil, por isso, não existem essas parcerias, confirma Joaquim Guedes, embora se procure pontualmente algum apoio para assegurar a logística dos congressos, que, normalmente se realizam no ISMAI, o que também é importante. “De forma contínua não temos parceiros privados, apenas nestas situações pontuais”, explicou o presidente do ICM.