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Há 40 anos no karaté António Moreira impulsiona a formação das crianças

António Moreira assinala este ano 40 anos como sensei, um motivo de celebração também no seio do Clube de Karaté da Maia, que dirige há cerca de duas décadas.

Apesar de em criança gostar de futebol, António viria a ser aconselhado pelos médicos, na sua juventude, a praticar karaté e, desde então, nunca mais parou. Até porque defende que o karaté é mais que um desporto, é “uma filosofia de vida”. Tem três filhos (um rapaz e duas raparigas) e também eles aderiram a esta forma de estar, de respeito pelos outros e de autocontrolo.

António Moreira aconselha esta prática a todas as crianças e jovens, que “ao contrário de outras modalidades em que as primeiras palavras de ordem são de agressividade, de combate ao outro, o adversário, no karaté isso não acontece. No karaté aprendem-se regras, princípios”.

E lembra que há 40 anos, quando começou, “poucos eram os médicos com conhecimentos mais amplos que aconselhavam esta prática. Felizmente, hoje, isso é diferente e há um grande reconhecimento da importância do karaté”.

A fórmula da afirmação da arte marcial assenta em grande parte nos reconhecidos benefícios em quem a pratica e também na forte adesão das mulheres a esta “filosofia de vida”. António Moreira vê com bom grado esta democratização de género e reconhece que elas “têm tido bons resultados”, acrescentando que “há aqui um meio-meio em termos de medalhados portugueses…”

Ainda com as vantagens de as mulheres terem “uma grande entrega a esta prática e competências minuciosas em certos trabalhos técnicos chegando a superar os homens”, admite o treinador.

Criação de clube coeso foi fundamental para projeção e desenvolvimento do karaté

O CK Maia surge numa determinada época em que havia várias escolas espalhadas pelo concelho e até fora da Maia, não havia um projeto de um grupo coeso, funcionando o ensino do karaté em pequenos ginásios e escolinhas de garagens, lembrou António Moreira.

Foi necessário congregar esforços para se dar esse “boom”, explicou, “há 17 anos havia apenas um clube a nível nacional e de então para cá existem imensos. Isto porque as pessoas perceberam que, após a criação de clubes, pelo reconhecimento do trabalho feito, isso iria ajudar o desenvolvimento da competição e desta arte marcial e da sua componente desportiva. Hoje, o CK Maia é um dos maiores grupos nacionais com excelentes resultados”.

O treinador de artes marciais explicou que depois de formado o clube na Maia, foram criados outros clubes satélites fora do município e noutras regiões mais longínquas. “Foi através do reconhecimento de erros, melhorando as competências, que fomos crescendo e granjeando mérito a nível nacional”, referiu o também fundador da AKKP, Associação de Karaté a nível nacional. Esta instituição rege e defende os interesses dos clubes junto da Federação Portuguesa de Karaté.

A AKKP tem crescido de forma assinalável, a par dos clubes no país, ao ponto de se tornar “uma das três a quatro maiores associações do país inscritas na Federação”. António Moreira sublinha que a “Federação Portuguesa de Karaté é uma das cinco maiores federações do panorama desportivo, o que nos enche de orgulho”.

Reconhecida a capacidade organizativa de grandes eventos de karaté

O CK Maia adquire um estatuto competitivo importante, mas também consegue alcançar reconhecimento como organizador de grandes eventos desportivos no país, em especial na região Norte.

Todos os anos o clube organiza o Open Internacional da Maia com mais de mil atletas, a cada ano, inscritos. Tem sido “um dos grandes e melhores eventos internacionais organizados no país” e toda essa capacidade foi reconhecida ao ponto de entregarem à coletividade e ao sensei António Moreira a organização de um campeonato da Europa.

“Quando o presidente da Liga nos desafiou, respondi que sim de imediato. Lógico que foi um grande desafio, muito superior ao do Open, mas tivemos a sorte de contar com um grande número de pessoas que se prontificaram a ajudar, voluntariando-se e tirando férias para participar na organização. Foi gratificante ver o apoio que essas pessoas, a Câmara Municipal da Maia, Juntas de Freguesia e o comércio local nos deram. Foi muito bom para a Maia, que recebeu mais de 3 mil pessoas de 19 a 23 de setembro passado”, recordou António Moreira.

Já não falando de municípios vizinhos, que encheram hotéis. “Foi um bom momento para a região do Porto em geral”, declarou o dirigente do CK Maia.

Novos projetos do CK Maia

Há diversos projetos novos, alguns já em andamento, no clube de karaté de referência na Maia e no país. É o caso das aulas a uma turma de deficientes na EB 2,3 da Maia ou ainda a inserção do clube nas AEC’s desenvolvidas pela Câmara Municipal nas EB 1 da Maia, fomentando junto das crianças a prática do Karaté.

O clube também está a implementar o apoio ao estudo dos jovens praticantes de karaté, facilitando a vida dos alunos e dos pais, contribuindo para a melhoria quer da componente desportiva quer educativa dos jovens atletas do CK Maia. É um projeto que se pretende consolidar cada vez mais.

O sensei acumulou experiência e transmite agora a sabedoria das artes marciais através da formação, aos atletas que treina no CK Maia e às crianças que ensina nas escolas básicas do concelho. Uma forma de estar na vida, formando o caráter e respeitando o ser humano, acima de tudo.

Angélica Santos