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Área Metropolitana do Porto e municípios comprometem-se com valorização do corredor do rio Leça

O Conselho Metropolitano do Porto (CMdP), que decorreu no dia 30, no Porto, aprovou por unanimidade a Proposta de Acordo de Cooperação entre a Área Metropolitana do Porto e os Municípios da bacia do rio Leça, para a realização do Estudo Prévio para Qualificação e Valorização do corredor do rio Leça – Master Plan.

«Foram necessários 35 anos para chegar a este acordo que é de enorme importância não só para os municípios envolvidos, Maia, Matosinhos, Santo Tirso e Valongo, mas também para a AMP, considerando a importância ambiental do Rio Leça», referem os responsáveis da AMP em nota de imprensa.
«Este projeto nasce da vontade e do objetivo de preservar e requalificar o Rio Leça, desde a sua nascente até à foz, valorizando consequentemente a vida das pessoas e o território da AMP, tornando-o mais atrativo e sustentável», refere ainda a nota.

Nesta reunião foi ainda feito o ponto de situação do PDCT AMP 2020 – Pacto de Desenvolvimento e Coesão Territorial, tendo sido solicitado aos municípios uma aceleração na submissão das candidaturas, por forma a não correrem o risco de falharem as metas.

Neste Conselho Metropolitano foi ainda estabelecida uma pré-decisão, que será formalizada na próxima reunião do CMdP de 21 de dezembro, respeitante à repartição de forma equitativa dos encargos dos municípios relacionadas com o passe único.

Numa perspetiva de solidariedade metropolitana e de coesão, já assumidas em outras situações, ficou estabelecido que os 625 mil euros deverão ser repartidos de forma igual pelos 17 municípios da AMP.

Em entrevista o presidente da Câmara da Maia anuncia criação de percurso nas margens do rio Leça, entre a Maia e Matosinhos

O presidente da Câmara da Maia, António Silva Tiago, em declarações ao Primeira Mão, lembra que esteve ligado desde o início à AMI Leça e é com muita satisfação que assina este acordo intermunicipal.

Como encara este acordo?

Confesso que a celebração deste acordo é para mim motivo de imensa satisfação pessoal e institucional.

Estive na fundação da AMI Leça, e este dossier da despoluição e reabilitação do Rio Leça sempre foi uma causa pública e ambiental, pela qual nunca desisti de me bater cívica e politicamente em todos os fóruns onde pude intervir.

Creio que todos compreenderão a minha natural e particular satisfação pela obtenção deste acordo, não apenas por ser inédito, mas fundamentalmente porque representa uma certa mudança na forma como o assunto é encarado.

Sublinho que é a primeira vez, que os quatro municípios atravessados pelo Rio Leça (Santo Tirso, Valongo, Maia e Matosinhos), se uniram para concretizar um projeto conjunto. Creio que todos nos devemos congratular por esta mudança de paradigma.

Crê que o facto de ser um acordo entre municípios poderá significar um maior comprometimento para com este projeto?

Os quatro autarcas entenderam que o Rio Leça, tal como muitos outros recursos naturais, não se compadecem com nenhuma lógica administrativa ou legalista, pelo contrário, precisam de ser cuidados por todos, numa perspetiva colaborativa de partilha e de corresponsabilização.
Debatemos os assuntos, ouvimos os técnicos, entendemo-nos e o acordo aí está, a bem do interesse geral.

O documento que firmamos prevê a elaboração de um Masterplan, que será o primeiro passo para a concretização de uma Grande Parque Linear Metropolitano, que unirá o Mar à Serra, através do desenvolvimento do Corredor Verde do Leça.

Convém que as pessoas tomem consciência que a recuperação ecológica deste importante património natural, que nasce e desagua na Área Metropolitana do Porto, pode e deve servir toda a sua população, prestando diversos serviços de ecossistema, mitigando os efeitos das alterações climáticas e oferecendo em simultâneo uma oportunidade para a fruição da natureza.  

Ainda neste âmbito da recuperação do percurso ao longo do rio, que benefícios irão advir à população da Maia?

Ainda no âmbito desta matéria, tenho o imenso gosto de anunciar à nossa comunidade concelhia, o acordo bilateral que a Maia está a celebrar com Matosinhos. Um acordo que prevê a criação de um percurso nas margens do Rio Leça, entre a Maia e Matosinhos.

Trata-se de um projeto que também contribui diretamente para os objetivos do Grande Parque Metropolitano do Mar à Serra – O Corredor Verde do Leça.
É um percurso para mobilidade suave ao longo das margens entre a Ponte de Ponte Moreira e a Ponte da Pedra, numa extensão de 6,9 kms, onde se prevê a recuperação da paisagem e do ecossistema fluvial em toda a sua extensão.

O projeto do percurso é da autoria da Arq.ª Paisagista Laura Roldão Costa e permitirá a criação de um eixo de mobilidade sustentável, que poderá ser utilizado pela população, como alternativa diária de acesso ao local de trabalho, ou transportes públicos, e ainda o seu uso na componente de lazer, fruição e contacto com a natureza.  

Este tipo de parcerias entre municípios deverá ser o caminho de futuro para outras intervenções noutras áreas?

Como se percebe, esta nova forma de abordar os problemas e assuntos transversais aos territórios dos municípios, como é exemplo o entendimento entre a Maia e Matosinhos, leva-nos a compreender que antes, onde o Rio Leça separava os dois concelhos, agora é um recurso comum que os une.

Não posso deixar de dar aqui uma palavra de apreço pelo excelente trabalho que desenvolveu a Senhora Vereadora do Ambiente, Marta Peneda, e o Eng.º Artur Branco, quadro da Câmara Municipal, que coordenou o grupo de trabalho técnico-científico que suportou a decisão política histórica tomada no Conselho Metropolitano do Porto, no passado dia 30 de novembro. E que me deu imenso gosto subscrever em representação do Município da Maia.