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Câmara estuda instalação de trotinetes no centro da cidade

António Tiago

Em breve será muito fácil circular de trotinete ou bicicleta no centro da Cidade da Maia. É que, a Câmara Municipal vai aderir a um sistema de trotinete/bicicleta partilhadas, no âmbito de um projeto mais amplo de mobilidade urbana suave e não poluente, o Laboratório Vivo para a Descarbonização (living Lab: Maia), que ficará instalado na zona envolvente ao Parque Central da Maia.

Está já em fase de análise pelo executivo municipal o acordo de colaboração entre o município da Maia e a Technology Portugal, que regula a instalação e operação de um sistema de bicicletas/trotinetes com motor, partilhadas, sem docas, à semelhança do que vigora em Lisboa, Madrid, Estocolmo, Londres, Málaga e Saragoça.

O presidente da autarquia, Silva Tiago, explicou ao Primeira Mão que a candidatura do projeto Living Lab: Maia foi premiada no Fundo Ambiental, que garante os fundos para os investimentos necessários.

Assim, referiu o autarca, “vamos instalar no centro da cidade um laboratório à escala real para uma área nevrálgica da cidade. Este ano vai arrancar em pleno. Dentro de algumas semanas vamos dar a conhecer o projeto na totalidade”.

Serão criadas todas as condições para que nessa área central da cidade, em 2025, “o balanço de carbono seja tendencialmente nulo, ou seja, aquilo que se debita de dióxido e monóxido de carbono, a par daquilo que se contraria fazendo um conjunto de ações que anulam essa produção, seja de um resultado zero. Isso é o que o país pretende atingir em 2050, uma meta que o governo apresentou em Bruxelas, um limite a atingir enquanto país”.

E Silva Tiago acrescenta que o projeto da Maia “é excelente, estaremos a viver uma experiência real, não apenas em laboratório, mas sim uma experiência na geografia física e real do território, envolvente as pessoas”.

O presidente da Câmara dá alguns exemplos concretos do que irá surgir de novo e do que irá mudar. “Por exemplo, vamos criar junto ao Fórum uma estação de serviço, que funcionará como posto de abastecimento de carros elétricos e movidos a hidrogénio”.

Silva Tiago adianta que já conseguiu a garantia de uma parceria diretamente com o CEO da Salvador Caetano, que irá integrar o projeto na Maia. “A Toyota tem nas suas disponibilidades empresariais, a produção de veículos elétricos e a hidrogénio, ligeiros e pesados, como por exemplo autocarros para transportes públicos. E tem esse conhecimento para aplicar”. O autarca acrescenta que também a “Efacec é parceira, tal como diversas outras empresas de ponta que arranjamos para participarem no nosso projeto”.

Este laboratório vivo de descarbonização deverá envolver um universo de “cerca de duas mil famílias”, refere Silva Tiago, sendo que “as pessoas e a autarquia terão que reaprender hábitos”.

A própria Câmara da Maia, frisou, “terá que adaptar a energia elétrica da iluminação pública em energia amigável, implementar os modos suaves de mobilização, serviço de trotinetes e bicicletas, toda a infraestrutura de modos suaves.

Neste âmbito, os hábitos de mobilidade irão passar por diversas plataformas, sendo que as pessoas possam movimentar-se a pé, de bicicleta, de trotinete, em veículos elétricos. Há um conjunto imenso de hábitos e atitudes que tomamos diariamente no nosso quotidiano, que terão que ser reequacionados, para atingir esse objetivo do Carbono zero ou que nos encaminhem tendencialmente para esse objetivo”.

O projeto implica toda uma “lógica de parceria e de partilha”, afirmou Silva Tiago.

A este propósito, o presidente da Câmara é categórico: “a Humanidade não pode continuar a esgotar recursos e a poluir desalmadamente como se não houvesse amanhã. Todos temos de tomar consciência desta realidade e está nas mãos de cada um de nós, mas também de cada comunidade local e de cada país fazer agora tudo o que tem de ser feito. Nós na Maia já estamos a trabalhar nesses grandes objetivos estratégicos da sustentabilidade integral para que tenhamos um futuro de confiança”.