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Relações Empresariais Luso Marroquinas tema de Seminário

Decorreu no passado dia 4 de abril, nos Paços do Concelho da Maia, o Seminário “As Relações Empresariais Luso Marroquinas – Uma Parceria Estratégica” organizado pela Câmara Municipal da Maia em cooperação com a Câmara de Comercio e Indústria Luso-marroquina.

No evento, destinado aos empresários do concelho, foram passadas em revista as relações empresariais entre Portugal e Marrocos, com particular enfoque no seu histórico e evolução.

António Silva Tiago, presidente da Câmara da Maia, fez questão de sublinhar a importância das relações económicas como forma de aproximar os povos e fortalecer as relações de amizade.

O autarca da Maia endereçou diretamente uma mensagem às dezenas de empresários ali presentes: “para os empresários maiatos abrem-se várias possibilidades de investimento e de equacionar a concretização de projetos de empreendedorismo no Reino de Marrocos.”

Em contrapartida, Silva Tiago, não perdeu a oportunidade de lembrar aos representantes marroquinos que: “a Maia é um território magnético, dotado de condições ótimas, para acolher investimento marroquino e projetos empreendedores que se revelem positivos para todas as partes.”

O embaixador do Rei de Marrocos, Dr. Othmane Bahnini, numa intervenção proferida em inglês, afirmou que o seminário permitiu fortalecer as relações entre a Maia e Marrocos e melhorar as sinergias e o potencial das duas economias.

Othamane Bahnini aproveitou a oportunidade para ouvir diversos empresários presentes, alguns deles já com relações comerciais e investimentos em Marrocos, realçou o bom momento das relações entre o seu país e Portugal, reforçadas pelos acordos de cooperação celebrados no final de 2017 entre os governos marroquino e português.

O Embaixador chamou a atenção ainda da importância de Marrocos enquanto porta de entrada na região do Magrebe e no próprio continente africano.

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Marroquina, Tawfiq Rkibi, sublinhou que Marrocos deverá ser encarado por Portugal como um “mercado estratégico e não como um mercado tático”, devendo os empresários portugueses não se ficar apenas pelas exportações, mas partir para o investimento direto, pois para além deste país do norte de África ser um país vizinho, cujo território mais próximo dista apenas 42Km da costa algarvia, é também uma porta de acesso privilegiada a um mundo de cerca de 1100 milhões de consumidores, face aos acordos de comércio que Marrocos tem com diversos países do mundo.

Tawfiq Rkibi recordou ainda que Marrocos possui as melhores infraestruturas de África, tem oito portos internacionais, possui comboio de alta velocidade, tem uma classe média cada vez mais forte e é um dos países que atualmente mais capta investimento estrangeiro.

Referiu também que Marrocos tem em curso um Plano de Desenvolvimento Sustentável, que prevê atingir a meta dos 42% até 2020 de consumo de energia eléctrica a partir de fontes renováveis.

Sara Maatouk, da “Tanger Med Zones”, explicou os benefícios de investimentos empresariais na Zona Franca de Tânger, especialmente a nível fiscal, com isenção de impostos nos primeiros cinco anos e taxas reduzidas nos anos seguintes, bem como as potencialidades da sua plataforma logística industrial, ligada a 186 portos, de 77 países e 5 continentes. Destacou ainda a “Tanger Automotive City”, onde está instalada a maior fábrica de automóveis do continente africano.

Aicha Hajiam, do BMCE Bank, abordou os apoios disponibilizados pela instituição financeira marroquina a investimentos empresariais em Marrocos e no continente africano. Referiu-se ao projeto “Casablanca Finance City”, que pretende tornar Casablanca um hub financeiro para negócios.

O vereador das Relações Internacionais da autarquia da Maia, Paulo Ramalho, destacou “a importância destas iniciativas, designadamente nos dias de hoje, em que a globalização colocou a ambição da internacionalização também na agenda das pequenas e médias empresas”, sendo que “a decisão de investir, designadamente em mercados estrangeiros, deve ser alicerçada em postulados de conhecimento e de confiança, que, no caso de Marrocos, saíram claramente reforçados pela credibilidade prestada pela presença e voz do seu embaixador”.

Paulo Ramalho identificou esta iniciativa como “uma ação de diplomacia local, tendente a promover no plano internacional, as potencialidades do município da Maia, do seu território e, designadamente, do seu tecido empresarial”.