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Alterações climáticas é tema do futuro…hoje


A Maia recebeu a boa notícia de que viu uma candidatura aprovada no âmbito do programa europeu Horizonte 2020.

Trata-se de uma candidatura conjunta e que visa bons resultados no que respeita à sustentabilidade energética, como anunciou o presidente da Câmara da Maia, António Silva Tiago, em declarações na abertura da Conferência sobre Alterações Climáticas, que decorreu no salão Nobre dos Paços do Concelho, no dia 9 de maio.

O autarca anunciou que tinha acabado de tomar conhecimento da aprovação da candidatura, efetuado pela Câmara em conjunto “com outras cidades europeias ao Horizonte 2020”.

E explicou que deste conjunto de “municípios da Europa, a Maia é o único município de Portugal que concorreu em parceria com essas cidades europeias de países cujo desenvolvimento é bem notório, como a Finlândia, Países Nórdicos, fundamentalmente da Europa central”.

Segundo afirmou o edil, o objetivo é conseguir alcançar um “balanço positivo em termos energéticos em três sítios que a Câmara Municipal escolheu. São eles os Paços do Concelho da Maia, o Parque Tecnológico TECMAIA e o Bairro Social do Sobreiro”.

Projeto “Smart Cities and Comunnities” do Horizon 2020

A Câmara Municipal da Maia aderiu há cerca de um ano e meio a um consórcio com vista a formalizar uma candidatura ao programa europeu Horizon 2020 para o tema “Smart Cities and Communities”.

O convite foi formalizado pela SPI – Sociedade Portuguesa de Inovação, que integra o consórcio. O orçamento esperado estima-se entre 0,5 e 1,2 milhões de euros.

O programa pretende contribuir para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo e o objetivo é que a Europa produza e tecnologia de craveira mundial, eliminando as barreiras à inovação e facilitando a colaboração entre os setores público e privado.

A Maia concorrerá como “follower city”. Neste tema “Smart Cities and Communities” são escolhidas duas cidades como “lighthouse cities” e cinco como “follower cities”.

Autarca defende envolvimento de todos na questão das alterações climáticas

A estratégia da Câmara Municipal da Maia “para a adaptação às alterações climáticas, preconiza o envolvimento comprometido de todos, para aumentar a capacidade de resposta aos impactos das alterações do clima, ao nível local, garantindo a sustentabilidade e a resiliência do território”, frisou o autarca maiato.

Falando a uma audiência maioritariamente constituída por jovens, Silva Tiago sublinhou que:

“A elaboração da Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas da Maia surge, assim, da clara vontade de decidimos abraçar juntos, o desafio de minimizar as incertezas e antecipar respostas, tão eficazes quanto possível, para arrostar com fenómenos e ocorrências imprevisíveis.

Uma imprevisibilidade que se traduzirá sempre, quer na sua dimensão e momento de ocorrência, como nas suas eventuais consequências, numa incerteza que requer atenção, capacidade de mobilização e permanente prontidão, para cuidar da proteção civil de pessoas e bens”.

Esta conferência realizada sob o mote da Campanha “Estratégia Local, Mudança Global – A Maia pelo Clima”, insere-se na candidatura financiada pelo POSEUR, relativa à dinamização de ações de comunicação, divulgação e sensibilização para os riscos associados às Alterações Climáticas.

Estiveram reunidos diversos especialistas de referência na área que, durante a manhã, aportaram uma pluralidade de contributos e perspetivas sobre uma das maiores ameaças à integridade do Planeta e à própria sobrevivência das espécies.

No final da Conferência, cerca de 130 cidadãos, entre os quais jovens em idade escolar, tiveram oportunidade de assistir à inauguração da Exposição Digital Interativa, com caráter itinerante, sobre o tema, que está patente no átrio da Torre Lidador, até ao próximo dia 5 de junho, Dia Mundial do Ambiente.

Projeto 100 mil árvores significa 0,01% da pegada de carbono da Maia

A mesa de oradores contou com a presença de Aline Guerreiro da Quercus, para assumir o papel de moderadora.

Pedro Macedo defendeu “a importância da educação para a sustentabilidade”, afirmando que a Maia tem sido pioneira nalguns projetos implementados desde os anos 90 no âmbito da sensibilização ambiental. Na altura, os projetos realizavam-se sob o slogan “Maia em primeiro lugar o Ambiente”.

Entretanto, partiu-se para a Participação Pública, com diversas ações sob outro slogan – “Maia 21 – uma agenda para o futuro”, tendo surgido o portal do Ambiente e o Plano Estratégico Ambiente. Pedro Macedo lembrou ainda que se seguiu a Ação Coordenada, de onde se destacam projetos em que a Maia está envolvida, como o caso do 100 mil árvores na AMP e o Laboratório Vivo da Descarbonização.

De acordo com este especialista, estamos numa altura em que é necessário que nos interroguemos se isto foi suficiente. Pedro Macedo afirmou que o projeto das 100 mil árvores corresponde a “0,01% da pegada de carbono da Maia”.

O especialista refere que não retira valor ao projeto, mas adverte: “todos temos que perceber que temos mais um ou dois anos para trabalhar em projetos-piloto, mas a partir da próxima década é essencial deixem de ser escalas de projetos pioneiros para abarcar todo o concelho e todo o território do mundo. Se não encaramos este desafio, vamos continuar com esta percentagem de 0,01%, que, infelizmente, são insuficientes”.

Cidades impermeáveis”

Cristina Calheiros falou sobre “a utilização de ‘nature based solutions’ para a adaptação das alterações climáticas e apoio à gestão do ciclo da água”. Esta especialista abordou o conceito de “cidades impermeáveis”, no fundo, começarmos a criar cidades mais saudáveis e sustentáveis, recorrendo à própria natureza.

A proposta dos dias de hoje e do futuro é “trabalhar com a natureza para promover a biodiversidade”. De acordo com Cristina Calheiros “se precisamos da natureza, temos que aprender a trabalhar com ela, implementar soluções que aproveitem e imitem a natureza para benefícios das pessoas”.

Esta abordagem foi exemplificada com alguns modelos de gestão da água, incluindo a gestão da precipitação em edifícios, um tema que de resto já foi alvo de um relatório das Nações Unidas.

Telhados verdes ajudam a contrariar a poluição

Beatriz Castiglione focou-se no “contributo dos telhados verdes na mitigação das alterações climáticas”. Nesta matéria, já existem vários modelos implementados de telhados ou coberturas verdes e estudos que comprovam que estas estruturas têm impacto direto efetivo na mitigação das alterações climáticas.

De acordo com Beatriz Castiglione, a vegetação em edifícios tem efeitos óbvios na redução de emissões de CO2 nas cidades. Tem ainda benefícios na gestão de águas pluviais, na diminuição do efeito ilha de calor nas áreas urbanas, na diminuição do ruído, para além de melhorar a eficiência energética e térmica dos edifícios.

Nalguns casos, referiu a especialista, algumas comunidades já utilizam os telhados verdes para produzir alimentos, contribuindo para a promoção da biodiversidade.

Existem já alguns casos de coberturas verdes na cidade do Porto, fundamentalmente usados com o propósito de áreas verdes e de lazer. Quem estiver interessado em conhecer melhor este tipo de soluções poderá entrar em contacto com a Associação Nacional de Coberturas Verdes, que possui o website www.greenroofs.pt.

O solo é a base da nossa sobrevivência”

Por fim, Paula Castro centrou-se numa abordagem à “aplicação da biotecnologia para a recuperação de áreas degradadas”. Paula Castro começou por chamar a atenção para a proteção dos solos, um aspeto ambiental muitas vezes deixado para segundo plano. No entanto, “se pensarmos bem, o solo é a base da nossa sobrevivência, se não tivermos solo, não temos o que comer, e infelizmente, fala-se pouco desta perspetiva”.

De acordo com a oradora, os principais focos de contaminação são originados na agricultura, uma área desenvolvida até em excesso, tendo em conta que desperdiçamos “metade a um terço dos alimentos atualmente”. A especialista deu conta de alguns estudos sobre recuperação de alguns solos, que estavam praticamente condenados, usando precisamente as plantas e microorganismos, a chamada fitogestão.

Plantas mais comuns usados neste processo são leguminosas, girassóis ou cogumelos (os chamados microorganismos), que são parceiros em projetos de recuperação de solos, como o caso de antigas minas ou terrenos afetados por incêndios.

O encerramento da conferência ficou a cargo da vereadora do Pelouro do Ambiente da Câmara Municipal da Maia, Marta Peneda.

Na mente de muitos conferencistas presentes ficou a ressoar um pensamento do presidente da Câmara: “no meu espírito faz cada vez mais sentido… a ideia que acalento de que todos somos responsáveis por todos e todos somos atores, com um papel a desempenhar neste cenário global das alterações climáticas…”