Opinião de Eric Rodrigues, presidente da JP Maia

Em artigo de opinião, publicado esta semana em Primeira Mão, Eric Rodrigues, presidente da Juventude Popular da Maia e membro da Comissão Política Distrital do Porto da Juventude Popular, aborda “O Estado Social Implantado”.

Aqui fica um excerto:

“As últimas sondagens da Universidade Católica provocaram uma enorme onda de choque na direita portuguesa. Por muito que alguns possam tentar demonstrar o contrário através ou do silêncio ou da mera desvalorização dos factos, o que é certo e inegável é que algo vai extremamente mal no centro-direita português. Confesso que fiquei indignado, não apenas pelo parco resultado da direita, mas principalmente pela cavalgada ascendente que a esquerda e principalmente a extrema-esquerda têm vindo a assumir ano após ano.

Se o futuro assim o confirmar, e segundo a dita sondagem, o conjunto dos votos do centro direita português totaliza 37% das intenções de voto, ficando o Partido Socialista muito perto da maioria absoluta e uma extrema-esquerda com 18%. O que me assusta é não ter a noção dos limites que o Partido Socialista a si impõe para garantir poder, podendo até, segundo uma lógica imediata, assumir um projecto de governo com o Bloco de Esquerda para assim garantir a maioria parlamentar. É importante referir que não existe semelhante na Europa civilizada, onde florescem os governos de centro/centro-direita que têm conseguido (uns melhor que outros) impor um ritmo de crescimento económico e social bastante assinalável. Se acontecer o que as sondagens nos indicam, e eu espero que não, Portugal assume um cenário político somente visto na América Latina ou em países subdesenvolvidos.

O que é um facto, é que o sistema partidário português é ainda um sistema pós-revolucionário e ainda não atingiu uma fórmula mágica para se demarcar dessa conotação que insiste em ser cultivada e mantida pela generalidade do povo português, que assiste impávido e sereno a uma autêntica e possivelmente irremediável instalação de uma colónia de esquerda em Portugal.

Tal como em outros momentos da nossa história, o conformismo e afastamento foram sempre palavras de ordem no que diz respeito a alterações estruturais de governação, fruto talvez de uma eterna insatisfação da alma lusa. Quanto a isto, creio que a própria história consiga sustentar a minha afirmação.”