Opinião de Victor Dias: 2009 Será um ano exigente

Não partilho do pessimismo neurodepressivo em que os ‘média’ nos parecem querer enclausurar. Penso que temos de ser realistas e encarar o futuro com esperança e confiança. A Humanidade já enfrentou dificuldades e crises bem piores, tendo de as superar, sem os meios e o conhecimento de que hoje dispõe.

O grande desafio que se nos coloca, quer seja à escala global, ou a nível local, vai radicar no facto de sabermos fazer escolhas acertadas. Cada vez mais seremos confrontados com essa necessidade, mormente, ao nível político.

O próximo ano será de clarificação e de grande exigência. Os cidadãos terão de saber avaliar as qualidades, capacidades e competências dos seus líderes políticos.

O próximo ano será de clarificação e de grande exigência. Os cidadãos terão de saber avaliar as qualidades, capacidades e competências dos seus líderes políticos.

Importa sublinhar que na origem desta crise global está principalmente a falta de escrúpulos, a desonestidade, a corrupção, a incompetência e a falta de vergonha de muitos daqueles a quem foi confiado o governo das nações, das comunidades regionais e locais, das instituições, das organizações e das empresas, mormente dos potentados da alta finança.

É certo que muitos desses líderes não foram democraticamente escolhidos, mas uma boa parte deles foram alvo das escolhas dos seus concidadãos ou dos seus pares.

É nestas escolhas que teremos de ser muitíssimo mais exigentes, pensando e agindo com a divisa de que não é qualquer um que nos pode representar ou governar. Tem de merecer a nossa confiança, mas para isso temos de saber separar o trigo do joio.

A limpeza, a renovação e a mudança tem de começar pelas cúpulas, pela liderança.

Os cargos e as funções devem estar claramente definidos e delimitados nas suas atribuições, deveres e responsabilidades, para que o mérito e a incompetência sejam, de igual modo, consequentes.

Não poderemos continuar a permitir que gestores incompetentes e corruptos desgovernem os bancos, as empresas e a coisa pública e continuem impunemente a exercer cargos que requerem uma honorabilidade à prova de calúnia, boato ou falsos testemunhos. Quero dizer que o exercício de certos cargos públicos tem de ser levado muito a sério, caso contrário, é a credibilidade das próprias instituições que acaba na lama.

É provável que muitos leitores pensem que não podemos fazer muito para mudar o actual estado das coisas, mas eu penso justamente o contrário, julgo que o ano de 2009 que agora começa, nos abre uma janela de oportunidade para intervir na mudança.

Vamos ter pela frente três processos eleitorais em que as nossas escolhas contam, saibamos exercer os nossos deveres e direitos, com a máxima objectividade possível, com exigência, responsabilidade e sobretudo com bom senso. Se assim o fizermos, a nossa opinião conta, a nossa vontade terá valor e o nosso voto será respeitado, como nunca antes foi.

Se não queremos ter álibis para declinar as nossas responsabilidades sobre terceiros, temos de querer e saber tomar os nossos próprios destinos nas nossas mãos.

É fácil vaticinar que 2009 será um ano difícil, mas quem é capaz de experimentar grandes feitos sem grandes dores?

Quanta esperança e confiança no futuro, todos nós trouxemos às nossas mães, passadas que foram as horas das dores naturais, do acto em que fomos nascidos?

Haja Paz, Saúde e Bem Crer e 2009 será apenas mais um ano.

Sejamos realistas, mas confiantes, mais que não seja, em nós próprios.

Victor Dias