Milhares de avós num aeródromo

Talvez fosse o único local para acolher tanta gente no mesmo espaço, mas nem mesmo o aeródromo de Vilar de Luz, em Folgosa, estava a ser suficiente para acolher tantos idosos. Eram cerca de 7000 e vieram de todos os pontos da Área Metropolitana do Porto. Concentraram-se numa tenda montada na pista de aviação maiata durante a tarde de domingo. Durante a manhã e início de tarde, eram às centenas as camionetas que rumavam à Maia. Em praticamente todas as estradas que tinham a Maia como destino era possível ver veículos repletos de idosos, e o destino era bem visível em placas colocadas na dianteira das camionetas: Dia Metropolitano dos Avós, que este ano se realizou no município maiato, numa organização da Área Metropolitana do Porto.

 

Alguma confusão na entrada, uma vez que a entrada para VIPs, imprensa e camionetas era a mesma. A Rua de Vilar de Luz ficou pequena para tanto trânsito e entrar no aeródromo foi uma aventura durante algum tempo. Depois de muito tempo à espera, finalmente entra-se no recinto. Milhares de idosos ensaiam, ao início da tarde, um exercício de aeróbica. Um pouco de actividade física antes das actuações dos conjuntos musicais. O dia estava relativamente quente e a água distribuída começava a não ser suficiente. Da comida não se fala, já que não existia nenhum ponto de venda no recinto improvisado. A falta desta condição obrigava centenas de idosos a atravessar a pista do aeródromo para chegar ao bar da pista que, alegadamente, estava "noutro espaço distinto", de acordo com elementos de segurança privada. A situação acarretou algumas complicações, já que muitos idosos e mesmo a imprensa, ao abandonar o recinto do Dia Metropolitano dos Avós para um merecido lanche, se viam impedidos de voltar a entrar na pista do aeródromo sem a devida identificação. Algo que, por vezes, se tornava complicado e gerou algumas confusões. A falta de organização também comprometeu a segurança, e obrigou o apresentador do evento, Ricardo Couto, a apelar aos milhares de idosos para "não atravessarem a pista do aeródromo, porque não há segurança". Poucos minutos depois, andavam aviões ligeiros a percorrer a pista.

Complicações à parte, "Maia, Maia, Maia, Maia" foi o que se ouviu quando Bragança Fernandes subiu ao palco. Ovacionado por milhares de avós maiatos e, por contágio, por idosos de outros concelhos, o autarca estava a "jogar em casa" a pedido. Depois do banho de multidão, o presidente da Câmara da Maia disse ter pedido "para o Dia Metropolitano dos Avós se realizar na Maia este ano". PRIMEIRA MÃO perguntou a Bragança Fernandes se estava satisfeito com a aposta, e o autarca considera ter sido ganha, porque "nunca estiveram tantos avós reunidos como estiveram hoje". Desta forma, a Maia organizou "o maior dia dos avós" de um evento que já vai na terceira edição. Dos cerca de 7000 idosos, 1500 eram da Maia, cidade que tão cedo não vai receber tantos avós, pelo menos no âmbito desta iniciativa. "Para o ano é outra cidade a organizar o Dia Metropolitano dos Avós", lembrou Bragança Fernandes.

Complicações à parte, o Dia Metropolitano dos Avós continuou, com a actuação de José Malhoa, sempre acompanhado pelas características bailarinas. A animação continuou durante toda a tarde e as calorias queimavam-se não com exercícios de aeróbica, mas ao som dos êxitos do bem conhecido artista popular, como "Baile de Verão" ou "Aperta com Ela".