Estradas do país com mais pontos negros – radares podem ser solução


Aumentou o número de pontos negros, em Portugal, no ano de 2009. É o que indica o Relatório de Sinistralidade 2009, divulgado recentemente pelo Governo e pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), organismo tutelado pelo Ministério da Administração Interna. No último ano, foram identificados 53 pontos negros, no território nacional, mais seis do que em 2008. São considerados “pontos negros”, lanços de estrada com um máximo de 200 metros de estrada e onde se registaram pelo menos cinco acidentes.

A liderar as estradas do país com mais pontos negros está a A5, em Cascais, embora com um baixo índice de gravidade. Ocorreram 69 acidentes, sem provocar mortos ou feridos graves. É a A29, em Aveiro, o ponto negro com maior índice de gravidade em 2009 – registaram-se oito acidentes que provocaram dois mortos e três feridos graves.

No distrito do Porto, foram identificados oito pontos negros que, no entanto, não registaram acidentes com vítimas mortais em 2009, pelo menos até chegarem à unidade de saúde.
Os pontos negros identificados foram: EN 15 que liga o Porto a Bragança – foram registados 12 acidentes que provocaram 23 feridos ligeiros; A29 em Vila Nova de Gaia – com 14 acidentes e 18 feridos ligeiros; A3 (Porto Valença) – cinco acidentes com um ferido grave e cinco feridos ligeiros; A4 (Matosinhos-Amarante) – seis acidentes com 13 feridos graves; e A44 (Gulpilhares – Areinho) – cinco acidentes com sete feridos graves.

Em alguns dos locais mais perigosos, onde os acidentes com vítimas persistem, a solução poderá passar pela instalação de radares, conforme adiantou o presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, Paulo Marques, na apresentação do relatório. É no entanto, uma solução que ainda está a ser estudada, no âmbito da rede nacional de fiscalização de velocidade, com que o Governo pretende avançar. Ainda este ano deverá ser lançado um concurso público para a instalação de 30 radares. Ao todo, estão previstos 100.
Apesar do aumento do número de pontos negros, estes representam apenas um por cento do total de acidentes e vítimas mortais – 321 acidentes e sete mortos em 2009.

Mais acidentes, menos mortos

Apesar do aumento de pontos negros, 2009 manteve a tendência de descida dos últimos anos no que se refere ao número de vítimas mortais nas estradas portuguesas.
Foram registadas 737 vítimas mortais, menos 39 que em 2008. Uma redução de aproximadamente cinco por cento. No entanto, este é um número que pode não corresponder à realidade, uma vez que neste relatório constam apenas as vítimas de acidente de viação cuja morte ocorreu no local do acidente ou no percurso até à unidade de saúde. Não constam as mortes que ocorreram depois de as vítimas darem entrada nas unidades de saúde.

Seguindo os números do relatório da ANSR, a redução das vítimas mortais, não quer dizer que houve também uma redução dos acidentes. Pelo contrário. No último ano, e em relação a 2008, aumentou o número de acidentes com vítimas, dentro e fora das localidades. O número de feridos graves apresentou-se estável, com um ligeiro aumento de 0,7 por cento – foram contabilizados 2580 feridos graves. Esta redução foi mais saliente fora das localidades. Já o número de feridos ligeiros sofreu um aumento de 2,3 por cento – o total de feridos leves foi de 42 mil 298. De acordo com o documento, todos os objectivos previstos pelo Plano Nacional de Prevenção Rodoviária (PNPR) foram atingidos, à excepção das vítimas mortais dentro das localidades – foi aqui que ocorreram a maior parte dos acidentes com vítimas (25.037).

A maior parte das mortes foram provocadas pela colisão de viaturas (330), seguindo-se o despiste (281) e, por último, o atropelamento (126). As estradas nacionais são as mais mortíferas (39 por cento).

Analisando a sinistralidade em 2009 e comparando-a com a evolução verificada na última década, “constata-se que cada vez serão necessárias medidas mais exigentes, mais científica e tecnicamente suportadas para se manter a tendência de redução da sinistralidade”. Medidas essas que estão previstas na Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária (ENSR), e cuja implementação tem como objectivo a melhoria dos níveis de segurança rodoviária em Portugal. No que diz respeito às vítimas mortais em acidentes, o objectivo traçado até 2015 é a redução para 579 mortos.

Fernanda Alves