Maia é o município com maior percentagem de recolha selectiva

A Maiambiente registou novos recordes na recolha de resíduos durante o ano passado. Em 2010 a empresa municipal responsável pela recolha de resíduos, recolheu 62 mil 790 toneladas de resíduos, distribuídos por 46 mil 286 toneladas na recolha indiferenciada e 16 mil 503 toneladas na recolha selectiva.

Considerando que estamos a falar de um município com 140 mil habitantes, os resultados significam que cada maiato produziu cerca de 448 quilos de resíduos urbanos, ou seja, 1.23 kg/dia. Face a igual período de 2009, verificou-se o aumento de 2,01 por cento no total de resíduos recolhidos, com um aumento de 0,31 por cento na recolha indiferenciada e aumento de 7,1 por cento na recolha selectiva. Os resíduos recolhidos de forma selectiva representaram 26,3 por cento do total, o valor mais elevado entre todos os municípios de Portugal, de acordo com os dados conhecidos. O valor registado em 2009 foi de 25 por cento.

Os resultados conseguidos no último ano, e no que se refere à recolha selectiva, vão de encontro aos objectivos traçados pela empresa. “Esse era um desejo da empresa, ser líder no sector quanto à quantidade de recolha de resíduos que consegue desviar para reciclagem e compostagem. 2010 foi, de facto, um bom ano”, sublinha o director-geral da empresa municipal Maiambiente, Carlos Mendes.

Em termos absolutos, a fracção papel/cartão continuou a ser a mais representativa, com 3351 toneladas recolhidas, seguida do vidro com 2562 toneladas.

Entre as fracções que mais cresceram em termos relativos, registo para os objectos volumosos, resíduos orgânicos, metal, RC&D, e embalagens, com taxas superiores a dois dígitos.

Em jeito de curiosidade, a Maiambiente informa que as viaturas de recolha de resíduos percorreram em 2010 mais de 700 mil quilómetros, o que equivale a mais de duas mil viagens Porto-Lisboa.

Alargamento de serviços

Os resultados conseguidos no último ano evidenciam a crescente sensibilidade da população para com a temática dos resíduos e a sustentabilidade dos recursos, indutora de comportamentos ambientalmente mais responsáveis. A população é, desta forma, um “actor” muito importante nesta matéria. “Se a população não separar, não recolhemos, não transportamos. E depois, as entidades que processam o material, não reciclam”, exemplifica Carlos Mendes.

Acresce ainda o esforço da Maiambiente em criar as condições para um melhor serviço de recolha de resíduos. Para 2011, “a tendência de crescimento dos resíduos recicláveis deverá manter-se”. Para o efeito, a empresa, apesar de eventuais reflexos da crise económica que o país atravessa, irá continuar a “apostar nos actuais serviços, procurar introduzir novos serviços ou alargar os existentes a outras áreas ou outro tipo de clientes que, hoje, não são servidos”, adianta o director-geral da Maiambiente.

Nesta altura, a recolha selectiva abrange todo o concelho da Maia, quer seja pela disponibilização de ecopontos ou recolha porta-a-porta. Toda a cidade está coberta com recolha selectiva porta-a-porta, e fora da cidade, todos os edifícios de habitação colectiva dotados de compartimento para resíduos sólidos, têm também um serviço porta-a-porta. “Se juntarmos estes dois grandes grupos, estamos a falar de um universo muito próximo de 50 por cento da população. Diria que não haverá nenhum outro município do país com uma taxa de cobertura de um serviço de recolha selectiva porta-a-porta como na Maia, o que nos enche de orgulho”, sublinha.

No restante território, os munícipes têm ainda de depositar os resíduos nos tradicionais ecopontos.

Para o futuro a curto/médio prazo “há uma série de ideias que temos em cima da mesa e projectos que já estão em curso”, adianta Carlos Mendes, que destaca o projecto de alargamento da recolha selectiva porta-a-porta a todo o concelho. Está a ser implementado de forma faseada, prevendo-se a sua conclusão no “segundo semestre de 2012”. Este projecto foi alvo de uma candidatura ao QREN – Quadro de Referência Estratégica Nacional, tendo sido aprovada uma comparticipação financeira na ordem dos 60 por cento.

O processo de compra do contentores destinados ao serviço porta-a-porta já está a decorrer, e em breve deverão ser distribuídos pela população. Só no processo de aquisição dos contentores está previsto um investimento que deverá ultrapassar os 1,6 milhões de euros. O investimento global ronda os 2,2 milhões de euros.

Fernanda Alves