Festival da Diferença promove causa da deficiência

A lotação do grande auditório do Fórum da Maia praticamente esgotou, no passado sábado, dia 11 de Junho, para a primeira edição do Festival da Diferença. A iniciativa promovida pela Criança Diferente – Associação de Amigos. Uma tarde que se pretendia diferente e que, acima de tudo, desse alguma visibilidade à causa da deficiência.
A iniciativa está inserida no projecto da Academia Criança Diferente, cujo mentor é o professor da instituição, Luís Fernandes. “Nós estamos todos juntos a concretizar este sonho que foi dele e que nós achamos que era um sonho bonito e estamos a tentar realizar tudo aquilo que planeamos”, afirmou a presidente da instituição.

O objectivo, de acordo com Clarisse Monteiro, era também mostrar às pessoas que eles têm capacidades. “Pretendemos que eles mostrem às pessoas que vão assistir ao espectáculo o que são capazes de fazer, que lhes toquem no coração e que as pessoas vejam que afinal da deficiência é uma coisa simples, com a qual vale a pena lidar e trabalhar porque eles merecem-nos todo o carinho”, afirma.
Foi a pensar ainda nessa visibilidade que a deficiência precisa que decidiram convidar outras associações, “mostrando também que é possível trabalhar em parceria e que, num fim-de-semana nos reunimos por eles porque outros não o conseguem fazer e, se calhar, por isso é que há aqui menos instituições a colaborar porque algumas limitam-se ao seu horário escolar”.

Certo é que o convite foi para muitas instituições, mas foram poucas as que participaram. Talvez por ser uma novidade e as pessoas terem algum receio, justifica Clarisse Monteiro.
“Primeiro é o tempo porque isto exige trabalho e estarmos aqui mais tempo noutros dias, fora do nosso horário, depois é o facto de ser fim-de-semana prolongado”. Daí considerar que ficou um pouco aquém das expectativas no que toca à participação das associações.

Participaram neste primeiro festival da diferença a APPC do Porto; a Criança Diferente- Associação de Amigos; a Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde (Touguinha); a Raríssimas da Maia; a APPACDM de Gaia; a APPACDM de Matosinhos e a MAPADI da Póvoa de Varzim.
A presidente da Criança Diferente recordou ainda que os lucros foram repartidos entre as instituições participantes. “Cada instituição ficava com receita conseguida com a venda dos seus bilhetes a elas próprias, o que quer dizer que a Criança Diferente teve o trabalho mas as outras puderam ficar com a receita dos bilhetes que venderam. Quem mais trabalhou, mais ganhou”, afirmou.

Da sua receita, a Criança Diferente ainda tirou verbas para pagar os troféus para premiarem as instituições pela sua participação e para oferecerem medalhas a cada dos meninos participantes. O que importa, acrescenta, “não é o dinheiro que cada um conseguiu amealhar. O que importa é que todos saiam daqui felizes e com uma bela recordação porque este é um marco que pretendemos colocar na deficiência e na cidade da Maia”.
Clarisse Monteiro fez ainda um agradecimento especial ao apoio da Câmara Municipal da Maia, na pessoa da vereadora da Acção Social, Ana Miguel Vieira de Carvalho, “que acarinha muito a acção social no município e que foi incansável a ajudar-nos, a fazermos os programas, os mupis e os cartazes que depois foram espalhados pelo concelho, por escolas, instituições, juntas de freguesia”.

E como se trata de um festival da diferença, apesar de haver um júri, no final todos receberam. “Porque eles aqui são todos bons”, disse Clarisse Monteiro com a boa disposição que lhe é conhecida. E pelo palco da principal sala de espectáculos do concelho, lá foram passando danças, representações teatrais e cantorias. Tudo em prol de um bem maior: “tocar no coração de cada um para que as pessoas vejam que afinal da deficiência é uma coisa simples”.

Isabel Fernandes Moreira