Maia com “ligeiro aumento” da criminalidade (com áudio)

Assaltos e furtos são palavras de que se ouve falar quase diariamente. Seja a viaturas, na via pública ou em estabelecimentos. E tantas vezes repetidas que a insegurança é também um conceito muito mencionado no país. Mas isso não significa que o número de crimes esteja a aumentar. Pelo menos, no que toca à área coberta pela Divisão Policial da Maia. Abrange as esquadras da PSP de Águas Santas e Maia, mas também de Ermesinde e de Valongo, ainda a esquadra de trânsito e a esquadra de intervenção e fiscalização policial. Ao todo, são cerca de duas centenas de elementos.

A subintendente Maria dos Anjos Pereira abriu as portas da divisão, em Águas Santas, e PRIMEIRA MÃO ficou a saber pela comandante que a área abrangida não escapou à tendência nacional. Em Maio, o Gabinete Coordenador de Segurança divulgava um aumento da criminalidade de 4,5 por cento, nos primeiro trimestre, a par de um aumento de 11 por cento da criminalidade violenta e grave. A subintendente admite que, na área da divisão policial, também houve um aumento, ainda que “ligeiro”. E que, sublinha, não pode ser indissociado da redução verificada em 2010, “em todos os índices” e em todas as esquadras da divisão. Mas com a de Águas Santas a destacar-se no seio do Comando Metropolitano do Porto:

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Tendo em conta o cenário do ano passado, a comandante admite que, em 2011, a criminalidade “vai aumentar de certeza”, considerando que “é normal, é cíclico”, mesmo tratando-se de aumentos “com valores absolutos muito baixos”. Por isso, “nada de alarmante”.

Sempre sem divulgar dados estatísticos, de acordo com a orientação do comando, a comandante deu como exemplos do “ligeiro aumento”, na área de jurisdição da divisão policial, dos crimes contra o património, como os furtos no interior de veículo, sem esquecer os carteiristas. Nesta área, com “muitas participações” associadas, sobretudo, à utilização do metro.

Já no que se refere aos crimes praticados em estabelecimentos comerciais – regra geral, quando estão encerrados – registou-se uma diminuição das ocorrências participadas. E, por exemplo, dos furtos em grandes superfícies, durante o horário de funcionamento. E no caso dos postos de abastecimento de combustível, um dos habituais alvos de roubos, nesta área de jurisdição não houve qualquer registo, este ano, sendo “comum as pessoas abastecerem sem pagar”. E são frequentes estas denúncias.

Viaturas na mira

Um ligeiro aumento” é o que se tem verificado, já este ano, na participação de situações de furto por esticão, nas esquadras de Águas Santas e Maia. “Concentrados mais ou menos no mesmo período”, os crimes tiveram como alvo as pessoas idosas, com os indivíduos a circularem de motociclos. O mesmo acontece com o furto no interior de viaturas, admitindo a agente que os cidadãos “continuam a não ter os cuidados e deixam objectos à vista” nos carros.

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Quanto a zonas mais apetecíveis pelos assaltantes, têm-se destacado as áreas com maior aglomerado de viaturas estacionadas. Como a estação de metro Parque Maia ou o apeadeiro de Águas Santas.

Tem havido, também, variação positiva do número de furtos de viaturas, embora com uma “taxa elevada de recuperação”. Seja por serem utilizadas para cometer outro tipo de crimes ou já abandonadas pelos autores dos crimes, inclusive fora do concelho. Mas “não muito significativo” na área da Divisão Policial da Maia.

A este propósito, conclui Maria dos Anjos Pereira que o que tem aumentado “são os crimes onde o produto está logo ali, de imediato”, ou seja, de apropriação rápida.

O crime e a crise

Sejam quais forem os números, não divulgados, e seja qual for a variação de ano para ano, admite a comandante da Divisão Policial da Maia que “a criminalidade é um reflexo da situação social”, bem como do movimento de pessoas. Exemplo disso é o facto de terem sido frequentes as queixas relativas a carteiristas durante as acções de campanha eleitoral.

Outro factor que pode estar na origem da variação é a mobilidade. Havendo uma maior pro-actividade das forças de segurança, num determinado local, na sequência de um aumento das ocorrências, o fenómeno pode ser transferido para outra área, dentro do Grande Porto. Sobretudo quando se fala de crime organizado e, muitas vezes, “perpetrado por cidadãos estrangeiros”.

Marta Costa