Clarisse Monteiro deixa direcção da Criança Diferente (com audio)

Treze anos depois de ter fundado a Criança Diferente – Associação de Amigos, Clarisse Monteiro decidiu passar o testemunho. No cargo sucede-lhe João Paulo Melro, que tomou posse no passado sábado. A agora presidente da assembleia geral justifica a saída com algum desgaste acumulado ao longo dos tempos. “Depois de 13 anos e como eu só sei estar nas coisas com muito empenho e muita paixão, tudo isso me desgastou e achei que nós devemos saber sair na altura certa para sair em grande e não nos arrastarmos nos projectos quando eles já não são tão significativos para nós”, justifica.

Já há três anos tinha apresentado a demissão e mostrado intenção de sair da instituição. Na altura, acreditava que o número dois da lista ocupava o seu lugar na liderança e a obra continuava. No entanto, não foi isso que aconteceu e a direcção demitiu-se em bloco. Na falta de sucessão, Clarisse Monteiro continuou e agora preparou o terreno para a saída, ajudando à criação de uma lista. “Pensaram na altura que eu estava a fazer teatro e que agora estava a fazer um segundo teatro, não foi nada disso e eu agora acautelei a minha saída”.

Na hora da partida, Clarisse Monteiro não esconde que ao cansaço se junta alguma “desilusão e mágoa”. Questionada sobre com o quê ou com quem, preferiu não concretizar. “Se calhar com alguns apoios que podia ter e não tive tanto, porque quando se está nesta área, acho que todos nós devemos ver este serviço como um serviço altruísta e devemos ajudar naquilo que podemos, portanto, acho que só devemos estar quando damos mesmo o melhor e eu achei que seria a altura para me retirar porque devem entrar outras pessoas mais folgadas, mais novas e com novas ideias”, acrescenta.

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Não fosse o cansaço e a desilusão, Clarisse Monteiro garante que ainda tinha muito para dar à Criança Diferente, a instituição que pensou e fundou há 13 anos. “Acho que, às vezes, em vez de sermos mais ajudados e compreendidos, tudo nos é exigido e, portanto, o Estado que sabe exigir tanto, que assuma as suas responsabilidades também”.

Até Agosto, pelo menos, vai continuar a trabalhar na instituição porque está requisitada ao Ministério da Educação e, neste momento, está a coordenar o Lar Residencial. Contudo, diz-se disponível para ajudar a nova equipa “nesta fase de transição”. Enquanto presidente da assembleia geral, garante que vai continuar atenta para continuar a ajudar a Criança Diferente. Depois desse período, “veremos se irei continuar a trabalhar aqui ou se regresso à minha escola, que também já tenho saudades de ser professora”. “As mudanças trazem-nos sempre algo de bom”, conclui Clarisse Monteiro.

Isabel Fernandes Moreira