A dimensão olímpica da política que se joga na Grécia

Todos nós, provavelmente já teremos ouvido qualquer coisa, sobre a utilização da teoria dos jogos, em contexto das ciências económicas, sempre que os analistas do passado, deitam mão, formal ou informalmente, da grelha das interações estratégicas. É verdade que esses especialistas, apesar de muito esforço, nem sempre conseguem ensaiar explicações convincentes para a realidade dos factos e para a crueza dos números.

São escassos os economistas que acertam nas previsões, e ainda mais desconhecidos os que acertam no euromilhões ou nos casinos da economia mundial.

A minha avó, enquanto merceeira, costumava dizer-me que o governo da casa estava no caixa e que nunca se podia gastar mais do que lá entrava, por dia, semana, quinzena ou por mês, conforme os prazos acordados com a freguesia e com os fornecedores.

Confesso que ainda não percebi, se Angela Merkel, e agora menos Oland e Junker, recorrem mais à teoria dos jogos, ou se preferem as interacções estratégicas, muito embora, tudo isso radique na mesma essência teórica.

Eu, e por certo muitos leitores, já nos teremos interrogado se no caso da Grécia, os parceiros europeus, aqueles que realmente mandam na Europa e na sua economia, não estarão a fazer o “bluf” que a teoria dos jogos também contempla.

Aquilo de que vos falo, é aquela ideia que funciona muito bem em teoria, e que uma vez por outra, lá se vai concretizando na prática, de que dois jogadores em confronto, se souberem gerir bem as interacções estratégicas, podem ter ambos, resultados que agradem reciprocamente, ou na pior das hipóteses, minimizar mutuamente os danos.

Estão a ver a guerra de nervos que isso dá?

Pois bem, é mais ou menos, o que está acontecer na disputa entre os patrões da Europa, Alemanha e França, contra o povo Grego, apitados por Junker, um árbitro tendencioso.

O mais curioso neste jogo, é que o árbitro, permita aos outros jogadores, puxar das cartolinas amarelas e vermelhas, mostrando-as a toda a hora, ao outro jogador, que é, nem mais nem menos, um dos “federados”, e como tal devia ser respeitado, enquanto povo soberano e Estado de direito Democrático.

Creio que a ideia da troica de “arbitragem”, parcial e tendenciosa como sempre, é criar pressão psicológica sobre o jogador oponente, para o forçar a desistir, e deixar de decidir sobre os seus próprios destinos, escolhendo quem quer para conduzir a política governativa do seu país.

Se o povo Grego fugir ao confronto, se não enfrentar a troica, perderá por falta de comparência, e a vitória será de pirro , para o seu contendor, muito embora, o ganho seja total e claramente a favor da troica, com uma perda irreparável para o orgulho e autoestima, do povo que nos legou a génese da nossa Cultura e Democracia. Que suprema ironia!…

O papagaio, o passageiro inconformado e a hospedeira

O jogo que o líder do Syriza está a jogar, com o papagaio e com a hospedeira Merkel, faz-me lembrar em tudo, aquela anedota do papagaio que ia num avião, reivindicando tudo e mais alguma coisa, mesmo coisas a que não tinha direito. A hospedeira, para não ouvir os impropérios do pássaro indolente, e sobretudo para tentar manter um bom ambiente no seio da aeronave, lá ia fazendo vista grossa, e cedendo aos caprichos da ave. Na fila do lado, viajava um passageiro, que já por diversas vezes tinha pedido à hospedeira, coisas semelhantes, recebendo dela, apenas advertências e uma certa indiferença. Convencido pelos métodos do papagaio, começou então, também ele a proferir impropérios e a criar ruido dentro do avião. Até que a hospedeira se fartou de ambos, e agarrou no papagaio e no passageiro reivindicativo, e atirou ambos borda fora. Quando já estavam os dois em queda livre, o papagaio, voando em círculos à volta do homem, atazanava-lhe o juízo dizendo: – “…para quem não tem asas, arriscas mesmo muito… sim senhor, que coragem!…”.

Creio que há aqui algumas questões interessantes, para que possamos chamar à colação, quer a teoria dos jogos, as interacções estratégicas, como o uso calculista do “bluf”.

É verdade que os países do euro que não têm asas, quer dizer, que não se conseguem autossustentar, não são verdadeiramente independentes, logo não têm as mesmas condições para fazer “bluf”.

Por outro lado, as hospedeiras, também não podem mandar ninguém borda fora, porque sabem muito bem, que a cabine não pode ser aberta em pleno voo, sob pena do aparelho se despenhar, o que significaria uma perda total para todos, ou visto por outro prisma, quem ficaria a ganhar?…

É isso mesmo que os leitores estão a pensar!?…

Todos estão “condenados” a entender-se, ganhe quem ganhar as eleiºções na Grécia, no próximo dia 25 de Janeiro.

Não vai ninguém entrar em rota de colisão, a Grécia não vai sair do euro, e a Alemanha vai andar uma ou duas semanas a assobiar para o lado, até que o árbitro, diga quanto tempo de desconto há a mais para os helénicos, nessa altura, provavelmente comandados pelo líder do Síriza.

No futebol são onze contra onze, e no fim ganha a Alemanha, mas na política olímpica grega, nestes jogos teóricos das interacções estratégicas, o que está a dar é o “bluf” e o empate…

 

Victor Dias